Futebol

Corinthians elege presidente que herdará dívida bilionária

Arena Corinthians, em Itaquera, São PauloArena Corinthians, em Itaquera, São Paulo - Foto: Divulgação/site oficial

O Corinthians elegerá neste sábado (28) seu novo presidente, para o triênio 2021-2023. Quem herdar o cargo ocupado atualmente por Andrés Sanchez, 56, terá como principais desafios montar um time vitorioso enquanto lida com dívidas que giram em torno de R$ 1,5 bilhão.

Duílio Monteiro Alves, 45, candidato da situação, o ex-presidente Mário Gobbi (2012-2015), 59, e Augusto Melo, 54, ex-assessor das categorias de base, concorrem no pleito que será realizado na sede do clube, no Parque São Jorge.
A maior parte do passivo que um deles terá pela frente, R$ 902 milhões segundo balanço divulgado em julho, são débitos relativos a gastos do departamento de futebol e do clube social. Quando Sanchez assumiu o cargo, em 2018, a dívida era de R$ 503 milhões.

O desempenho dos seis primeiros meses de 2020 reflete uma parte das consequências da pandemia da Covid-19, que provocou a paralisação dos campeonatos durante quatro meses.


Essa suspensão impactou diretamente a capacidade do clube de honrar a outra parte da dívida alvinegra, referente ao financiamento da Neo Química Arena. A Caixa Econômica Federal cobra R$ 569 milhões.

A bilheteria das partidas é a principal fonte de receita do clube para quitação desse débito. Nem mesmo a retomada das competições aliviou a conta, uma vez que as partidas seguem sem a presença de torcedores nas arquibancadas.
Antes mesmo da pandemia, porém, o clube já não conseguia honrar as parcelas. Em setembro do ano passado, a Caixa executou o contrato após sucessivos atrasos. A quitação ficou suspensa a partir daí, quando as partes passaram a negociar um novo fluxo de pagamento.

No início de seu mandato, Andrés Sanchez afirmou que seu retorno ao cargo que ocupou pela primeira vez entre 2007 e 2011 tinha como principal objetivo renegociar a dívida com o banco e vender os naming rights do estádio.

Somente neste ano, o último de Sanchez à frente do clube, que o nome do estádio foi vendido, em um acordo com Hypera Pharma, que desembolsará R$ 300 milhões ao longo de 20 anos para que o estádio seja chamado de Neo Química Arena.
O acordo também possibilitou que o clube avançasse em um acerto com a Caixa. Às vésperas da eleição, o Corinthians afirma que firmou um novo fluxo de pagamento do financiamento, além de estender o prazo para quitar o débito.

Agora, as parcelas terão de ser pagas até 2040. Antes, o vencimento ocorreria em 2028. Além disso, não haverá mais um pagamento mensal. Serão 17 prestações anuais. O banco também aceitou reduzir a multa pelo atraso que provocou a execução do contrato.

Uma parte desse montante, R$ 300 milhões, será paga com o dinheiro dos naming rights. Já o restante, R$ 269 milhões, serão liquidados em parcelas anuais, que não poderão exceder R$ 38 milhões. Tudo o que for arrecadado além desse valor irá para os cofres do clube.

A informação do novo acordo entre as partes foi divulgada inicialmente pelo site Globoesporte.com e confirmada pela Folha de S. Paulo. O banco estatal não comenta o assunto devido a cláusulas de confidencialidade. Não há uma data definida para assinatura do contrato.

Com essa negociação, Sanchez espera beneficiar a campanha de Duílio, candidato que tentará manter no poder o grupo político Renovação e Transparência, fundado pelo atual mandatário em 2007.

O ex-diretor de futebol é a terceira geração familiar a concorrer à presidência do Corinthians –o avô e o pai dele também tentaram se eleger nos anos 1980. O dirigente se vê como alguém capaz de "modernizar a parte administrativa e fazer uma gestão 100% transparente", conforme disse em entrevista à Folha de S. Paulo.

Sob sua gestão, o gasto com o departamento de futebol cresceu devido ao alto número de contratações. Chegaram 40 atletas em 33 meses, média de um reforço a cada 25 dias.

O dirigente fez parte também de trabalhos vitoriosos, como nas conquistas da Libertadores e do Mundial, em 2012, do Brasileiro de 2015 e dos Paulistas de 2018 e 2019. Os títulos de 2012 foram conquistados em sua primeira passagem como diretor de futebol, daquele ano até 2015, durante o mandato de Mário Gobbi.

Rompido com Andrés Sanchez desde o início de sua gestão, o delegado de polícia se juntou a grupos de oposição no Parque São Jorge para concorrer novamente nesse pleito.

Para o ex-presidente, o clube está em uma "situação perigosa e administrativamente passando por uma crise sem precedentes", por conta das dívidas.

Ele culpa Sanchez pelo estágio atual do endividamento e diz que isso ocorre porque o cartola não saber dizer não aos pedidos que recebe. "Ele não quer magoar os amigos dele. É uma gestão política, que não atende a princípios profissionais."

Quando assumiu o clube em 2012, Gobbi também fazia parte do grupo Renovação e Transparência, que ajudou a fundar. Ele diz que deixou a chapa por causa das "ingerências" de Sanchez.
Augusto Melo corre por fora na disputa, que tem 11 mil conselheiros aptos a votar. As eleições alvinegras costumam ter um quórum de um terço disso.

Por causa da pandemia de Covid-19, a comissão eleitoral orienta que votantes idosos ou com alguma deficiência dirijam-se ao local acompanhados de, no máximo, uma pessoa, para evitar aglomerações.

Os demais deverão ir ao clube sozinho e permanecer no local somente o tempo necessário para votar.
Não será permitido campanha de boca de urna no dia da votação nas dependências e imediações do Parque São Jorge. Também não haverá atividades esportivas e sociais na sede alvinegra.

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