COB vai investir R$ 700 mi para Jogos de Tóquio-2020

Sem patrocinadores privados, verba para o Time Brasil é oriunda quase que praticamente da Lei Agnelo/Piva

Jorge Bichara, gestor do Comitê Olímpico BrasileiroJorge Bichara, gestor do Comitê Olímpico Brasileiro - Foto: Divulgação

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) vai gastar cerca de R$ 700 milhões na preparação da delegação nacional até o final dos Jogos de Tóquio-2020. Neste ano, a entidade já investiu R$ 153 milhões. Os valores foram revelados na manhã desta segunda (23), em entrevista coletiva concedida pela cúpula da entidade. A quantia é menos da metade gasta pelo COB na preparação da equipe para os Jogos do Rio-2016.

Na época, a entidade destinou US$ 600 milhões para demandas relativas ao evento. Se levarmos em conta o dólar de agosto de 2016, o COB gastou quase R$ 1,9 bilhão na equipe. Segundo o gerente-geral de alto rendimento do COB, Jorge Bichara, “não tem como fazer uma comparação real específica do investimento na preparação dos atletas porque os valores do Rio foram misturados em relação a investimento em equipe e a infraestrutura para treinos”.

O valor usado na preparação para Tóquio-2020 será semelhante ao destinado pelo comitê nos Jogos de Londres, em 2012, quando foram gastos US$ 350 milhões - cerca de R$ 770 milhões na cotação da época. A verba atual é oriunda basicamente do repasse da Lei Piva, que destina parte do dinheiro arrecadado com as loterias para o comitê. Atualmente, o COB tem apenas dois patrocinadores - uma universidade e uma empresa de material esportivo. As duas não repassam dinheiro aos cofres da entidade. Oferecem apenas serviços.

As áreas de aplicação desses recursos variam entre repasses para confederações, operações em eventos internacionais, preparação de atletas e investimento no Laboratório Olímpico e no Centro de Treinamento do Time Brasil. “Recursos sempre são uma grande preocupação para podermos realizar todas as metas. Nossa preocupação é garantir esses recursos e acreditamos que conseguiremos manter a média de orçamento nos próximos anos”, disse o diretor geral do COB, Rogério Sampaio.

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No ano passado, o COB mergulhou na maior crise da sua história. Presidente do órgão por quase duas décadas, Carlos Arthur Nuzman foi preso acusado de intermediar o pagamento de propina aos dirigentes do COI (Comitê Olímpico Internacional) na escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016. Nuzman renunciou ao cargo. Paulo Wanderley, seu vice, assumiu o comando da entidade com a missão de "enxugar a máquina" para manter os investimentos no esporte. Ele já cortou dezenas de funcionários e está revendo contratos. A entidade conta atualmente com 205 funcionários. Antes, o comitê tinha 263 empregados.

A área de tecnologia teve o seu contrato reduzido de R$ 8,5 milhões para R$ 2,7 milhões por ano. Ele desistiu de mudar a sede do COB neste ano. A entidade funciona em um prédio alugado na Barra da Tijuca e ficará no parque aquático Maria Lenk, uma instalação da entidade. “É inegável que a condição econômica do País influencia no investimento. Era um cenário previsto (a diminuição de recursos após sediar os Jogos), os ingleses (sede de 2012) havia comentado sobre a fuga de patrocínios privados. O COB também passou por momentos difíceis, danos à nossa imagem, mas estamos nos recuperando, com regras de transparência. Consideramos o momento positivo dentro da situação difícil”, destacou Bichara.

Além dos problemas internos, o COB auxilia ainda confederações que passaram por escândalos de corrupção recentes, como a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), a de Desportos Aquáticos (CBDA) e a de Taekwondo (CBTKD). Algumas perderam recursos, outras ficaram banidas de eventos internacionais e, em ambos os casos, o Comitê precisou intervir.

   MP 841

Há uma expectativa grande por parte do COB e de toda comunidade esportiva pela revogação da Medida Provisória 841, que sugeria o repasse de recursos das loterias federais para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Assim, o corte no desporto poderia chegar a R$ 500 milhões em 2019. A MP foi alvo de diversas reclamações e ações públicas de atletas, técnicos, clubes, confederações e até mesmo do Ministério do Esporte, movimentação que parece ter surtido efeito.

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