De Pernambuco para o mundo

No futebol local, técnicos de ponta do futebol brasileiro começaram a ganhar notoriedade na profissão

Comunicação por linguagem de sinaisComunicação por linguagem de sinais - Foto: Reprodução/Internet

Os recordes quebrados e títulos conquistados estão no lugar de maior destaque nas biografias dos técnicos de futebol. Não existe boa história sem um ápice grandioso. Mas para todo enredo é preciso um prelúdio. Embora não tenham nascido na “Nova Roma de bravos guerreiros”, alguns treinadores iniciaram a projeção nacional em Pernambuco. A partir daqui, ganharam o Brasil. No Trio de Ferro, eles tiveram o “start” que impulsionou a carreira, dando os primeiros passos rumo ao fim do anonimato e ao início do estrelato. Casos que podem servir de lição otimista para o técnico do Sport, Daniel Paulista.

Eduardo Baptista é o caso mais recente de alguém que poderia ter seu nome ligado à frase “de Pernambuco para o mundo”. Filho do técnico Nelsinho Baptista, o profissional começou trabalhando como preparador físico com o pai. Em 2014, recebeu a oportunidade de assumir o comando do Sport. A inexperiência na função foi superada com o conhecimento do elenco e do clube, no qual trabalhava desde 2012. Faturou o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste, deixando a equipe na 11ª posição do Nacional. Ainda por cima, foi listado pelo site “Coach World Ranking” como um dos 100 melhores técnicos do mundo no ano. A boa campanha levou Eduardo ao Fluminense, onde teve passagem apagada. Recuperou-se na Ponte Preta e, neste mês, foi anunciado como o novo técnico do Palmeiras, atual campeão brasileiro. Embora não tenha iniciado carreira em Pernambuco, o pai de Eduardo acabou reerguendo a carreira no Estado. Após ser rebaixado com o Corinthians, em 2007, ele veio "em baixa" para o Sport em 2008. Rapidamente, conquistou vitórias e títulos, como o da Copa do Brasil. Deixou o clube para aceitar uma proposta milionária de um clube japonês.

Antes de Eduardo Baptista, outros técnicos haviam iniciado sua trajetória vitoriosa em solo pernambucano. Após pendurar suas chuteiras, Emerson Leão ganhou sua primeira oportunidade como treinador no Sport. Lá, iniciou a campanha do título da Copa União de 1987 - Jair Picerni pegou o Rubro-Negro na reta final da competição. O profissional ainda faturou o Nacional de 2002, pelo Santos, além de levantar taças por São Paulo e Atlético/MG. Em 2000, após nova passagem pela equipe pernambucana, o treinador foi convidado a assumir a Seleção Brasileira.

Numa época em que não atravessava boa fase em sua carreira à beira do gramado, Leão voltou ao Sport no ano de 2000. O time se arrastava no Estadual em que tentava conquistar o pentacampeonato. Leão assumiu o time num sábado, diante do Central, em Caruaru, e já disse a que veio. O Leão goleou a Patativa no estádio Luiz Lacerda e iniciou uma reação que culminou com a conquista do quinto título consecutivo do Campeonato Pernambucano. No mesmo ano, o Sport foi uma das sensações do Brasileiro, contando com um ataque que tinha Nildo e Leonardo em grande fase. O time terminou a competição em quinto lugar, sendo eliminado pelo Grêmio num confronto de duas partidas. Na primeira, perdeu por 2x1, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. Na segunda, empatou por 1x1, na Ilha do Retiro, num jogo em que o árbitro paulista Paulo César de Oliveira deixou de marcar um pênalti claro no lateral Russo aos 4 minutos do segundo tempo. Até hoje, os torcedores rubro-negros reclamam da omissão do árbitro neste lance. Se o time pernambucano tivesse vencido por 2x1 teria avançado às semifinais, pois sua campanha era melhor do que a dos gaúchos.

Foi Emerson Leão, inclusive, quem indicou cinco anos depois um técnico para o Sport. Com passagens por Figueirense e Criciúma, Dorival Júnior chegou como desconhecido ao Estado. Com apenas dois anos de carreira, a contratação foi uma aposta da diretoria. O título pernambucano de 2006 foi o segundo de mais alguns que ele teria na carreira - destaque para a Série B de 2009 (Vasco), a Copa do Brasil de 2010 (Santos) e Recopa Sul-Americana de 2011 (Internacional).

Entre todos os nomes citados, quem mais deve ser grato ao trabalho em Pernambuco é Muricy Ramalho. Após passagens por times pequenos do futebol paulista, Muricy Ramalho foi contratado pelo Náutico, em 2001. Além de ajudar a quebrar um jejum de 11 anos sem títulos do Alvirrubro, o treinador virou um torcedor do clube. Ainda treinou rapidamente o Santa Cruz, antes de voltar ao Timbu para sagrar-se bicampeão em 2002 e depois seguir a carreira no Sul-Sudeste. Polêmico, sem papas na língua, Muricy marcou época no São Paulo. Foi tricampeão brasileiro (2006/2007/2008), além de ganhar mais uma vez o Brasileirão pelo Fluminense (2010). Um ano depois, ganhou a Libertadores da América pelo Santos e quase comandou a Seleção Brasileira - ele se recusou por conta de um contrato que tinha com o Tricolor Carioca. Por causa de problemas de saúde, o treinador está afastado dos gramados.

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