De férias, Montanha avalia trajetória

A cada mudança de direção do olhar, que se perde pelo local, um filme passe na cabeça deste “gigante”, que hoje comemora o final de um ciclo vitorioso e já planeja o próximo com bastante entusiasmo

Projeto inovador idealizado por alunos da Escola Municipal Antônio de Brito Alves apresentou uma solução simples para um problema na comunidadeProjeto inovador idealizado por alunos da Escola Municipal Antônio de Brito Alves apresentou uma solução simples para um problema na comunidade - Foto: Divulgação

“Há 15 anos eu sonhava em vencer um Troféu Brasil. Hoje estou entre os melhores do mundo.” A frase é de Wagner Domingos, o popular Montanha. No ano em que brilhou na Rio-2016, ocasião em que alcançou uma final inédita, o pernambucano, hoje com 33 anos, ainda teve como cereja do bolo o encerramento da temporada ocupando a 4ª posição no ranking mundial do lançamento de martelo. Curtindo as merecidas férias, o lançador veio ao Recife passar o réveillon ao lado da família e aproveitou para relembrar a época em que perambulava pelo Centro Esportivo Santos Dumont, em Boa Viagem, onde deu os primeiros passos na modalidade.

A cada mudança de direção do olhar, que se perde pelo local, um filme passe na cabeça deste “gigante”, que hoje comemora o final de um ciclo vitorioso e já planeja o próximo com bastante entusiasmo.

Bateria recarregada
Vim passar o final de ano com a família e vou embora na segunda semana de janeiro, mas, ainda assim, não dei­xo de lado minhas obrigações. Continuo treinando, ao menos três vezes por semana, e também faço um pouco de trabalho físico na academia. Mas também vim aqui para ver meus parentes e amigos e, com isso, recarregar a bateria para dar início a essa nova caminhada.

Tóquio-2020 nos planos
Eu até estava conversando com Abraão Nascimento (primeiro treinador) sobre isso. Falei pra ele que, agora, nesse novo ciclo olímpico, vou ano após ano, com o objetivo de chegar a Tóquio-2020. Não penso muito em idade, procuro pensar mais em como meu corpo vai reagir.
Auge do rendimento
Sinto que estou melhorando com o passar dos anos, tanto tecnicamente, quanto fisicamente e psicologicamente, então isso tem me ajudado. Minha mente estando bem, assim como meu corpo, vou até onde der. Quero estar na minha melhor forma na próxima olimpíada, e sei que consigo.

Rotina de treinos no “gelo”
Sou casado aqui no Brasil. Minha esposa fica em São Paulo, onde moramos. Quando vou à Eslovênia fico sozinho. Acordo lá às 7h, e geralmente está extremamente frio, depois tomo café e vou treinar. O trabalho que faço é na neve. As pessoas até brincam com o fato de eu ser pernambucano, acostumado com o calor daqui, e treinar na neve. As duas primeiras semanas são muito difíceis, de muita dor nos dedos na hora das atividades, mas é questão de costume. Treino geralmente em dois períodos, de segunda a sábado. Brinco que parece o mesmo dia todos os dias. Folgo apenas aos domingos, e aí é descanso total. Geralmente passo de três a quatro meses com essa rotina.
Atleta privilegiado
Hoje eu vivo do atletismo porque tenho um clube muito grande e incentivador, que é o BM&FBovespa. Eles me dão um suporte grande, pra mim é uma referência no País. Então essa é minha realidade, mas para outros é muito difícil. Tenho amigos que treinam e precisam trabalhar, dar aulas, porque a renda do atletismo não é grande. Graças a Deus hoje vivo bem e ganho um salário bom, então fico feliz pelo apoio que tenho, mas quando comecei não tinha praticamente nada.
Caminho para mudança
Ainda há muito o que melhorar. Pernambuco é muito grande, assim como o Brasil. Deveriam olhar de forma diferente para o esporte amador e não só para o futebol. Só assim poderíamos ser uma potência na modalidade.
Experiência olímpica
Imaginava que seria muito bom, mas foi ainda melhor. Não sei descrever, foi mágico. Não esqueço do momento em que entrei no estádio, pelo túnel, e quando pisei na pista a torcida começou a gritar meu nome. Me arrepiei na hora e fiquei bastante emocionado, a alegria foi mui­to grande. O plano era che­gar a uma final e consegui. Sei que poderia e tinha condições de ter ido além, mas estou muito feliz. Foi o que Deus me deu naquele momento, só tenho a agradecer.

Agenda cheia
Pretendo ir ao Mundial de Londres, em março, para ficar entre os oito ou seis melhores. Também quero ter uma participação maior em competições internacionais. Quero me manter no top 5 do ranking mundial e aí poder pensar numa medalha em Tóquio.

Sempre visamos uma final, mas temos que focar também no pódio. Ainda não sentei com meu treinador, mas também vou disputar o Troféu Brasil e o Sul-Americano. Então essas são as três principais competições do meu calendário. Além disso, pretendo estar presente nos worlds challenges, porque elas são muito fortes.

Planos ambiciosos
É uma felicidade muito grande ver que todo trabalho e esforço vêm dando certo. Muitos não acreditavam, mas eu consegui. Pretendo bater o recorde brasileiro e melhorar esses 78,63m (Meeting de Celje, na Eslovênia). Se Deus quiser, e pelos treinamentos que estou fazendo, é possível. E aí, pretendo me manter nessa faixa. Quem sabe até estar entre os três melhores e vir a me tornar o melhor do mundo. Temos que pensar grande, essa é a meta. 

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