Cielo diz que 'sente saudade' da piscina, mas não marca retorno

Nadador brasileiro voltou a fazer declarações públicas após um hiato de seis meses afastado da mídia

Teatro de Santa IsabelTeatro de Santa Isabel - Foto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Cesar Cielo, 29, quebrou na manhã desta quarta-feira (12) um hiato de quase seis meses de aparição pública. Campeão olímpico dos 50 m livre em Pequim-2008, o nadador quebrou também o silêncio que perdurava desde que perdeu, em abril, a vaga para a Olimpíada do Rio.

Na inauguração de um polo do instituto que leva seu nome e treinará 62 atletas em sua cidade natal, Santa Bárbara D'Oeste, ele recebeu afagos de políticos e pedidos de autógrafo.

Quando enfim postou-se diante dos jornalistas para responder a perguntas, porém, não foi taxativo. Se descartou voltar às competições neste ano, por outro reconheceu que uma eventual volta a natação competitiva é provável.

"Passei um período brigado [com a natação], mas já estou com saudade. Estou sentindo que é hora de voltar para casa, para minha segunda mulher", afirmou, em um clube na cidade. O paulista ficou fora da Jogos após ficar em terceiro na corrida por uma vaga nos 50 m livre, atrás de Bruno Fratus e Italo Pereira.

Desde abril, ele havia adotado uma rotina reclusa. Evitou convites para carregar a tocha olímpica e até para levá-la no dia da cerimônia de abertura da Rio-2016, no Maracanã. Ele contou que, no meio tempo, tocou projetos pessoais e começou a dar palestras. Também elaborou um método de treinamento para ser vendido a academias.

O tempo livre, que classificou como "férias", não foi só de criação. Cielo sentiu o golpe e demorou a digerir a desclassificação. Em conversa com um alto dirigente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), chegou a chorar por 15 minutos. A pessoas próximas, disse ter se sentido deixado de lado por outras entidades.

Agora, ele disse que a pausa mostrou-lhe um lado positivo e o fez aumentar o desejo de continuar a nadar, ainda que não estabeleça data para uma reaparição competitiva.

"Não quero dizer que vou voltar em janeiro ou em 2018, mas o que posso dizer com certeza é que a natação nunca vai sair da minha vida. Faz falta na minha rotina", comentou.

Cielo afirmou que tem treinado, ou "tido contato com a água", de três a quatro vezes por semana no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, no Ibirapuera, em São Paulo. A vontade de nadar só voltou depois de ver as provas dos Jogos Olímpicos do Rio como espectador, do sofá de sua casa.

"Quando eu estava assistindo a Olimpíada eu quase arranquei a tevê do móvel. Até pensei se eu não devia estar ali na borda da piscina, ajudando. Todos somos amigos, queria que eles fossem bem", disse, em relação aos colegas de seleção brasileira.

A natação do Brasil terminou o megaevento sem nenhum pódio. Foi a primeira vez sem medalhas desde Atenas-2004. Cielo, que tem três láureas olímpicas na carreira -além do ouro em Pequim, outros dois bronzes-, evitou criticar o desempenho.
"A prova mais difícil de assistir foi a do Thiago [Pereira, nos 200 m medley]."

Foi também, contou, a prova que o fez retomar a intenção de ir para a água. Outra inspiração foi Rubens Barrichello, que com mais de 40 anos ainda continua a correr na Stock Car.

Cielo também comentou a crise que afeta a natação nacional. Os Correios, principais patrocinadores dos esportes aquáticos, já avisaram que vão reduzir drasticamente o aporte, isso se não o cancelarem por inteiro.

Além disso, a cúpula da CBDA é alvo de investigação do Ministério Público Federal, que apurou improbidade administrativa e pediu o afastamento de cartolas.

"Esperamos que a verdade apareça, acima de qualquer coisa. Não é querer tirar alguém do poder, afastar alguém, chutar o pau da barraca. Queremos que a verdade apareça. Todos os nadadores sempre questionaram bastante, e continuamos questionando."

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