Disparidade ininterrupta

Enfraquecidas economicamente, equipes sul-americanas veem europeus, soberanos, deitarem e rolarem no cenário internacional

As profissionais foram escolhidas por meio de seleção pública, e suas atuações contemplam todo o EstadoAs profissionais foram escolhidas por meio de seleção pública, e suas atuações contemplam todo o Estado - Foto: Hélia Scheppa/PSB

O parâmetro que define a superioridade ou inferioridade de um clu­be de futebol pode ser construído por vários aspectos. Um deles é o comparativo em termos geográficos. São Paulo e Boca Juniors são considerados potências continentais (América do Sul), mas não figuram entre as maiores do mundo.

Não chega a ser um “provincianismo”, mas as equipes sul-americanas e até as de outros locais como Ásia, África e Oceania estão abaixo das instituições da Europa. O poderio econômico e a capacidade de organização administrativa criaram essa disparidade ao longo dos anos.

Por isso é tão surpreen­dente quando um clube fora do eixo do Velho Continente consegue bater espanhóis, ingleses, italianos, entre outros. O Mundial de Clubes é um dos espaços onde o improvável ocorre com mais frequência. Mas cenas como a do Internacional vencendo o Barcelona (2006), por exemplo, estão ficando cada vez mais raras.

O argumento acima pode parecer pessimista ao observar que o Brasil ainda é o País com maior número de títulos do Mundial de Clubes (10), seguido por Argentina, Itália e Espanha (9). O problema é que essa lista inclui os torneios desde 1960, quando o formato da competição era outro. Os argentinos, por exemplo, nunca ganharam no modelo atual de disputa, iniciado em 2004 - com os campeões da Europa, América do Sul, Concacaf, Ásia, África e Oceania jogando o mata-mata.

De lá para cá, os brasileiros levantaram apenas três cane­cos, com São Paulo (2005), Internacional (2006) e Corinthians (2012), sendo esse o último título Sul-Americano no Mundial de Clubes.

Nenhum representante de outro continente foi vencedor do torneio. Há quatro anos, América do Sul e Europa possuíam 26 conquistas cada. O desempate veio em 2013, com o Bayern de Munique. Real Madrid (2014 e 2016, ao derrotar o Kashima Antlers, no último fim de semana) e Barcelona (2015) ampliaram a vantagem.

Considerando apenas as conquistas a partir de 2000, momento em que a competição passou a ser organizada pela Fifa, a Espanha é quem lidera, com seis títulos.

O Brasil aparece em segundo, com quatro. Alemanha e Itália (2), Inglaterra, Portugal e Argentina tem um cada. O Real Madrid é o maior vencedor ao todo, com cinco taças. Entre os sul-americanos, há um empate entre quatro clubes, todos com três troféus: São Paulo (Brasil), Boca Juniors (Argentina), Peñarol e Nacional (ambos do Uruguai).

Curiosamente, muitas das conquistas dos times europeus só foram possíveis graças ao talento de jogadores sul-americanos. Não é preciso ir muito longe para perceber isso. Messi foi o destaque das últimas três conquistas do Barcelona - a mais recente, com ajuda do uruguaio Luis Suárez e do brasi­leiro Neymar. Kaká foi o craque da edição de 2007, vencida pelo Milan. A expor­tação verde-amarela e dos países vizinhos acabou auxi­liando na hegemonia do Ve­lho Continente.


Veja também

Chateado, Martelotte se desculpa com o torcedor e lamenta permanência na série C
Santa Cruz

Chateado, Martelotte se desculpa com o torcedor e lamenta permanência na série C

Gestão Constantino Júnior fecha ciclo sem conquistas
Futebol

Gestão Constantino Júnior fecha ciclo sem conquistas