CR7, a máquina de fazer gols da seleção portuguesa

Amado por muitos e criticado por outros tantos, o atacante português disputará a Copa no auge de sua carreira

Cristiano Ronaldo, astro da seleção portuguesaCristiano Ronaldo, astro da seleção portuguesa - Foto: Arte FolhaPE

Poucos atletas na história do esporte despertam emoções tão distintas por onde passam quanto Cristiano Ronaldo. O português é um desses raros espécimes que reúne milhões de devotos, de admiração incorrigível, e outros tantos milhõres de detratores mundo afora. É impossível falar do craque do Real Madrid sem mencionar as críticas que tanto recebe. Tanto é que a alcunha que melhor o define foi popularizada justamente pelos seus difamadores: robozão. O termo, criado para se referir de forma pejorativa ao gajo, é ideal também para explicar com clareza suas qualidades. Afinal, se o astro luso não tem lá muita ginga e jogo de cintura, por outro lado compensa com perfeição atlética, números assustadores e precisão em praticamente todos os fundamentos do futebol. Não bastasse tudo isso, o jogador - antes contestado pelo ego imenso e sua escancarada vaidade - transformou-se em um capitão de respeito ao longo dos anos. E é por conta do excepcional espírito de liderança do atleta que Portugal aposta em fazer grande campanha na Copa do Mundo da Rússia.

Embora tenha surgido como uma grande promessa na Ilha da Madeira - pequeno arquipélago pertencente ao território português - o então jovem Cristiano Ronaldo não era conhecido por empregar sua visível habilidade em prol do coletivo. Muito pelo contrário. Em seus jogos pelo Sporting de Lisboa, clube que o revelou, o jogador já mostrava uma intensa velocidade, mas abusava das firulas e jogadas infrutíferas. Porém, como um bom vinho, o garoto melhorou com o tempo. Após um início marcado pelo individualismo no Manchester United, o português se aprimorou.

Aprendeu a bater como poucos na bola, tornou-se um dos melhores cabeceadores do mundo e transformou-se em um jogador mais eficiente do que de estilo propriamente vistoso. Chegou ao objetivo máximo de um craque na Europa. Ganhou a Liga dos Campeões do continente, o Mundial de Clubes e, merecidamente, foi eleito o melhor jogador do mundo em 2008. Não haveria como melhorar, certo? Em tese, sim. Não para Cristiano Ronaldo. Na visão do luso, impossível é um termo inútil. Após ver o não menos espetacular Lionel Messi assumir o trono do futebol, o português rumou para Madri. E foi na Espanha que tornou os seus feitos ainda mais fantásticos.

De 2009 para cá, envergando o pesado manto branco do Real Madrid, conquistou nada menos que três Ligas dos Campeões. Além disso, Cristiano Ronaldo virou uma máquina goleadora. Passou a balançar as redes de todas as formas. Concluindo de primeira, pedalando para depois bater em gol, com cabeçadas certeiras (uma especialidade do luso), de pênalti, debaixo da barra... E, sobretudo, com finalizações acrobáticas. Como pôde ser visto no incrível gol de bicicleta, que marcou contra a Juventus, recentemente. São quase 450 tentos marcados pelo gigante da capital espanhola. Não é mesmo qualquer um que vira o maior artilheiro da história do maior clube do mundo.

No entanto, para se tornar ainda maior, CR7 esbarrava num problema incontornável. Como no Manchester United e no Real Madrid ele tinha ao lado alguns dos melhores do mundo, na seleção de Portugal a situação era completamente outra. Depois da geração de Figo e Rui Costa, o artilheiro merengue virou uma estrela solitária. Por isso, nos torneios de seleções, dificilmente ia longe. Ia. Em 2016, mesmo com atletas de talento questionável ao redor, o craque conseguiu o inimaginável. Liderou a seleção portuguesa ao título da Eurocopa. Para os críticos, ainda falta ao artilheiro exibir o mesmo protagonismo em uma Copa do Mundo. Contudo, como se viu, duvidar da capacidade de Cristiano Ronaldo é um grave pecado futebolístico.

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