Com VAR, jogos desta Copa duram mais que os de 2014

Recurso do árbitro de vídeo aumentou a duração das partidas, gerando impactos físicos e estratégicos nas equipes

Árbitro de vídeo foi usado na Copa do Mundo deste anoÁrbitro de vídeo foi usado na Copa do Mundo deste ano - Foto: Johannes Eisele/AFP

Para além dos esquemas táticos e grandes craques, há um fenômeno que chama atenção na Copa do Mundo da Rússia: os jogos estão durando mais tempo. Contando primeira fase e oitavas de final, sem somar o tempo de prorrogação em Espanha x Rússia, Croácia x Dinamarca e Colômbia x Inglaterra, a média de duração das partidas é 3 minutos e 23 segundos superior a toda a Copa de 2014. O futebol da atual edição do Mundial não cabe em 90 minutos.

O aumento da duração das partidas em 2018 para a média de 98 minutos e 23 segundos (como se fossem mais de quatro minutos de acréscimo em cada tempo) não é por acaso: parte de uma orientação da comissão de arbitragem da Fifa aos árbitros em razão da implantação do VAR, o árbitro de vídeo.

Como é novidade na Rússia, a medida ainda demanda tempo para assimilação pelos envolvidos nos jogos. A ideia é que os árbitros sejam pacientes e precisos nos acréscimos, para evitar reclamações e permitir adaptação às novas linguagens do jogo. Até agora foram 56 partidas disputadas na Rússia. A mais curta foi a vitória da Bélgica por 1x0 sobre a Inglaterra, com 93 minutos e 18 segundos de duração - as duas seleções já estavam classificadas na primeira fase e disputavam somente a liderança do Grupo G.

A mais longa foi a classificação da própria Inglaterra sobre a Colômbia, pelas oitavas de final, com 133 minutos e 30 segundos. Sem prorrogação, o jogo mais longo foi Coreia do Sul 2x0 Alemanha, partida que eliminou os atuais campeões mundiais em 102 minutos e 26 segundos de disputa. A partida entre coreanos e alemães, aliás, mostra uma das consequências de partidas mais longas: há mais gols marcados no fim, como os de Kim Young-Gwon e Ju Se-Jong, aos 47 minutos e 50 minutos do segundo tempo.

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Ao todo, até agora, são 18 gols feitos nos acréscimos do segundo tempo, aproximadamente 12% dos 146 da Copa do Mundo. Cheryshev e Golovin (Rússia), Bouhaddouz (contra, para o Irã), Harry Kane (Inglaterra), Rakitic (Croácia), Khazri (Tunísia), Son Heung-Min (Coreia do Sul), Toni Kroos (Alemanha), Salem (Arábia Saudita), Iago Aspas (Espanha), Ansarifard (Irã), Sommer (contra, para a Costa Rica), Aguero (Argentina), Chadli (Bélgica), Yerri Mina (Colômbia) e o brasileiro Neymar são os outros artilheiros dos acréscimos na Copa da Rússia. O camisa 10 da Seleção marcou aos 49 minutos do segundo tempo contra a Costa Rica, ainda na primeira fase.

Além dos gols nos acréscimos, há impactos físicos e estratégicos como consequência de partidas mais longas. De acordo com dados da Fifa e do Footstats, os jogadores dão menos arrancadas e têm velocidade mais baixa após 40 minutos do segundo tempo. O esgotamento físico é inevitável. Também há um número elevado de substituições nas equipes neste período - restando às vezes até 10 minutos pela frente, os treinadores ainda querem mudar a história dos jogos. Foram 64 alterações de última hora em 56 partidas. Para quem já cansou de ouvir dos boleiros e treinadores que depois dos 40 do segundo tempo não é para ter mais jogo, a Copa do Mundo da Rússia deixa seu recado.

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