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Com torneios paralisados, pernambucanos analisam situações contratuais e reforços

Maioria dos vínculos termina no final do ano para o Trio de Ferro, mas times do interior sofrem com contratos se encerrando em abril

Lances de Náutico x RetrôLances de Náutico x Retrô - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A incerteza marca o cenário do futebol brasileiro após o surto do novo coronavírus no Brasil. As competições foram paralisadas por tempo indeterminado e, enquanto a pandemia não chegar ao fim, os dirigentes das equipes continuarão na expectativa de saber como será o andamento da temporada 2020. Principalmente por conta de um fator: os contratos. Extensão de vínculos e busca por reforços são pontos de indefinição.

Uma coisa é certa: o Campeonato Pernambucano 2020 não será cancelado. Quem afirma isso é o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho. De acordo com o mandatário, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já se posicionou contra o cancelamento - ideia sugerida pelos clubes do interior do Estado.

“Não sabemos se as competições serão retomadas em 30, 60, 90 dias, mas elas serão. A CBF já descartou essa ideia de acabar os estaduais. Voltando ao torneio, não será cobrado o valor da inscrição de novos atletas”, afirmou. Um dos motivos para manter a disputa do Estadual é assegurar as vagas na Série D e Copa do Brasil do ano que vem, Sem a disputa da edição 2020 do Pernambucano, o Estado perderia participação no mata-mata nacional e na quarta divisão.

O Trio de Ferro da capital, diferente dos clubes do interior, possuem em sua maioria atletas com contrato até o fim do ano. No Sport, não há peças com vínculo se encerrando no meio do ano. O problema é que, antes da suspensão dos jogos, o Rubro-negro vinha se movimentando para se reforçar de olho na disputa da Série A. O clube anunciou o zagueiro Iago Maidana, o meia Bruninho e o atacante Philip. Nesta semana, conforme apurou a reportagem, chegou a firmar um pré-contrato com o atacante Ronaldo, artilheiro do Paulistão com a camisa do Santo André. Porém, a partir de agora, a diretoria leonina deve ficar em ‘stand by’.

"Não tem como trabalhar com contratações agora. São muitas incertezas por conta da pandemia do coronavírus. O melhor a se fazer é aguardar, ver o que acontecerá ao longo do ano. Depois, se for possível, voltaremos a mapear o mercado e buscar soluções", explicou o presidente do Sport, Milton Bivar.

“Praticamente todos têm contrato até o final da Série C e, os que são opção para o clube até o final do regional, nós detemos a opção de extensão (do contrato). Os que forem necessários, quando você tem contrato vigente, é só uma extensão de mais 30 dias. Com Victor Rangel (atacante) é diferente, porque o vínculo dele termina em abril. Quando encerrar o contrato dele com o Botafogo, tem de se fazer um novo e isso depende muito de valores”, informou o executivo de futebol do Santa Cruz, Nei Pandolfo.

O Náutico tem o mesmo cenário do Santa. A exceção é Erick, com contrato até o final de junho. O prata da casa alvirrubro veio por empréstimo do Gil Vicente. “A maioria dos nosso atletas tem vínculo até o fim do ano ou do próximo, então isso (contratos) não preocupa no momento”, frisou Diógenes Braga, vice-presidente do clube. 

Interior


Em Pernambuco, os clubes do interior são os mais afetados com a paralisação do campeonato. Principalmente porque muitos possuem atletas com contrato até o fim do Estadual - antes programado para terminar em abril. Com o possível retorno da competição após esse período, muitas equipes serão obrigadas a aumentar o vínculo, inflando o custo com o futebol.

Os clubes do chamado “G7”, sem a presença de Náutico, Santa Cruz e Sport, podem ser divididos em dois blocos. O primeiro, dos que possuem calendário cheio até o final do ano. São esses Afogados, Central e Salgueiro. Todos estarão na Série D, competição que vai até o fim de novembro. O primeiro, inclusive, além do torneio nacional, está disputando a Copa do Brasil e fará o jogo de volta da terceira fase da Copa do Brasil, contra a Ponte Preta.

“Mesmo com a Série D, nós decidimos fazer contratos até abril porque, depois desse período, nós queríamos avaliar os atletas que seriam aproveitados até o final do ano. Vamos avaliar como ficará a situação para saber se vamos prorrogar os contratos ou rescindir”, afirmou Márcio Gustavo, diretor do Afogados. “Tudo vai depender do dinheiro que vai entrar e do tempo de paralisação também”, apontou o presidente do Salgueiro, José Guilherme.

No caso do Central, a preocupação é também com os atletas que podem deixar o clube. “Danilinho veio conversar conosco pedindo a rescisão contratual e estamos definindo isso. Temos atletas com contrato, mas alguns, como ele, podem sair antes”, citou o vice-presidente da Patativa, Warley Santos.

Os demais clubes são os que, na teoria, terminariam as atividades após o fim do Estadual: Petrolina, Retrô, Vitória e Decisão. “A gente tem 14 atletas com vínculo até o final do ano. Oito do sub-20 também com contrato maior e os demais que terminam até o final de abril. O nosso prazo para discutir esse tipo de assunto (prorrogar vínculo) é o final de março”, declarou Gustavo Jordão, diretor do Retrô.

O presidente do Decisão, Epitácio Manoel, afirmou que a maioria dos contratos dos atletas termina em abril e, nesta semana, se reunirá com a Federação Pernambucana de Futebol para discutir possíveis soluções para ajudar na captação de recursos para prorrogar os vínculos.

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