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Futebol feminino

Com rotina intensa de treinos, Íbis entra na reta final de preparação para disputa do Pernambucano

Pássaro Preto intensifica treinamentos e mira boa participação no torneio: “nível é o mesmo”

Equipe de futebol feminino do ÍbisEquipe de futebol feminino do Íbis - Foto: Divulgação/Íbis

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Prestes a estrear no Campeonato Pernambucano, a equipe feminina de futebol do Íbis se prepara a todo vapor. Com uma rotina intensa de treinos desde maio, a busca pelo topo do estado motiva as atletas e membros do clube, determinados em alcançar o objetivo. A Folha de Pernambuco ouviu uma das jogadoras e o treinador do time, que crê em uma boa campanha na competição.

O torneio contará com a presença de quatro equipes, com todas se classificando para as semifinais. Para a edição de 2021, era esperada a presença de um time a mais, o Sete de Setembro, o que resultaria na eliminação de um dos clubes ainda na primeira fase. Porém, com a desistência do Sete, os primeiros confrontos terão como objetivo definir os duelos válidos pelas semifinais. 

Determinação para seguir treinando

Kira, lateral-esquerda de 36 anos, vai para a sua segunda disputa de Campeonato Pernambucano pelo Íbis. Para ela, a determinação das atletas, que não contam com apoio financeiro, é fundamental para seguir a rotina de treinos.

“Infelizmente é a realidade, a gente não tem nem o apoio da passagem. Quando alguma das meninas não tem condições de ir, o professor consegue ajudar. Infelizmente, para nós é só gasto, porque a gente tem que comprar chuteira, gastar com passagem todo dia, etc. Então a gente investe em algo que não tem retorno, simplesmente fazemos isso por amor”, admitiu. 

O técnico Cristiano Recife, ex-jogador profissional de futebol, está há quatro anos no departamento feminino do clube e lamenta a falta de suporte com os clubes para a disputa do Pernambucano. 

“A federação faz a competição e a gente quer questionar uma coisa, mas fica com as mão atadas. Por exemplo, eu, como mandante, tenho uma despesa com arbitragem, tenho que ter dois maqueiros, uma ambulância, a guarda municipal, tudo isso temos que ter em campo, e é a gente que viabiliza isso. Não temos apoio. Se, ao menos, a federação desse uma ajuda aos clubes, isentando taxas, já ajudava bastante”, lamentou. 

A falta de patrocínios também é uma realidade para a equipe feminina do Íbis. Por outro lado, recentemente o time masculino do clube fechou com o maior patrocínio de sua história. 

“O Íbis é um clube quase centenário, conhecido mundialmente. Quem não conhece o Íbis? Se você chegar fora do país, vão conhecer o clube pelo slogan colocado pelo Guinness Book, na década de 1970, de 'Pior Time do Mundo'. Nacionalmente a gente nem fala, porque o reconhecimento é de fato a nível mundial”, destacou o comandante.

Como driblar as dificuldades

Para driblar as dificuldades encontradas no futebol feminino do Brasil, o Pássaro Preto tem apostado na determinação de suas atletas para conseguir um bom resultado no Pernambucano. 

 “A gente começou a treinar em maio, com atividades na segunda, terça, quinta e sexta, folgando apenas na quarta. E depois, por volta de julho, intensificamos mais ainda e incluímos a quarta-feira na programação, seguindo assim até hoje. Sempre diversificamos entre treino físico, tático, trabalho com ou sem bola, e, quando contamos com a quantidade necessária de atletas, realizamos um coletivo”, contou Kira.

O treinador destacou o bom trabalho que a equipe está realizando na pré-temporada

"Já estamos treinando há alguns meses e fazendo uma boa pré-temporada. Realizamos dois amistosos, um contra o Centro de Captação do Grêmio, em Alagoas, onde ganhamos por 3x1, e outro em que a gente jogou aqui (em Igarassu), contra o Ferroviário, e ganhamos por 1x0”, detalhou.

Nível técnico acirrado

Ainda segundo Cristiano, o nível técnico da competição é acirrado, havendo um grande equilíbrio entre os elencos dos clubes.

“É o mesmo nível. Se analisar, Sport, Náutico, Ferroviário e Íbis, o nível é o mesmo. A diferença é que Náutico e Sport possuem uma estrutura maior, um campo para treinar. E até nesse quesito estamos evoluindo, antes não possuíamos local para treinamento, hoje a gente treina em um campo bom, temos dois fisioterapeutas”, explicou. 

Para Kira, a evolução na rotina do clube em comparação com a temporada passada tem gerado confiança no grupo, que busca ir longe na competição.

“Mesmo sempre confiando no melhor, se fosse para se pautar pelo Íbis do Pernambucano de 2020, estaríamos um pouco abaladas. Mas olhando para o Íbis de 2021, o clima é de muita confiança entre nós. No ano anterior, não tínhamos nem treino. Marcávamos, mas praticamente ninguém conseguia ir, porque a maioria das atletas trabalhava no momento e não tinha como abrir mão do emprego por algo que não lhe dava retorno. A gente só se reunia no dia de jogo, chegando no local da partida e jogando, sem treino, entrosamento ou nada. O fato de termos o treinamento de segunda a sexta já é uma grande vitória para mim e as demais remanescentes do ano passado”, comemorou a defensora. 

Estreia contra as atuais campeãs

Com a estreia marcada para o próximo domingo (26), diante do Náutico, a equipe do Pássaro Preto não se intimida em iniciar o Pernambucano diante das atuais campeãs. 

 “É uma boa, porque já começamos mostrando para o que viemos. Já chegando de frente com as atuais campeãs, então é aquele jogo que você joga ou joga, tem que mostrar que não está para brincadeira. Vamos bater de frente com o Náutico e esse ano eu prometo que não terá jogo fácil”, projetou Kira.

O treinador da equipe também não teme o confronto, e garante que seu elenco tem condições de estrear com um bom resultado. 

“Hoje o Íbis tem uma equipe que não vai se assombrar com ninguém que for enfrentar. Pode ser o Náutico, atual campeão, o Sport, que é o atual vice, ou qualquer outra equipe: vamos bater de frente. O jogo é decidido dentro das quatro linhas, e aquele que menos errar vai ganhar. Quem tem mais vontade, quem estiver mais ligado, vai ganhar. Tem vezes que não vai na técnica, mas vai na raça”. 

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