Coronavírus afeta esportes e gera temor para Jogos

Doença que assola China provoca cancelamento de competições no ano olímpico. Atletas nordestinos citam apreensão

Palco dos Jogos-2020, Japão confirmou casos da doençaPalco dos Jogos-2020, Japão confirmou casos da doença - Foto: Kazuhiro Nogi/AFP

A epidemia do novo coronavírus, que surgiu em dezembro na província de Wuhan, na China, fez mais de 100 mortos e quatro mil infectados, já tendo sido identificado em 11 países, entre eles Japão, Filipinas, França e Estados Unidos. A Organização Mundial de Saúde (OMS), inclusive, mudou recentemente a classificação do alerta de “moderado” para “alto”. A China, que concentra o maior número de casos, vem tomando medidas para evitar que mais pessoas tenham contato com o vírus. Sendo assim, alguns eventos esportivos que estavam programados para acontecer no país foram cancelados. É o caso dos torneios pré-olímpico de futebol feminino e de boxe da Ásia/Oceania. O primeiro foi transferido para a Austrália, enquanto o segundo será na Jordânia.

O mesmo aconteceu com os jogos do Grupo 1 da Ásia/Oceania da Fed Cup, que deveriam ter acontecido no último domingo (26) e foram remarcados para 4 de fevereiro, no Cazaquistão. Já o jogo da Supercopa da China de futebol masculino, previsto para o próximo dia 5 de fevereiro, foi adiado por tempo indeterminado, enquanto o início do Campeonato Chinês, que seria em fevereiro, deverá acontecer apenas em março. Já a maratona de Hong Kong, prevista para o próximo dia 9 de fevereiro, foi cancelada. Os 74 mil inscritos serão reembolsados.

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Morando há dois anos em Hengqin, cidade que faz fronteira com Macau, onde joga, o atacante recifense Danilo Lins, ex-Náutico, disse que o clima é de apreensão. O feriado pelo ano novo chinês foi prorrogado e, por isso, os treinos dele ainda não retornaram no Chao Pak Kei, bem como as aulas escolares da filha. “Ficamos mais em casa, que é a recomendação. Às vezes saio para comprar algo, mas é rápido, usando máscara e sempre limpando as mãos com álcool gel. Tem três dias que elas (esposa e filha) não saem porque prefiro que eu saia para resolver as coisas”, contou ele.

“Estamos apreensivos, mas também não está da forma que a imprensa está mostrando, sabe? A situação complicada mesmo é em Wuhan, onde muitos já morreram e outros estão infectados, as pessoas não podem sair da cidade para não contaminar a população. O Ano Novo Chinês teve milhões viajando, aí passou para pessoas de outros lugares. Dizem que tem sete casos suspeitos em Macau, nove em Hong Kong e por aí vai. Não estamos com medo, mas apreensivos se isso vai aumentar, até quando vai durar”, revelou o jogador, que não chegou a cogitar retornar ao Brasil para se afastar do coronavírus. Segundo ele, o governo chinês fala em uma vacina para combater a doença, devendo ficar pronta dentro de 20 dias.

Situação mais delicada vive o baiano Rafael Silva, que atua no Wuhan Zall, time principal da cidade de Wuhan, zona mais crítica em relação ao coronavírus. Mas, como a equipe teve uma programação diferente neste início de temporada, ele está fora da cidade. "O time se apresentou neste ano para começar os treinos em Guangzhou antes de vir para a Espanha, onde eu já estou (pré-temporada). Então esse ano não tive acesso à cidade de Wuhan, coisa de Deus mesmo. Mas claro que estou assustado pelo que está acontecendo", disse ele em entrevista ao portal Yahoo!. "Graças a Deus não tenho familiares que estão em Wuhan, mas me preocupo porque tenho amigos chineses que estão lá sem poder sair da cidade. Disseram que todos estão com medo de sair na rua, todos abalados. A vida está bem complicada por lá. Espero que isso se resolva logo", completou Rafael Silva, que tem o também brasileiro Leo Baptistão como companheiro de time.

O estádio Ninho do Pássaro, símbolo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Pequim-2008, está fechado para atividades. Um evento de patinação no gelo que aconteceria lá dentro das festividades do Ano Novo Chinês foi cancelado na última semana. Por falar nos Jogos, o evento volta a ser amedrontado por uma epidemia às vésperas da sua realização. Em 2016, o vírus da Zika era o protagonista e chegou a plantar dúvidas nos atletas quanto à participação. A goleira Hope Solo, dos Estados Unidos, até anunciou a desistência da disputa, mas depois voltou atrás. Astros do golfe mundial, contudo, mantiveram a decisão e não participaram da Rio-2016.

Os Jogos de 2020 não serão na China, mas no vizinho Japão, que confirmou ontem o terceiro caso da doença, levando preocupação ao Comitê Organizador Tóquio 2020 e à Associação Japonesa de Doenças Infecciosas. O Comitê Olímpico Internacional (COI) diz acompanhar o desenrolar dos casos juntos a esses órgãos e também à OMS. A Olimpíada acontece de 24 de julho a 9 de agosto, e a Paralimpíada entre 25 de agosto e 6 de setembro.

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