Elo que une críticos e apoiadores de Fidel

Influenciado pelo revolucionário, esporte cubano alcançou o apogeu, porém não conseguiu se manter no topo

Elo que une críticos  e apoiadores de FidelElo que une críticos e apoiadores de Fidel - Foto: 20/ 11/2016

 

As opiniões sobre a figura de Fidel Castro nunca foram unânimes. Para alguns, ele era um ditador cruel. Para outros, um revolucionário e herói do povo. É quase impossível existir um veredito que fique no meio termo dessas duas visões sobre o homem que comandou Cuba por décadas. Mas existe algo que une críticos e apoiadores do político de 90 anos que faleceu no último sábado: a forte influência de Fidel no esporte do país.
Para os brasileiros, a maior lembrança envolvendo Fidel Castro é a dos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 1991. Foi ele que entregou às atletas da seleção brasileira feminina de vôlei a medalha de ouro. Detalhe: a equipe verde-amarela derrotou justamente as donas da casa na final. A presença de Fidel foi um retrato de como o esporte era uma das prioridades durante o período que governou a Ilha.

Como toda história, é preciso contar o início. Em 1959, ao assumir o poder em Cuba, Fidel percebeu que poderia fazer do esporte um dos “carros-chefes” do país. Dois anos depois, ele criou o Instituto Nacional de Esporte, Educação Física e Recreação. A intenção era fazer a atividade deixar de ser exclusiva da classe média alta, introduzindo várias modalidades no cronograma escolar.

Antes de Fidel, Cuba tinha apenas 13 medalhas olímpicas na história, 12 delas conquistadas por Ramon Fonst, na esgrima. Um cenário que mudou, principalmente, nos anos 1970. Na Olimpíada de Montreal-1976, a Ilha faturou, em apenas uma edição, a mesma quantidade que tinha anteriormente. Um ano antes, no Pan da Cidade do México, em 1975, os cubanos levaram 134 medalhas para casa, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (247) na classificação geral.

O auge de Cuba foi nos Jogos Olímpicos de Barcelona-1992 - o país boicotou as Olimpíadas de Los Angeles-1988 e Seul-1984 por conta de divergências políticas. A delegação ficou no quinto lugar geral, terminando com o recorde de 14 ouros.

Com o fim da União Soviética, em 1991, Cuba perdeu parte do investimento destinado ao esporte que as nações comunistas recebiam. E como a prática profissional do esporte havia sido abolida, muitos atletas preferiram deixar a terra-natal, buscando oportunidade em outros locais. Os desertores eram proibidos de defender o país, levando à queda no desempenho das seleções.

De potência que acumulou conquistas em modalidades como atletismo, boxe, basquete, beisebol, ginástica e vôlei, Cuba voltou a ser novamente uma coadjuvante. Nos Jogos Rio-2016, foram apenas 15 medalhas, ocupando a 18ª colocação geral.

Fidel “atleta”
O amor de Fidel à prática esportiva não surgiu apenas da admiração alheia. O político tinha certo talento no futebol e, segundo reza a lenda, o cubano foi sondado pela MLB, liga de beisebol nos Estados Unidos. Embora tivesse bom arremesso de bola curva, o acerto não foi consumado. Sem falar que o ex-comandante jamais aceitaria atuar em solo norte-americano. Antes de se enveredar na política, Fidel também praticou basquete na Universidade de Havana.

A dor de Maradona com morte
O astro do futebol Diego Maradona chorou ao ser notificado da morte do líder cubano Fidel Castro, “o maior” e como “um segundo pai” para o ex-jogador argentino.
“Me ligaram de Buenos Aires e foi muito chocante. Acabei caindo em um choro terrível, porque ele foi como um segundo pai para mim”, declarou Maradona à imprensa presente na Arena Zagreb, onde o ex-craque se encontra para assistir à final da Copa Davis de tênis entre Croácia e Argentina.

A amizade entre os dois começou em 1987, um ano depois que a Argentina venceu a Copa do Mundo no México, com ambos se tornando ainda mais íntimos nas décadas seguintes. Em um dos encontros, Maradona entrevistou Fidel para um programa de televisão que apresentava na Argentina.

O eterno camisa 10 da Alviceleste tatuou a imagem do revolucionário na panturrilha esquerda, época em que viveu quatro anos em Cuba nos anos 2000, quando buscava tratamento para vício em drogas.

O ex-craque argentino também lembrou que, durante sua estada em Cuba, Fidel costumava chamá-lo por telefone cara conversar sobre política, esportes e até para apoiá-lo na luta contra o vício.

“É a lembrança mais bonita que me resta”, disse Maradona à televisão argentina, afirmando que, depois da final da Davis vai viajar para Havana para assistir às homenagens a Fidel.

 

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