Da construção do Arruda a lavador de carros: Anu é querido no Santa

Há 47 anos no Santa Cruz, Gerônimo Pedro Fernandes Parada presta serviço aos jogadores, técnicos e dirigentes e ganha seu sustento no clube de coração, além de sonhar em ter um lava jato próprio

Anu está no Santa Cruz há 47 anosAnu está no Santa Cruz há 47 anos - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Há cinco décadas, Gerônimo Pedro Fernandes Parada, popularmente conhecido como Anu, ajudou a carregar cimento e tijolos para a construção do estádio do Arruda, em 1965. Daí pra frente, virou uma das figuras mais queridas do Santa Cruz. Desde a adolescência até os dias de hoje, ele tira o sustento da família lavando os carros de dirigentes, jogadores e membros da comissão técnica. São cerca de 47 anos colecionando histórias de amor do clube de coração.

Com raízes no Santa, o personagem de 60 anos recordou como começou a sua trajetória no José do Rego Maciel. Curiosamente, um dos maiores artilheiros da história do Tricolor teve participação direta. “Cheguei aqui trazendo materiais para levantar o colosso do Arruda. Logo depois, conheci Ramon e tive a oportunidade de conviver com outros tricolores apaixonados. Sempre sonhei em ter uma relação com o clube”, lembra Anu.

Natural de Recife e morador de Olinda, Gerônimo Pedro é chamado de Anu desde criança. Ele explicou o motivo. “Sou um homem negro e ganhei o apelido carinhoso por conta do pássaro preto”, revela.

Todos os dias, sem exceção, o lavador de carros oficial do Santa Cruz organiza os materiais para a execução do seu trabalho: água, sabão, lubrificante, toalha e aspirador. Humilde, ele vive em seu tímido espaço, que é o estacionamento do Arruda, lutando pela sobrevivência.

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“Prefiro não ser contratado como funcionário do clube. Faço o meu serviço sem precisar me misturar com outras áreas do clube e não reclamo de ninguém. Só quero mesmo o meu sustento de casa. O dinheiro que eu ganho é justamente para fazer a minha feira. O simples já me satisfaz. É realmente o que preciso”, declara.

Anu até pensa em abrir um lava jato no futuro, mas hoje a sua vida é dedicada exclusivamente ao Santa. “Tenho até ideias de ter meu próprio negócio, porém não tenho condições agora. Batalho para crescer e alcançar meus sonhos”, afirma.

A grande demanda deixa Anu sem controle da quantidade de carros lavados. Por outro lado, é impossível não lembrar do serviço feito nos veículos de grandes ídolos que defenderam a Cobra Coral, como Givanildo Oliveira, Fernando Veloso, Nunes, Grafite, Dênis Marques, entre outros. A vaidade dos profissionais também chama a sua atenção.

“Quando Givanildo Oliveira era jogador, eu lavei o carro dele. Isso foi na década de 70... ele estava na Seleção Brasileira. Todos os jogadores têm carros de luxo e o zelo é igual. Alguns lavam toda semana tanto por fora como por dentro”, conta.

Pai de duas filhas, ambas adultas, Anu tem o sonho de virar presidente do Santa Cruz. “Já trabalhei como marceneiro no início da minha vida e também fiz outras atividades na área de serviços gerais. Quero um dia poder comandar esse clube que sou apaixonado", pontua.

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