Copa Africana de Nações começa neste sábado: confira tudo sobre o torneio

CAN 2017 será realizada no Gabão, e quem vencer está garantido na Copa das Confederações 2017

Isaltino Nascimento (PSB), em entrevista à Rádio FolhaIsaltino Nascimento (PSB), em entrevista à Rádio Folha - Foto: Zé Britto / Folha de Pernambuco

A bola vai rolar no mais importante campeonato de futebol de seleções na África. A 31ª edição da Copa Africana de Nações começa neste sábado (14) e vai até dia 5 de fevereiro, na grande final em Libreville. Recheada de estrelas do futebol mundial, com nações estreantes e uma vaga para a Copa das Confederações deste ano em disputa, a CAN é um grande atrativo para o começo de ano esportivo.

A competição deste ano tem como sede, mais uma vez, o Gabão. O país já recebeu em 2012 uma edição da CAN, mas naquela época, dividiu o torneio com a Guiné Equatorial. E desta vez, a chance de sediar caiu no colo dos gaboneses. Isto porque a Líbia deveria ter sido sede em 2013, mas por conta de problemas políticos, resolveu adiar. Os líbios ganharam nova chance para 2017, mas desistiram de vez pelos mesmos problemas. Concorrendo com o Marrocos, o Gabão ganhou o direito de sediar a competição.

Desta vez, sozinha, a nação de aproximadamente 1 milhão e 500 habitantes tenta ser mais do que uma mera anfitriã, e quer alcançar o histórico título jogando em casa. A edição de 2017 terá quatro cidades-sede, com estádios com capacidade mínima de 20 mil espectadores. Libreville, Franceville, Oyem e Port Gentil receberão os jogos

Realizado de dois em dois anos, o torneio tem como maior campeão o Egito, com sete títulos, sendo três desses em sequência (2006, 2008 e 2010). Logo em seguida, Gana e Camarões estão empatados com quatro.

Dos 16 participantes desta edição, dez já levaram a taça para casa. Mas, entre Costa do Marfim, Gana, Egito, Camarões, há uma grande ausência. A Nigéria caiu na qualificação, e não disputará a CAN em 2017. Justamente os nigerianos que venceram a edição de 2013, conseguido a vaga para a Copa das Confederações, no Brasil.

Confira uma análise sobre as seleções que disputarão o torneio:

GRUPO A

GABÃO
Participações: 7
Ranking na FIFA: 108
Principal Estrela: Pierre-Emerick Aubameyang - Borussia Dortmund/ALE (atacante)

Os anfitriões são a pior seleção do torneio - ao menos pelo ranking da Fifa. Os gaboneses, que nunca venceram ou sequer chegaram à final do torneio têm uma ótima geração, liderada por um astro do futebol europeu.

Pierre-Emerick Aubameyang optou por jogar pela seleção do país onde nasceu, e tentará dar o título mais importante da história do Gabão nesta edição.

Além dele, outros nomes que figuram entre os principais times europeus como Mario Lemina, meio-campo da Juventus, e Bruno Ecuele Manga, do Cardiff City, da Inglaterra, podem ajudar a equipe gabonesa a fazer bonito diante da sua torcida.

BURKINA FASO
Participações: 11
Ranking na FIFA: 53
Principal Estrela: Jonathan Pitroipa - Al-Nasr/EAU (meio-campo)

Bater na trave talvez seja a melhor definição para Burkina Faso nos últimos anos. A seleção, que ascendeu no cenário africano, foi vice-campeã da CAN em 2013, quando perdeu para a Nigéria na final. Nas eliminatórias para a Copa de 2014, os burkinenses perderam nos critérios de desempate para a Argélia, ficando de fora.

E em 2017, pode ser a última chance de uma geração comandada pelo experiente Jonathan Pitroipa. O jogador, com 30 anos, fez carreira no futebol europeu, passando inclusive pelo Hamburgo/ALE. Além dele, o atacante Aristide Bancé, de 32 anos, é a esperança de gols da equipe.

CAMARÕES
Participações: 18
Ranking na FIFA: 62
Principal Estrela: Vincent Aboubakar - Besiktas/TUR (atacante)

Sem Eto’o, a renovação de Camarões vem acontecendo, e não está sendo muito fácil. Os Leões Indomáveis tentam se reerguer na CAN após a última participação boa ter sido em 2008, quando perderam para o Egito na final.

A equipe camaronesa terá que confiar, desta vez, nos gols de Benjamin Moukandjo (Lorient/FRA) e Vincent Aboubakar (Besiktas/TUR), e na experiência de Nicolas Nkoulou (Lyon/FRA) na defesa.

GUINÉ-BISSAU
Participações: Estreante
Ranking na FIFA: 68
Principal Estrela: Zezinho - Chaves/POR (meio-campo)

Única estreante na competição, a seleção de Guiné-Bissau, conhecida como os Djurtus, tem uma história e tanto para contar. Uma das mais fracas seleções entre as ex-colônias portuguesas, atrás de Angola e Cabo Verde, a equipe guineense surpreendeu na qualificação. Em um grupo com Congo, que já foi campeão da CAN e a Zâmbia, vencedora em 2012, conseguiu liderar e levar alegria para o povo do país, que passa por problemas políticos.

Apesar de ser independente de Portugal desde a décade de 70, a Guiné-Equatorial ainda possui raízes muito grandes além da língua portuguesa. Dos 23 jogadores convocados, 16 atuam em solo português, com destaque para o meia Zezinho, que joga no Chaves, da primeira divisão. Nenhum convocado atua em solo guineense.

Outra curiosidade em relação a Portugal é que um dos jogadores mais importantes da seleção portuguesa nasceu na Guiné-Equatorial. O atacante Ederzito, conhecido como Éder, autor do gol do título na Euro 2016, nasceu em Bissau, mas se mudou para Portugal ainda criança.

GRUPO B

ARGÉLIA
Participações: 17
Ranking na FIFA: 39
Principal Estrela: Riyad Mahrez - Leicester/ING (meio-campo)

Outra forte candidata ao título é a seleção da Argélia. Com Mahrez (Leicester/ING), Bentaleb (Schalke 04/ALE), Brahimi (Porto/POR) e Slimani (Leicester/ING), o favoritismo aumenta bastante.

Mas dentro de campo, o estrelado time argelino não tem correspondido, pelo menos na Copa Africana. Nas últimas três edições, a melhor colocação dos Guerreiros do Deserto foi um sexto lugar em 2015, caindo nas quartas de final para a Costa do Marfim. Em 2013, não passou da fase de grupos, e em 2012, não conseguiu se classificar para a disputa do torneio.

TUNÍSIA
Participações: 18
Ranking na FIFA: 36
Principal Estrela: Wahbi Khazri - Sunderland/ING (meio-campo)

A equipe tunisiana, desde que foi campeã em 2004 com o goleiro Boumnijel e o brasileiro naturalizado Francileudo dos Santos, não conseguiu passar das quartas de final da CAN. As “Águias de Cartago”, para completar, não se classificam para uma Copa do Mundo desde 2006.

Mas, para mudar este panorama, a Tunísia tem uma boa chance nesta Copa Africana, apesar do grupo difícil. A jovem equipe comandada pelo polonês Henryk Kasperczak é formada, em sua maioria, por atletas que atuam no Campeonato Tunisiano. Porém, é do futebol europeu que vem o principal destaque. Wahbi Khazri, de 25 anos, chegou recentemente no Sunderland, e com a camisa dez, tem a responsabilidade de comandar seu país em busca do segundo título continental.

SENEGAL
Participações: 14
Ranking na FIFA: 33
Principal Estrela: Sadio Mané - Liverpool/ING (meio-campo)

O potencial para voltar a ser um dos grandes da África existe. A equipe do Senegal, renovada, chega para mais uma CAN atrás do seu primeiro título. Os Leões de Teranga bateram na trave em 2002, ano em que também assombraram o mundo ao derrotar a França da abertura da Copa do Mundo.

Para 2017, Sadio Mané, do Liverpool, comanda o time que chega como um dos favoritos ao título. Além dele, o experiente Moussa Sow, do Fenerbahce, e Kalidou Koulibaly, do Napoli, tendem a ser outros destaques.

ZIMBÁBUE
Participações: 3
Ranking na FIFA: 103
Principal Estrela: Khama Billiat - Mamelodi Sundowns/AFS - (meio-campo)

A equipe do Zimbábue nunca passou da fase de grupos nas três participações na CAN. Porém, vem crescendo no cenário do futebol africano, apesar de ser a segunda pior seleção do torneio no ranking da FIFA. Primeiros de seu grupo nas eliminatórias, Os "Guerreiros" possuem uma equipe que basicamente joga em solo africano, seja no futebol da África do Sul ou o próprio Zimbábue, em clubes de destaque no cenário continental como o curioso Chicken Inn.

GRUPO C

COSTA DO MARFIM
Participações: 22
Ranking na FIFA: 34
Principal Estrela: Wilfried Bony - Stoke City/ING (atacante)

Yaya Touré, Kolo Touré, Didier Drogba... Esqueça estes nomes na Costa do Marfim em 2017. Renovada, a equipe chega para a defesa do título conquistado em 2015 com novos nomes de destaque, como o do lateral Serge Aurier, do PSG, e o meio-campo Wilfried Zaga, que trocou a nacionalidade inglesa para vestir a camisa dos "Elefantes".

Apesar disso, ainda há alguns "intermináveis" no elenco, que podem ajudar a dar mais experiência aos jovens que chegam. É o caso do atacante Salomon Kalou, de 31 anos, atualmente no Hertha Berlim.

De resto, um time que atua basicamente em solo europeu. Dos convocados pelo francês Michel Dussuyer, apenas o terceiro goleiro, Ali Sangaré, atua em solo marfinense, no AS Tanda.

RD CONGO
Participações: 18
Ranking na FIFA: 49
Principal Estrela: Cédric Bakambu - Villarreal/ESP (atacante)

Uma das seleções mais fortes do torneio, a República Democrática do Congo vem renovada para esta edição da CAN. Sem um de seus jogadores mais conhecidos, Muteba Kidiaba, que se aposentou, a equipe congolesa possui estrelas que jogam no futebol europeu.

Dieumerci Mbokani, do Hull City, é o principal destaque no setor ofensivo. Ele é o artilheiro da equipe nas eliminatórias para a Copa, onde o Congo lidera seu grupo. Além dele, Cédric Bakambu, do Villarreal, completa o perigoso ataque dos Leopardos, campeões em 1968 e 1974.

MARROCOS
Participações: 16
Ranking na FIFA: 57
Principal Estrela: Mehdi Benatia - Juventus/ITA (zagueiro)

Comandados por Hervé Renard, os marroquinos voltam a disputar a CAN após a desistência de última hora em 2015. O país venceu o torneio apenas uma vez, em 1976, e de lá para cá o melhor desempenho foi um terceiro lugar em 1980. 

A esperança para o "Leão do Atlas" é no comando técnico, já que Renard conquistou o título de 2012 com a Zâmbia, e tem experiência com seleções africanas. Dentro de campo, o destaque vai para o zagueiro Mehdi Benatia, que já teve passagem pelo Bayern de Munique e hoje está na Juventus. 

TOGO
Participações: 8
Ranking na FIFA: 90
Principal Estrela: Emmanuel Adebayor - sem clube (atacante)

Longe da melhor fase no futebol mundial, a seleção do Togo conseguiu se classificar, e para a CAN terá mais uma vez a presença de seu melhor jogador na história: Emmanuel Adebayor. O atacante, agora com 32 anos, está sem clube no momento, mas mesmo assim, tentará usar de toda a sua experiência para poder levar os togoleses à segunda fase, apesar do grupo complicado.

GRUPO D

GANA

Participações: 21
Ranking na FIFA: 54
Principal Estrela: Asamoah Gyan - (atacante)

Uma das seleções mais fortes do continente na última década, e atual vice-campeã da CAN, Gana não tem tido vida fácil. Isto porque, nas eliminatórias, a seleção não vem bem, e corre risco de ficar de fora da Copa do Mundo de 2018.

Para afastar toda a má fase, uma ótima geração consolidada possui potencial para dar alegria ao povo ganês. Os irmãos André e Jordan Ayew estarão presentes, além do goleador e experiente Asamoah Gyan, hoje no Al-Ahli dos Emirados Árabes.

MALI
Participações: 10
Ranking na FIFA: 64
Principal Estrela: Moussa Marega - Vitória de Guimarães/POR (atacante)

A seleção malinesa chega com azarã de seu grupo na CAN. Com o melhor resultado da história um vice-campeonato em 1972, as "Águias" tentarão chegar à final novamente, após dois terceiros lugares nas últimas três edições.

Para isso, terão a ajuda de uma das revelações do futebol europeu na primeira metade da temporada 2016/2017. O atacante Moussa Marega, apesar de jogar no pequeno Vitória de Guimarães, é o vice-artilheiro do Campeonato Português com 10 gols, um a menos que Bas Dost, do Sporting. A diferença para as últimas edições é a ausência de um dos pilares da equipe: Seydou Keita, ex-Barcelona, que não joga mais pela seleção.

EGITO
Participações: 23
Ranking na FIFA: 35
Principal Estrela: Mohamad Salah - Roma/ITA (atacante)

Os Faraós parecem renascer no futebol africano. Depois de ficar de fora da CAN por três edições (2012, 2013 e 2015), a seleção egípcia volta ao torneio onde é a maior campeã. Inclusive, foi tri-campeã em 2006, 2008 e 2010.

Sem os grandes ícones da história, como o meio-campo Mohamed Aboutrika e o atacante Hossan Hassan, o grande destaque vai para o "Messi Egípcio". Mohamed Salah, de 24 anos, atualmente na Roma/ITA, tem sido peça importante na equipe egípcia, inclusive nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Além dele, Mohamed Elneny, do Arsenal e o experientíssimo Essam El-Hadary, de 43 anos, são outros pilares da equipe.

UGANDA
Participações: 6
Ranking na FIFA: 73
Principal Estrela: Denis Onyango - Mamelodi Sundowns/AFS - (goleiro)

Uganda tem como melhor resultado um vice-campeonato em 1978. Em sua sexta participação na CAN apenas, a equipe volta a disputar o torneio depois de 49 anos.

Os ugandenses vem com uma equipe composta de atletas espalhados pelo mundo. Dos Estados Unidos à Tanzânia. Comandado pelo sérvio Milutin Sredojevic, o time tem como maior destaque o goleiro Denis Onyango, que foi titular pelo Mamelodi Sundowns, da África do Sul, no último mundial de clubes.

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