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Dupla de Afogados da Ingazeira realiza sonho no basquete

Diogo Juan Siqueira e Felipe Veras fizeram peneira no Recife e deixaram o Sertão para investir no esporte

Diogo e Felipe vieram para Recife com a cara e a coragemDiogo e Felipe vieram para Recife com a cara e a coragem - Foto: Arthur de Souza

O que você faria para realizar seus sonhos? Conquistar objetivos exige sacrifícios e, muitas vezes, esses sacrifícios implicam em mudanças drásticas em nossas vidas. Alguns receiam, outros arriscam. A opção é individual. Os jovens Diogo Juan Siqueira e Felipe Veras, ambos de 16 anos, escolheram apostar e, desde janeiro, se mudaram de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Estado, para o Recife com o objetivo de crescer no basquete. Os meninos treinavam na Escolinha Basquete Sertão, em Afogados, e, através das redes sociais de uma amiga, souberam da realização de uma peneira da Associação Adrianinha de Basquete. Decidiram arriscar e chamaram a atenção da ex-armadora da seleção brasileira e do seu marido, também técnico, Rinaldo.

Aprovados, ganharam bolsa para estudar no Colégio Anglo, mesmo caminho trilhado pela amiga que levou a oportunidade até eles, Vanessa. Também natural de Afogados, ela está no Recife há mais de um ano. A diferença é que a família de Vanessa também veio para a Capital, enquanto os meninos estão experimentando a responsabilidade de morarem sozinhos. Diogo e Felipe dividem um apartamento alugado pelas suas famílias, na Boa Vista, onde mora ainda um primo de Diogo. Como o dia é praticamente todo preenchido de atividades, entre aulas e treinos, as tarefas da casa são bem definidas. Diogo cozinha, Felipe lava os pratos e o primo de Diogo fica responsável pela arrumação geral. Está dando certo. “Sempre tive que me virar em casa porque meus pais passavam o dia na rua, então sei cozinhar. Cozinho bem”, conta Diogo, que tem como carro-chefe do menu o macarrão.

Alguns meses mais velho que Felipe, ele tem uma bagagem maior do que o companheiro de treinos e de moradia. Diogo está em sua terceira participação nos Jogos Escolares de Pernambuco (JEPs) e já viveu a experiência de morar longe da família antes. No ano passado, ele, que estudava na Erem Mosenhor Antônio de Pádua Santos, em Afogados da Ingazeira, fez um teste para jogar no Colégio Agnes e passou cerca de sete meses no Recife. A perda precoce do pai, vítima de um infarto fulminante, contudo, fez com que retornasse à terra natal. Agora Diogo está de volta e, embora a dor seja inevitável, a perda do pai se tornou combustível.

“Depois que perdi meu pai, vi que precisava me esforçar mais. Agora somos só eu, minha mãe e meus irmãos (dois, ambos mais velhos, sendo um por parte de pai). Estar aqui, ter essa oportunidade, é uma coisa boa, mas é também dolorosa”, diz Diogo, que atua como ala-pivô. Do alto do seu 1.89 metro, ele já havia chamado a atenção de Rinaldo antes mesmo da peneira. “Diogo já se destacava no Agnes, então não pensei duas vezes na oportunidade de dar a bolsa para ele”, conta o técnico.

“Felipe veio fazer o teste junto com Diogo e se destacou também. Ele nunca tinha jogado aqui, foi mais difícil a adaptação, mas é um atleta que tem fundamentos, mostra mobilidade e é inteligente em quadra”, diz Rinaldo. Felipe trocou o futsal pelo basquete há cerca de dois anos, motivado por amigos da Escola Monteiro Lobato, de Afogados. Passou, então, a treinar na Basquete Sertão, mesma escolinha que Diogo, onde se sentiu estimulado a investir na nova modalidade. “O professor disse que eu tinha potencial e me apoiou muito. Foi bem difícil começar do zero em um novo esporte, mas sempre tive mais habilidade com as mãos do que com os pés”, conta ele, que treinava como ala no Serão e, agora, atua na posição de armador.

Pode até ser que o futuro dos meninos não esteja na quadra. Mas, quando deram esse passo, eles caminharam não só em direção ao que o esporte pode lhes ofertar. “Se eu crescer no basquete, ótimo, mas é preciso ter uma segunda opção caso isso não aconteça. Em termos gerais, o esporte ensina muito e também abre portas”, diz Diogo, que está no terceiro ano do ensino médio e pensa em prestar vestibular para arquitetura. Felipe ainda está no segundo ano e não tem definido o curso que deseja fazer. Sabe, porém, valorizar a oportunidade que está tendo. “Minha primeira opção é o basquete e, se não der para ser profissional no esporte, buscar oportunidades de estudo através dele, como bolsista em universidade. A saudade por morar longe é difícil, mas não posso abrir mão do meu sonho. Tem que aguentar.”

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