Clubes brasileiros sofrem redução de R$ 300 milhões em venda de atletas

Arrecadação em transfêrencias nos primeiros sete meses de 2019 foi de aproximadamente R$ 1 bilhão; em 2018, marca foi de R$ 1,3 bilhão

Renan Lodi acertou com o Atlético de MadridRenan Lodi acertou com o Atlético de Madrid - Foto: Heuler Andrey / AFP

Exportação de atletas para o exterior sempre foi um mercado lucrativo para os clubes brasileiros. Um meio para abater dívidas em detrimento à manutenção das principais promessas no futebol nacional. Segundo relatório da Diretoria de Registro, Transferência e Licenciamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), 635 jogadores foram negociados para fora do Brasil entre os meses de janeiro e julho. Desses, 91 envolvendo valores - os demais saíram sem custo aos contratantes. As vendas movimentaram 213 milhões de euros (cerca de R$ 976 milhões). Números que, em comparação com a temporada passada, sofreram uma queda acentuada.

Em 2018, no mesmo cenário, os clubes brasileiros tinham arrecadado R$ 1,3 bilhão. São R$ 300 milhões a mais que neste ano em transações envolvendo 116 jogadores. Na época, as vendas representaram 20% do total de receitas das instituições. Nesta temporada, equivale apenas a 12%. Vale citar que, na análise feita pela CBF, não foram computadas as negociações após 31 de julho. Ou seja, a venda do atacante Pedro (ex-Fluminense) a Fiorentina (R$ 50 milhões) não entrou na estatística.

O melho rendimento em 2018 se deve em parte às vendas de Vinicius Júnior, ex-Flamengo, e Rodrygo, ex Santos, ao Real Madrid, por R$ 164 milhões e R$ 194 milhões, respectivamente, além da saída de Arthur, então no Grêmio, para o Barcelona, por R$ 172 milhões. Em 2019, as principais tratativas envolveram o lateral-esquerdo Renan Lodi, vendido pelo Atlhetico-PR por R$ 90 milhões para o Atlético de Madrid, e o volante Jean Lucas, revelado pelo Flamengo e que estava emprestado ao Santos, negociado por R$ 35 milhões com o Lyon.

A desvalorização do real frente ao dólar e ao euro e as dificuldades em negociar com atletas que, muitas vezes, tem seus direitos econômicos “fatiados” ente clubes e empresários são alguns dos pontos que interferem na rentabilidade das vendas. Há também o efeito do “cobertor curto”. Ora equipes aceitam vender suas peças por cifras menores para cobrir o vermelho dos cofres, ora acabam elevando demais o valor, assustando potenciais compradores - nesse último caso, cabe o Grêmio, que recentemente negou propostas milionárias pelos atacantes Éverton e Luan.

Em compensação, os clubes nacionais gastaram mais em contratações vindas do exterior. Em 2018, o investimento foi de R$ 182,5 milhões. Neste ano, o valor pulou para R$ 268 milhões. O “culpado” por isso é o Flamengo. Os cariocas fizeram nesta temporada a terceira contratação mais cara da história do futebol brasileiro, trazendo o meia Gérson, da Roma, por R$ 49,7 milhões. Considerando as transações envolvendo equipes da mesma nação, o rubro-negro também não economizou e trouxe Arrascaeta, ex-Cruzeiro, por R$ 63,7 milhões. A maior compra do esporte no Brasil, sem considerar os valores corrigidos pela inflação. Ano passado, o Urubu já havia gasto R$ 44 milhões para tirar o atacante Vitinho do CSKA, da Rússia.

Pernambuco

Os clubes pernambucanos também tiveram sua participação no mercado de negociações. O Sport teve um ganho indireto com a venda de Joeliton para o Newcastle, por R$ 187 milhões - por ser o clube-formador do jogador, o Leão teve direito a R$ 4,2 milhões. O Santa Cruz vendeu o atacante Elias por R$ 1,6 milhão ao Athletico/PR. Já o Náutico negociou o atacante Robinho (sem divulgar valores) ao Bragantino, além de ceder Luiz Henrique ao Moreirense/POR por mais de R$ 1 milhão.

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