Década coral foi de início promissor a fim melancólico

Tricolor ganhou cinco pernambucanos, uma Copa do Nordeste e chegou à Série A, mas retornou à terceira divisão

Tricolores esperam voltar a comemora como nos primeiros anos desta décadaTricolores esperam voltar a comemora como nos primeiros anos desta década - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A década de 2010 só se encerra no próximo ano. Para o Santa Cruz, um balanço do período deixa um sabor um tanto agridoce. Afinal, o decênio prometia ser de inúmeras glórias e um dos mais vitoriosos da história do centenário do clube. De fato, sobraram conquistas pelas bandas do Arruda. Mas, por outro lado, as últimas temporadas estiveram bem abaixo do que se esperava há alguns anos. Depois de deixar o inferno e chegar ao céu, o Tricolor voltou ao purgatório. Em suma, a Cobra Coral vivenciou uma montanha russa de emoções nesse período.

No primeiro ano desta década, o Santa Cruz vivia um dos piores momentos de sua história. A equipe estava há dois anos afundada na Série D, a última divisão do futebol brasileiro, e fazia participações modestas no Campeonato Pernambucano. Os mais precipitados chegaram a temer a falência e o fechamento do clube. Para completar, Náutico e Sport estavam na Série B e montaram fortes equipes para a disputa do Estadual. Havia muito em jogo. O Leão buscava o inédito pentacampeonato local, enquanto o Timbu lutava para evitar a conquista do rival rubro-negro.

Era o início da gestão do presidente Antônio Luiz Neto. O Tricolor vivia grave crise financeira. E parece que foi justamente quando atingiu o fundo do poço que os corais encontraram forças para reagir. Com um orçamento limitado, porém disciplinado, o Departamento de Futebol montou um time modesto, valorizando garotos da base, como o atacante Gilberto, e comprometeu-se a pagar os salários em dia. Os resultados vieram. A equipe conquistou o Pernambucano de 2011, derrotando o temido Sport na final. Levantava uma taça após seis anos de jejum.

Para completar a festa, subiu para a Série C. O bônus foi a aquisição do espaço que hoje virou o Centro de Treinamento Ninho das Cobras, em Aldeia. Chegou 2012 e o Santa Cruz tratou de provar que o sucesso do ano anterior não foi mero acaso. A equipe foi bicampeã pernambucana, com direito a nova vitória sobre o Sport na final. Desta vez, dentro da Ilha do Retiro. O ano só não foi melhor porque a equipe decepcionou na Série C e sequer chegou à fase final. Diante de um período inegavelmente vitorioso, Antônio Luiz Neto acabou sendo reeleito para mais um biênio.

Eis que veio 2013 e as coisas só melhoraram. No Pernambucano, o time ganhou o tri depois de derrotar o Sport novamente. Agora, nos dois jogos. O último foi mais uma vez na Ilha, com direito a gol do folclórico atacante Flávio Caça-Rato. Na Série C, nova festa. A equipe não só voltou à Segundona, como também foi campeã da terceira divisão. No ano seguinte, o clube comemoraria o centenário de fundação. Entretanto, nada de festa. A equipe foi eliminada pelo Sport no Estadual e no Nordestão. Na Série B, também passou longe do acesso à Primeirona.

Em 2015, tudo diferente. O Tricolor foi campeão pernambucano, batendo o Salgueiro na final, conseguiu, de forma surpreendente, contratar o ídolo Grafite, e carimbou o acesso à Série A com o vice-campeonato da Segundona. Chega, então, 2016. Parecia que o céu seria o limite. Sob o comando do técnico Milton Mendes, o Santa Cruz venceu mais um Estadual, outra vez derrotando o Sport na decisão. De quebra, levantou o título da Copa do Nordeste. Na Série A, teve início empolgante, chegando a ficar na liderança. Até que os problemas financeiros prejudicaram e o time acabou rebaixado.

Era o início de uma nova descida de ladeira. No Pernambucano de 2017, os corais ficaram em terceiro. Na Série B do mesmo ano, novo rebaixamento. Veio, então, 2018. Pouca coisa mudou. A equipe fracassou no Estadual, no Nordestão e até chegou às finais da Série C, mas não conseguiu o acesso. Em 2019, afora uma campanha razoável na Copa do Brasil, tropeçou em todas as competições. Sequer chegou perto do acesso à Série B. Agora, com reformulação no Departamento de Futebol e reparos no gramado do Arruda, o Santa Cruz sonha em retomar as glórias do início da década.

Leia também:
Santa prega cautela em montagem de nova diretoria
Dudu assina com o Goiás e deixa o Santa Cruz
Venda de Elias deve equilibrar finanças no Santa Cruz


Veja também

Cruzeiro e América-MG fazem clássico estadual na Série B
Futebol

Cruzeiro e América-MG fazem clássico estadual na Série B

Barcia quer Sport 'ligado' para voltar a somar pontos no Brasileiro
Sport

Barcia quer Sport 'ligado' para voltar a somar pontos no Brasileiro