Cestinhas do Futuro recebe a visita de Casanova
Armadora cubana da Uninassau Basquete passou uma tarde com as meninas do projeto social Cestinhas do Futuro, no Sesc de Santo Amaro.
A convivência próxima entre ídolos do esporte e crianças em processo de iniciação é considerada uma das chaves para o estímulo à prática de uma modalidade. Ter a percepção de que atletas, embora considerados heróis em muitas oportunidades, são pessoas de carne, osso, sonhos e frustrações, transmite a sensação de também poder chegar até onde ele chegou.
É por isso que o projeto Cestinhas do Futuro, da RD Sports em parceria com o Sesc de Santo Amaro, trabalha em união com o time da Uninassau que disputa a Liga de Basquete Feminino (LBF). Além de as crianças terem gratuidade em todos os jogos da equipe no Recife e entrarem em quadra com as jogadoras, elas também recebem visitas constantes das atletas nos dias de aula do projeto. Nesta semana, por exemplo, foi a vez de a armadora cubana Ineidis Casanova, causar um verdadeiro furor ao brincar com as meninas e autografar as camisas de todas elas. A presença de Casanova é um pedido constante das alunas do Cestinhas.
“Para mim essa interação é muito importante, ver as crianças querendo aprender o basquete, indo aos jogos, torcendo. Essa proximidade facilita muito no desenvolvimento delas porque tira o lado fantasioso do atleta, elas podem fazer perguntas, por exemplo, como faço para acertar os arremessos, para driblar. É especial para mim também, gosto de participar”, disse Casanova, revelando que já participou de ações desse tipo também em Cuba. “Em Cuba é bem comum atletas mais experientes visitarem escolas para contarem suas histórias aos mais jovens.”
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Casanova se apaixonou pelo Brasil em uma das visitas ao País com a seleção de Cuba, para amistosos. Quando surgiu a oportunidade de disputar a Liga de Basquete Feminino, não titubeou. Em sua primeira temporada por aqui, em 2015/2016, defendeu o Maranhão Basquete/MA. Depois, a convite do técnico Roberto Dornelas, veio para o Recife e sentiu-se em casa, tanto que continuou jogando pelo Estado neste ano. “O basquete é um esporte coletivo, de contato, e você tem de estar bem com seu time, criar uma família. Fui muito bem recebida aqui”, disse a atleta, um dos destaques da LBF.
Projeto
O Cestinhas trabalha atualmente em dois núcleos, atendendo meninas com idade entre seis e 13 anos. Está no Sesc de Santo Amaro, que é a fase básica de iniciação, e também na RD Sports, dentro do Colégio Salesiano, onde funciona uma escolinha do projeto e onde acontecem os treinos de uma equipe sub-12. Além dos fundamentos básicos da modalidade, o Cestinhas dá suporte psicológico às crianças, além de palestras sobre alimentação consciente.
“Eu fazia vôlei no Sesc, mas acabei migrando para o basquete por causa do meu padrinho, que joga e é uma inspiração para mim, e da minha prima, que é do Cestinhas. Vou a todos os jogos da Uninassau e estou muito feliz com a visita de Casanova porque admiro muito ela, o jeito como joga”, disse Marianna Jaquiele de Medeiros, de 13 anos, que sabe na ponta da língua todo o elenco do time que representa Pernambuco na LBF e tem no basquete um momento de trégua da dura vida real.
“Perdi minha mãe com seis anos, minha história é bem triste. Mas o basquete é maravilhoso, gosto demais das aulas, de fazer as cestas. Um dia quero chegar onde as meninas do time (da Uninassau) chegaram.” Marianna, assim como a maioria das alunas do Cestinhas, reside na comunidade próxima ao Sesc de Santo Amaro, e é um exemplo do quão importante é o esporte e a realização de projetos sociais como ferramenta para descortinar oportunidades de futuro.

