Com futebol sem público, som de torcida é opção

Ideia de reproduzir reação de torcedores através de alto-falantes do estádio também pode ser posta em prática no Brasil na volta ao futebol

Alemanha já usa o sistema de som nos estádiosAlemanha já usa o sistema de som nos estádios - Foto: Federico GAMBARINI / POOL / AFP

A previsão de retorno do futebol no Brasil é uma incógnita e ainda não há consenso de quais procedimentos serão adotados quando as datas estiverem estipuladas. Ainda assim, clubes e entidades que comandam a modalidade nos níveis estadual e nacional dispõem de referências para se espelharem visando diminuir o impacto do cenário de exceção, incluindo as arquibancadas vazias. As lacunas de uma partida sem torcida naturalmente não serão preenchidas, mas podem ser suavizadas e o sentimento de apoio eventualmente retransmitido aos jogadores.

Os times da Bundesliga (Campeonato Alemão) e da K-League (Campeonato Sul-Coreano) encontraram uma alternativa para contornar os portões fechados. Ao longo das partidas, o sistema de som do estádio põe uma captação de áudio da torcida correspondente ao momento do jogo. Ou seja, os principais cânticos são reproduzidos enquanto os donos da casa têm a posse de bola. Se o adversário estiver trocando passes, ouve vaias. E no momento da bola na rede, os jogadores escutam a vibração do gol ecoando no campo.

A possibilidade de as competições nacionais replicarem a ação não é descartada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De acordo com a assessoria da entidade, a decisão ficará à cargo dos times e “cada detalhe e/ou ideia dos clubes será tratado pela Diretoria de Competições da CBF”. Se um participante do Campeonato Pernambucano optar por implementar, também não será contestado, segundo Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana. “Ela (FPF) segue o posicionamento da CBF. Se o clube quiser, usa, se não quiser, não usa", comentou.

O tema, no entanto, ainda foi pouco debatido internamente pelo Trio de Ferro pernambucano. Edno Melo, mandatário do Náutico, explicou que outros pontos mais delicados estão sendo abordados atualmente. "Temos outros afazeres para nos preocuparmos inicialmente na volta, envolvendo os testes, os cuidados com a saúde, os equipamentos, a questão se todos ficaram no CT... ainda não pensamos sobre o sistema de som”.

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Constantino Júnior, presidente do Santa Cruz, ponderou se todas as equipes apresentam estruturas para não cometer injustiças. "No Arruda conseguimos pela estrutura, mas tem estádio que não vai conseguir, de forma que seja seguido o princípio da isonomia. Qualquer coisa que se faça para tentar amenizar (os jogos de portões fechados) vai ser paliativo, porque o motivo de ter futebol é ter torcida. Por mais que coloque som, não vai substituir a paixão, não vai substituir o que é ter o torcedor perto. Qualquer coisa que se faça, não se aproxima da participação do torcedor, da energia, e vibração”, apontou.

Atual técnico do Sport, Daniel Paulista relembrou a experiência negativa de arquibancadas vazias na época de jogador. “Eu tive uma ou outra partida sem torcida, não é legal. É uma situação, uma preparação diferente. Todo mundo vai precisar se adaptar a esse momento que vamos viver”. O comandante rubro-negro contou que não houve conversas a respeito com a diretoria, mas não excluiu o cenário. “Acho que pode ser válido, vai ser uma situação nova com barulho ou sem. O barulho reproduzido por caixas de som não vai ser como se fosse uma torcida, mas pode tornar a partida um pouco mais vibrante”, falou.

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