Copa do Catar tem promessa de luxo e muitas novidades
Sede de 2022, o Catar está construindo sete estádios do zero, além de uma nova cidade que será o palco da final
Se a Rússia de Vladimir Putin usou a Copa como vitrine política em um momento de isolamento internacional, há uma expectativa sobre o que vai acontecer na próxima sede do Mundial, o Catar. Além de ter de lidar com acusações de que sua escolha como anfitrião foi comprada e de que usa trabalho desumano para erguer elefantes brancos no deserto, o pequeno emirado no Golfo Pérsico está imerso em uma enorme crise diplomática.
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Em junho do ano passado, a Arábia Saudita rompeu laços diplomáticos e decretou boicote comercial com o vizinho, sendo acompanhada por outros 11 países - inclusive no entorno regional, como os Emirados Árabes Unidos. O motivo alegado foi o apoio catariano a organizações terroristas, em especial na guerra civil síria. Não só: Doha tem um escritório do Taleban afegão e laços conhecidos com diversos grupos jihadistas.
A questão é que se há um lugar que fomenta ideologia extremista no mundo muçulmano é justamente a Arábia Saudita, berço do ramo wahhabista do sunismo. E o Catar sempre mordeu e assoprou na questão, tendo laços sólidos com os EUA, que mantêm no país sua maior base aérea no Oriente Médio.
A ambiguidade que irritou os sauditas é outra: a aproximação do emirado com o Irã, o maior rival geopolítico de Riad na disputa pelo posto de potência regional dominante. É uma rivalidade também religiosa. A Arábia Saudita sedia as duas cidades mais sagradas do islamismo e se sente uma líder natural do ramo majoritário da crença, o sunismo.
Já Teerã é o centro mundial do xiismo, professado por cerca de 15% dos aderentes da fé muçulmana. Além de discordâncias doutrinárias e sobre a linha de sucessão do profeta Maomé, o centro da disputa hoje é política. Há outros focos de tensão. Quando houve a sequência de revoltas que derrubaram autocracias em 2011, a chamada Primavera Árabe, o Catar deu apoio a grupos que tentaram fazer o mesmo no reino vizinho - sem sucesso.
A rede de TV Al Jazeera é a mais influente do mundo árabe, e tem sede em Doha. É vista como instrumento político do emirado pelos vizinhos. Alguns países já reataram laços diplomáticos, mas o principal efeito do boicote ainda se faz sentir: o bloqueio aéreo, terrestre e naval dos vizinhos. Com isso, uma das maiores empresas aéreas da região, a Qatar Airways, patrocinadora da Fifa, teve de redirecionar muitas de suas rotas - que passavam por espaço aéreo da Arábia Saudita, do Egito e dos Emirados Árabes, por exemplo.
O voo São Paulo-Doha chegou a ganhar uma escala, mas agora já é feito diretamente por uma rota tortuosa sobre o Mediterrâneo, Turquia e águas internacionais do Golfo Pérsico. O jovem emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani, de 38 anos, terá agora quatro anos para ver a crise resolvida ou usar a imensa riqueza baseada em petróleo e gás de seu país e bancar o espetáculo apesar dela.
Novidades
Pela pequena extensão territorial (11,571 mil quilômetros quadrados), o Catar tem usado como atrativo a proposta de que o torcedor poderá assistir a até dois jogos ou mais do Mundial por dia. Isso porque a maior distância entre os estádios será de 55 quilômetros, entre Al Khor, que fica ao norte, e Al Wakrah, no sul do território - é inferior à distância entre o Bairro do Recife e a praia de Porto de Galinhas, por exemplo. Vai ser possível até fazer deslocamentos a pé. Do Khalifa Stadium ao Qatar Foundation, a distância é de somente 4,5 quilômetros.
Por enquanto, o a sede do Mundial de 2022 é um enorme canteiro de obras. A proposta, contudo, é entregar todas as estruturas, tanto estádios, quanto intervenções de mobilidade e hoteis, até 2020. Entre as curiosidades da Copa no Catar está a primeira experiência em estádios climatizados. Sim, para superar o forte calor da área desértica. Serão oito estádios, dos quais somente um está sendo reformado. Os demais estão sendo erguidos do zero.
A expectativa os organizadores é receber cerca de 500 mil pessoas e, justamente por essa demanda, estão sendo tratadas estratégias para abrigar tanta gente. Novos hoteis estão sendo erguidos e a hospedagem em cruzeiros será uma das opções. A Copa no Catar acontecerá entre 21 de novembro e 18 de dezembro, uma novidade no calendário para fugir do severo verão na região, quando a temperatura chega a 50ºC.
Cidade criada para a final
A final da Copa do Catar está prevista para acontecer em Lusail, uma cidade de 250 mil habitantes próxima à capital, Doha. O detalhe é que Lusail é uma cidade que ainda não existe. O investimento para isso é em torno de US$ 45 bilhões. Vale lembrar que o Catar é dono do maior PIB do mundo, tendo como principais fontes de renda reservas de gás natural e excelentes jazidas de petróleo.

