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Em carta de renúncia, Milton Bivar fala em "missão cumprida", dois meses após reeleição

Presidente do Sport destacou feitos de sua gestão e cita questões de saúde como determinantes para a renúncia; Conselho Deliberativo do clube vai convocar novas eleições

Milton Bivar, presidente do SportMilton Bivar, presidente do Sport - Foto: Anderson Stevens/Sport

Após dois meses da reeleição, em uma disputa histórica e acirrada, Milton Bivar decidiu renunciar ao cargo de Presidente do Sport. Em contato com a reportagem da Folha de Pernambuco, Milton informou que a renúncia será oficializada nesta terça-feira (15).

Em uma carta entregue ao Conselho Deliberativo, o mandatário rubro-negro cita preocupação com questões de saúde como determinantes para a decisão, além de destacar feitos da gestão e os sentimentos de "coração partido" por deixar o clube e "missão cumprida", pelos feitos no cargo. Uma nova eleição deverá ser convocada pelo Conselho Deliberativo do clube.

O estatuto do clube prevê a realização de novas eleições, em caso de renúncia do presidente, antes da metade do mandato (um ano). O cargo, agora, passa para o vice, Carlos Frederico, que assume provisoriamente. Frederico já havia exercido o cargo anteriormente, quando Milton se licenciou da presidência, em novembro de 2020.

Confira a carta de renúncia:

Eleito que fui em dois mil e dezoito com a missão de sanear o clube após a passagem de um tsunami administrativo que abalou o Sport em todos os setores, em especial o financeiro, me deparei com o estado de pré-falência. Estávamos na Série B com o elenco reduzido, patrimônio entregue às baratas, vários atletas em condição de vulnerabilidade contratual, inclusive os da base, podendo sair a qualquer hora, o que de fato aconteceu com vários.

Um mar de dívidas de curto prazo, sem credibilidade alguma junto aos clubes e agentes do país inteiro. Contratos absurdos feito com vários jogadores, tais como Rithely, Ronaldo Alves, Rogério e tantos outros.

Quatro meses de salários atrasados dos funcionários e atletas. Iniciamos uma missão hercúlea de saneamento do clube. A princípio, tomamos como meta a volta à Série A, elite do futebol brasileiro, onde teríamos como auferir maiores receitas. Conseguimos.

Fomos vice-campeões brasileiros voltando para a Série A.

Já na série A, tomamos como meta a nossa permanência, mas com muito cuidado com nossas receitas, para que pudéssemos também pagar uma infinidade de dívidas. Conseguimos. Mais uma vez, pagamos mais de R$ 50 milhões de dívidas, tais como, a Globo, Sporting de Lisboa, CNRD, 12ª Vara, tudo isso, mesmo com a chegada da pandemia, que nos causou enormes prejuízos.

Tudo isso me faz lembrar de 2007, 2008, quando conseguimos vários títulos, como a Copa do Brasil, maior crescimento patrimonial da nossa história recente, o que nos deu condições para aquisição do nosso centro de treinamento e muitas outras ações.

No campo administrativo, conseguimos zerar praticamente todo nosso passivo trabalhista, sem que tivesse, durante nossa gestão, uma única ação trabalhista.

É importante frisar que nunca fizemos adiantamento algum durante nossas gestões, em especial cotas de televisionamento junto a Rede Globo.

De repente me deparo com problemas de ordem política, com o clube dividido, palanques não desarmados com críticas diárias, faltando-se até com respeito em certas ocasiões.

Tudo isso atingindo todos os setores do clube, até mesmo o nosso futebol. Estamos perdendo nossa identidade, nossa tradição de lutarmos incondicionalmente pelo crescimento do clube em detrimento de projetos pessoais. Confesso, humildemente, que, devido a vários motivos, dentre os quais, cuidar da minha saúde, pois não contava com essa volta da pandemia, que, agora, inclusive, veio de uma forma até mais agressiva. E mesmo assim, eu vinha me arriscando diariamente no exercício da presidência.

Após se passarem dois anos e quatro meses, saio com o coração partido, com o sentimento que poderia ter feito mais, porém com a sensação de dever cumprido.

Deixo o clube mil vezes melhor do que eu encontrei. Um elenco pronto, faltando alguns detalhes para fazermos um Brasileirão decentemente, uma base estruturada, com todos os atletas amarrados com contratos, um patrimônio grande de jogadores promissores, como os que estão no profissional e nas demais categorias.

Temos mais de quinze jogadores emprestados em parceria com grandes clubes do futebol brasileiro, com alguns já se destacando bastante, o que, com certeza, nos darão em breve retorno financeiro para que possamos dar continuidade nessa missão de recuperação do nosso clube, e para que nosso legado não se perca no meio do caminho também.

Por fim, quero agradecer, de coração, a todos que participaram dessa missão. Funcionários, diretores vice-presidentes e vários amigos que nem sequer tinham cargos. Tenho a certeza que sem o trabalho responsável, com a dedicação e amor que vocês têm pelo clube, jamais nossos objetivos seriam alcançados. Pelo Sport tudo.

Milton Caldas Bivar.

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