Debinha é promessa de craque da geração do Brasil pós-Marta

Em sua primeira Copa, ela tem dado amostras da envergadura de seu futebol a todo momento

Brasil na Copa do MundoBrasil na Copa do Mundo - Foto: Philippe Huguen AFP/

Com Debinha, 27, a atacante que desponta como a craque da geração que sucederá a de Marta, Cristiane e Formiga na seleção brasileira, os diminutivos acabam no apelido "decorrente da altura modesta": 1,58 m.

Em sua primeira Copa, ela tem dado amostras da envergadura de seu futebol a todo momento. Dribla, acelera jogadas, faz infiltrações pelas laterais que não raro desnorteiam as zagueiras adversárias.

O misto de habilidade e velocidade remete à característica de Ronaldinho, um de seus ídolos e, porque não, ao perfil de outro modelo para esta mineira de Brazópolis, o piloto Ayrton Senna (1960-1994).

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Com esses trunfos, ela espera poder pesar no jogo do Brasil contra a França, neste domingo (23), pelas oitavas de final do Mundial, e começar a reverter um retrospecto amplamente favorável para as europeias. Em sete embates até hoje, houve três vitórias francesas e quatro empates.

Do último encontro, em novembro passado, as agora anfitriãs saíram com um placar favorável de 3 a 1. Debinha reconhece as qualidades das oponentes, mas não se intimida.

Quem a viu cruzar com precisão para Cristiane ampliar a momentânea vantagem do time contra a Austrália, na segunda rodada, ou suspirou com seu quase gol de letra diante da Itália já percebeu que inibidas ficam as rivais.

A sem-cerimônia vem desde a época em que ela articulou a criação de uma equipe feminina de futsal em seu colégio, aos 13 anos. "Eu e mais quatro sabíamos jogar. As outras não curtiam muito, mas eram nossas amigas", diverte-se.

Pouco antes, Debinha chegou a integrar um time juvenil misto, no qual se destacou. Resultado: na edição seguinte, as formações com garotos e garotas foram proibidas.
Aos 14, ela passou na peneira do Santos, mas não quis cruzar a divisa estadual sozinha. A mudança acabaria ocorrendo no ano seguinte, quando ela se juntou ao elenco do Saad em Águas de Lindoia (SP).

"Minha mãe sempre pegava no meu pé", lembra a atacante, desde 2017 no North Carolina Courage (EUA). "Quando ia jogar com meninas, ela me deixava voltar para casa às 22h30. Mas quando era com meninos, precisava pedir autorização para o meu pai, que acabava deixando, desde que as minhas irmãs mais velhas fossem junto", conta.
Do Saad ela pulou para Portuguesa, Centro Olímpico (SP), São José dos Campos e, a partir de 2013, para Noruega, China e finalmente Estados Unidos, palco de uma das ligas de futebol feminino mais fortes do mundo.

A atleta, porém, não descarta voltar ao Brasil. Uma das principais fragilidades da seleção, evocada inclusive pelo técnico Vadão, é o fato de as jogadoras estarem espalhadas pelo mundo e sujeitas a calendários de treinos, competições e férias que não se sincronizam uns com os outros.

"Nós que jogamos no exterior conversamos sobre essa possibilidade de retornar e como isso ajudaria a melhorar o nível do Brasileiro, que já vem aumentando com os investimentos de muitos clubes em times femininos", afirma.

Depois de alguma insistência, Debinha aceita apontar seus diferenciais: "na velocidade, no individual e no drible, talvez eu me destaque". Porém, emenda de bate-pronto, para evitar qualquer impressão de pedantismo: "Tem muita coisa para melhorar, a começar pelo psicológico. Não é que eu sinta a pressão ou fique nervosa [por estar em uma Copa]. Isso passa no primeiro jogo. Mas acho que me falta tranquilidade na finalização, por exemplo."

De fato, há quem diga que Debinha às vezes prende demais a bola. Deve ser cacoete de quem, nas horas de lazer, tem na solidão do skate um de seus passatempos preferidos.
A França vive uma lua de mel com a torcida. Após a estreia com goleada por 4 a 0 sobre a Coreia do Sul, revistas e jornais locais dedicaram amplo espaço à seleção feminina.

A Federação Francesa de Futebol aposta no sucesso do time para impulsionar ainda mais o futebol feminino. Às vésperas do torneio, o presidente da entidade foi taxativo, em entrevista ao jornal Le Parisien: "Disse à Corinne [técnica] e às meninas que temos de chegar à final".

O fato de jogar em casa e a boa fase do time masculino, campeão mundial em 2018, aumentam a pressão sobre o grupo liderado pela zagueira Wendie Renard, 28, hexacampeã europeia com o Lyon.

Apesar do status de esteio da equipe, ela não é infalível. Fez gol contra na partida diante da Noruega que quase complica a classificação francesa e perdeu um pênalti na fraca apresentação contra a Nigéria.

No ataque, a estrela é Eugénie Le Sommer, 30, outro nome do Lyon e segunda maior artilheira da história da equipe, com quase 80 gols. As mais jovens Cascarino, 22, e Diani, 24, também demandarão atenção da defesa brasileira.

FRANÇA
BRASIL
Horário: 16h, em Le Havre, na França
Na TV: Band, Globo e SporTV

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