Deborah Hannah dá a volta por cima e está na Rússia

Aos 26 anos, campeã mundial de handebol vence lesões sérias e realiza sonho de atuar no cenário europeu

Deborah Hannah, na época em que defendia a Metodista/SPDeborah Hannah, na época em que defendia a Metodista/SP - Foto: Divulgação/CBHb

Belgrado, Sérvia, 22 de dezembro de 2013. A dois minutos e 20 segundos para o fim da decisão do Mundial de Handebol Feminino, o placar apontava Brasil 20x20 Sérvia. Caçula do time, a pernambucana Deborah Hannah, então com 20 anos, recebeu passe na esquerda, driblou a marcação e arremessou, para tensão do técnico Morten Soubak e alegria brasileira, já que o 21º gol encaminhou a vitória que valera o título mais importante da modalidade no País.

Hannah, que já vinha de atuações de destaque nas categorias de base da seleção, chegava para ficar. Mas a talentosa armadora enfrentou momentos difíceis nos anos seguintes. Teve três rompimentos consecutivos no ligamento cruzado anterior, sendo dois no joelho esquerdo e um no direito.

“Foram anos difíceis, mas de muito aprendizado, evolução e superação. Tenho orgulho de cada cicatriz, porque aprendi que quando estou fraco é que estou forte. Deus não largou minha mão hora alguma, por isso cheguei até aqui”, diz Hannah, que começou no handebol aos oito anos, no Colégio Imaculado Coração de Maria, de Olinda, sua cidade natal. Hoje, aos 26, casada, realiza um sonho interrompido lá atrás, o de atuar na Europa, onde estão as equipes mais fortes da modalidade. Ela se transferiu recentemente para o Astrakhanochka HC, da Rússia, sua primeira equipe fora do Brasil.

“Tenho uma agência/manager que toma conta da minha carreira internacional. E, como em todas as outras vezes, tive mais uma proposta da Europa. Analisei, orei, e aceitei essa. O ritmo é um pouco diferente do que estava acostumada, estou me adaptando, mas bem animada porque sei que vou evoluir como pessoa e atleta. Trabalhei muito, é um sonho antigo e só agora estou tento a oportunidade de viver. Estou bem feliz com todas as mudanças na minha vida”, diz a armadora, revelando que chegou a pensar em desistir do esporte após a segunda lesão de LCA.

“Instantes depois de acontecer tudo, já sentia que ia ter que passar por mais uma operação antes mesmo de fazer exames. E isso me deixou com um vazio enorme no peito. Estava prestes a ir para a Europa, com contrato assinado, e exatamente 10 dias antes da viagem, no penúltimo jogo da temporada no Brasil, machuquei. Meu marido me acalmou, meu pastor me mostrou um lado espiritual e eu entendi que era preciso passar por tudo mais uma vez. Me apeguei a Deus e isso me fez enxergar a vida de outra forma.”

O primeiro clube de Hannah no Brasil foi o recifense Português/Aeso, onde despontou sob o comando técnico de Cristiano Rocha, auxiliar na seleção principal e treinador das seleções de base. Foi para São Paulo, onde estão as principais equipes do País, ao lado de Santa Catarina. Lá, jogou no São Bernardo e na Metodista. “Conheci Hannah em um torneio para crianças de até 10 anos. Vi todas as colegas abanando ela, que tinha corrido bastante no jogo. Ali já dava pra perceber uma personalidade diferenciada. Trabalhei com ela depois e pude confirmar sua confiança em quadra. A prova foi o gol no Mundial, com 20 mil pessoas torcendo pela Sérvia e o Brasil com uma atleta a menos. Hannah é muito criativa ofensivamente, é bem singular. Tenho certeza que essas lesões a fizeram sofrer, mas também a amadureceram. Fora todos os títulos com o Português e o Anglo (Escolares), estive com ela em campanhas vitoriosas na seleção Junior. Tenho muito carinho por ela, torço e tenho certeza que ainda dará muitos frutos para o Brasil”, diz Cristiano Rocha.

A seleção principal mudou bastante desde a última passagem de Hannah. Algumas atletas se aposentaram e novas caras chegaram, entre elas o técnico espanhol Jorge Dueñas, ocupando a vaga deixada por Soubak após os Jogos Rio-2016. A olindense, que fora convocada para a equipe adulta ainda com idade de juvenil, nunca conseguiu ter uma continuidade na equipe, justamente por conta das recorrentes lesões. Isso já a incomodou bastante, mas hoje não tira mais seu sono.

“Eu acredito na história que Deus tem para mim, sabe? Eu trabalho forte, vivo minha vida profissional com muito foco e determinação e as coisas acontecem quando têm e se têm que acontecer. Já me preocupei muito em estar na seleção, mas entendo que seleção é consequência. Teve a mudança da comissão, que conta muito, porque cada técnico tem uma preferência por características de jogadoras. Eu estou fazendo minha parte, seja no Brasil, seja na Europa. Continuo trabalhando forte e, se for da vontade de Deus, essa hora vai chegar. Se não for da vontade Dele, amém também”, diz a jogadora.

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