Decisivo, Vavá virou o Leão da Copa na Seleção

Pernambucano marcou os dois primeiros gols do Brasil na virada sobre a Suécia, em 1958

O pernambucano Vavá, ex-jogador da SeleçãoO pernambucano Vavá, ex-jogador da Seleção - Foto: Arte FolhaPE

O “momento da virada” - no cinema, também chamado de “Plot Twist” - significa uma mudança radical na direção esperada ou prevista em qualquer obra narrativa. Dito isso, devaneio: não houve, na história do futebol brasileiro, personagem mais importante que Vavá. Voltem suas memórias para o dia 29 de junho de 1958. Estocolmo. Final da Copa do Mundo, na Suécia. Agora, o momento da virada: dois cruzamentos de Garrincha e dois toques de Vavá para o gol. Sim... Os tentos transformaram a parcial derrota de 1x0 para os anfitriões em consequente vitória para o Brasil. De fato, ele virou o jogo. Mas não é só isso. Aquele momentâneo 2x1 - que se tornaria 5x2 - mudou os rumos... Vavá superou para o Brasil a então resistente síndrome de vira-latas, criada por Nelson Rodrigues pós-trauma de 1950, e foi campeão do Mundo. Repetiu a dose quatro anos depois... Ah! O resto da história, recheada por mais três títulos mundiais, todo mundo já conhece.

Naturalmente, a história particular de Vavá merece destaque. Pois bem! Edváldo Izídio Neto nasceu no Recife, em 12 de outubro de 1934. A carreira no futebol foi iniciada como meia nas categorias de base do América, em 1948. Ganhou o apelido Peito de Aço pela forma briosa de atuar. Defendeu também o Íbis. Brilhou no Sport. Ainda como juvenil do Leão chamava atenção de torcedores, e até rivais. Virou profissional e, no mesmo ano, acabou campeão pernambucano de 1949. Antes de deixar a Ilha, deu o bicampeonato ao Leão. Seguiu, então, para o Rio de Janeiro. Foi tentar a sorte, e conheceu o Vasco da Gama.

Dos clubes que defendeu, nenhum outro mexeu tanto com Vavá quanto o Vasco. Virou torcedor cruzmaltino. O casamento entre o jogador e o clube aconteceu em 1952. Na equipe, experimentou atuar como atacante. Não largou mais. Tornou-se o sétimo maior artilheiro do Vasco com 191 gols. Foi tricampeão estadual. Ficou no clube até pouco depois da Copa de 1958, depois seguiu rumo para Madrid, para defender o Atlético. Retornou ao futebol brasileiro em 1961, ao Palmeiras. Também marcou história no alviverde, onde ganhou o Estadual de 1963.

O amor pelo clube de São Januário, no entanto, era dividido com o sentimento pela Seleção. Ao todo, marcou nove gols em Mundiais. Gostava de ser decisivo. Aos dois tentos anotados na final de 1958, somou outro na decisão de 1962, contra a Tchecoslováquia, que rendeu o Bicampeonato. Deixou mais três em semifinais: um nos 5x2 sobre a França, em 58, e outros dois nos 4x2 contra o Chile, quatro anos depois. Como jogador, Vavá foi um atacante oportunista. Não era um craque como os contemporâneos Pelé e Garrincha. Mas compensava a falta de encanto técnico se tornando um atleta de entrega absoluta. Certa vez, chegou a jogar com o pé quebrado. Varias outras, deixou o gramado com as chuteiras rasgadas. Por seu destemor em campo, ganhou o apelido de Leão da Copa. Depois que encerrou a carreira, se tornou treinador.

Vavá foi auxiliar de Telê Santana. A experiência como treinador não se compara com o que viveu como jogador. E coube a essa nova função render uma de seus piores decepções: Ele jamais foi convidado pelo Vasco. A saúde ficou debilitada nos últimos anos de vida. Ele morreu aos 67 anos, em 2002. Teve parada cardíaca. Depois da morte de Vavá, a família descobriu que havia dívidas a serem quitadas. Uma solução encontrada foi vender a camisa usada pelo centroavante na Copa de 1958. A CBF foi, então, procurada. Não demonstrou interesse. Assim, a peça seguiu para leilão. Em Londres ela foi arrematada por R$ 80 mil pela própria CBF. Retiradas taxas e impostos, a família recebeu pouco mais de R$ 40 mil.

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