Ter, 10 de Março

Logo Folha de Pernambuco
jogos de inverno

De estreante a porta-bandeira: Nicole Silveira disputa segunda Olimpíada de Inverno pelo Brasil

As classificatórias do skeleton são nesta sexta-feira; em Pequim-2022 ela foi 13º lugar

Nicole Silveira em treino, em Cortina d'Ampezzo Nicole Silveira em treino, em Cortina d'Ampezzo  - Foto: Tiziana FABI / AFP

De estreante a porta-bandeira, Nicole Silveira é esperança de medalha inédita para o Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. Nona colocada no ranking mundial, a brasileira não é favorita, mas aparece na briga.

A atleta, que compete no skeleton, inicia sua jornada em Milão-Cortina, nesta sexta-feira, a partir das 12 horas (de Brasília). Será a sétima atleta a descer, de um total de 25, no Sliding Centre em Cortina d'Ampezzo. A disputa por medalhas será no sábado, às 15h35 (de Brasília). Sportv2 e Cazetv transmitirão.

Nicole, que foi porta-bandeira do Brasil na Cerimônia de Abertura em Cortina, chega à segunda edição de Jogos Olímpicos em outro patamar.

Em Pequim-2022 era estreante e mesmo assim conquistou o melhor resultado no gelo do país, o 13º lugar — o  melhor resultado geral é o 9º lugar de Isabel Clark, no snowboard cross, na neve, em Turim-2006.

Durante o ciclo Milão-Cortina, Nicole cresceu e conquistou medalhas em etapas de Copa do Mundo, tornando-se a primeira brasileira a ganhar uma medalha de Copa do Mundo em uma modalidade presente no programa olímpico de inverno.

 

Ela soma três medalhas de bronze em etapas da Copa do Mundo, além do 4º lugar no Mundial de 2025. Na última edição da Copa do Mundo, terminou com a 9ª colocação geral.

Nesta temporada, 2025/26, os resultados estão um pouco abaixo de 2024/25, quando Nicole ficou em quinto lugar no ranking.

Em sete etapas, os principais resultados foram uma medalha de bronze (na Suíça) e um oitavo lugar na Alemanha. Nas outras disputas, a brasileira ficou fora do Top-10. Em prova na pista da Olimpíada, em Cortina D´Ampezzo, terminou na 16ª posição.

— Acho que não existe um atleta que não pensa em medalha. Mas eu tento sempre focar de descida em descida e melhorar dentro de mim. Esse é o plano mental que eu tenho. A competição é comigo mesma — disse Nicole, em entrevista na Itália.

Nos treinos oficiais para os Jogos Olímpicos, no início da semana, ela ficou entre 9.ª e 15.ª, entre 25 competidoras.

— Cada dia, eu estou melhorando mais — comentou Nicole.

Disputado em formato contrarrelógio, o objetivo do skeleton é simples e desafiador: vence o atleta que somar o menor tempo combinado ao longo das descidas em uma pista de gelo. Nicole disse que na descida, o trenó pode chegar a 140 km/h:

— Parece mais inseguro do que é. O que mais acontece é bater de lado, aí machuca o ombro e a perna. Obviamente, os tombos são duros. É mais assustador assistir do que fazer — comentou a atleta, que na Itália usará o mesmo capacete, com o desenho de uma arara, lhe deu os resultados históricos tanto na última edição olímpica quanto no Campeonato Mundial de Skeleton 2025.

Porém, para brigar por resultados ainda melhores, ela chega com um trenó super moderno, que pode ser ajustado nos mínimos detalhes para dar a Nicole mais chances de uma medalha inédita para o Brasil.

Time BB
A atleta começou sua trajetória no bobsled e migrou para o skeleton em 2017. Mesmo sem se classificar para PyeongChang-2018, ela decidiu seguir na modalidade — ela tentou vaga no time feminino de bobsled do Brasil, como breaker (atleta que fica atrás do trenó e é a responsável pelo freio).

À época, a brasileira subia ao pódio de etapas da Copa América, entrou para o top 10 da Copa do Mundo e se classificou para os Jogos de Inverno de Pequim-2022. 

De lá para cá, ela se uniu à belga Kim Meylemans, líder da atual temporada do ranking da IBSF (Federação Internacional de Bobsled e Skeleton) e favorita ao ouro em Milão-Cortina. Tanto na parte esportiva quanto no lado amoroso. 

Nicole, que contou ao Globo sobre o início do namoro em 2022, está casada com Kim. E ambas criaram um time Brasil-Bélgica para treinamento. Elas unem forças e investimento para viajar e treinar.

— A gente resolveu juntar o recurso que o Brasil tem para me dar e os recursos da Bélgica para montar um time mais forte. Então, em vez de termos só ter os recursos de uma nação, temos de duas. Assim conseguimos ter nosso próprio técnico, nosso próprio equipamento, lâminas e preparador físico.

Nicole e Kim se conheceram em 2018, durante uma etapa da Copa do Mundo em Calgary, cidade em que a brasileira vive desde os sete anos.

O namoro era "mais ou menos à distância", uma vez que Nicole morava no Canadá e Kim, na Bélgica. Mas elas viajam juntas para competir e passavam boa parte do ano, durante o inverno no hemisfério norte, fora de suas casas.

Nicole, que também é enfermeira, já disputou 41 etapas da Copa do Mundo de Skeleton, alcançando o top 8 em dez oportunidades.

Ela tem seis participações no Mundial de Skeleton, sendo o melhor resultado o 4º lugar (2025), e melhor resultado do Brasil em um Mundial de esporte olímpico de inverno.

Além das três medalhas de bronze em etapas da Copa do Mundo de Skeleton (em PyeongChang e duas vezes em St. Moritz), possui oito medalhas em etapas da Copa América (6 ouros e 2 pratas), duas medalhas na Copa da Ásia (1 ouro e 1 prata) e três medalhas na antiga Copa Intercontinental (1 ouro e 2 bronzes) – além do título pan-americano em 2025. 

Veja os principais resultados de Nicole Silveira

13ª colocada nos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022, segundo melhor resultado do Brasil na história

Bronze na etapa de PyeongChang da Copa do Mundo em 2024

Bronze na etapa de St. Moritz da Copa do Mundo em 2025

6ª colocação geral na Copa do Mundo 2024/2025

Quarta colocada no Campeonato Mundial de 2025

Bronze na etapa de St. Moritz da Copa do Mundo em 2026

9ª colocação geral na Copa do Mundo 2025/2026

9.ª colocada no ranking mundial da IBSF

Veja também

Newsletter