Embora preocupante, lesão de Jesus tem certa "vantagem"

Copa mostra que chegar mais descansado, sem participar de parte da maratona europeia, pode ser bom negócio

Gabriel Jesus é uma das esperanças de gols do BrasilGabriel Jesus é uma das esperanças de gols do Brasil - Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O dia 31 de dezembro passado não foi exatamente de festa para todos os brasileiros. Em Londres, horas antes da virada de ano, Gabriel Jesus se contundia - sozinho - no confronto Crystal Palace x Manchester City. Deixava o campo chorando. Com razão. A menos de seis meses para a próxima Copa do Mundo, a Seleção Brasileira corria risco de perder o seu homem-gol. E o garoto revelado no Palmeiras mostrou-se o único a corresponder ao papel de centroavante da Amarelinha à altura. No entanto, o destino não foi tão cruel. Em cerca de alguns dias, o jogador voltará a campo. Uma lesão às vésperas de um Mundial pode até preocupar, pela falta de ritmo. Por outro lado, esconde uma certa "vantagem". Afinal, edições anteriores do torneio mostram que chegar mais descansado, sem participar de parte da extenuante maratona de jogos europeu pode ser mesmo um bom negócio.

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O próprio Brasil já foi beneficiado por lesões ocorridas pouco antes de uma Copa. Em 2002, o time comandado por Luiz Felipe Scolari chegou sob inúmeras desconfianças. Ronaldo "Fenômeno" vinha de duas graves lesões no joelho direito (em 1999 e 2000). Para piorar, era preterido pelo técnico da Internazionale, o argentino Héctor Cúper. Na temporada pré-Mundial, não tinha feito sequer 20 jogos com a camisa da Inter de Milão. Seu parceiro de equipe, Rivaldo, não tinha sofrido traumas drásticos, mas também era uma incógnita. O pernambucano passou o primeiro semestre de 2002 com uma inflamação no menisco do joelho direito. Entrou em campo 33 vezes pelo Barcelona. Sua média na Espanha era de quase 50 partidas por temporada. O final todos sabem. A dupla, fisicamente preservada, arrebentou nos gramados asiáticos e levou o Brasil ao pentacampeonato.

E se o Brasil foi privilegiado por chegar em um Mundial com atletas menos desgastados, por outro lado já sofreu com esse fator. Em 2006, Zinedine Zidane faria sua despedida na Copa da Alemanha. O maestro francês não vinha em grande fase. Atormentado por contusões, tinha atuado em 38 duelos pelo Real Madrid. Detalhe: sua média no clube merengue era de 47 confrontos por temporada. Não deu outra. O craque foi o grande nome da Copa daquele ano, destroçou a Seleção Brasileira em uma atuação inesquecível e por muito pouco não ficou com o título. Outro carrasco brasileiro também chegou a Copa sem esgotamento físico. O italiano Paolo Rossi tinha ficado dois anos afastado do futebol - em punição por envolvimento com apostas. Voltou a jogar pouco antes da Copa de 1982. Massacrou o Brasil com três gols, foi o artilheiro, campeão e grande nome daquele mundial.

A relação entre desgaste físico e alto desempenho no Mundial pode até ser uma mera coincidência. No entanto, o rendimento do craque da última Copa ajuda a reforçar o benefício que é chegar descansado no principal torneio do futebol. Lionel Messi desembarcou no Brasil com 46 jogos disputados pelo Barcelona na temporada. Um número alto, de fato. Porém, o argentino não atuava tão pouco pelo Barça desde 2007/08, quando disputou 40 partidas. Entre 2009 e 2013 sempre esteve em mais de 50 embates com a camisa do clube catalão. O resultado disso? Acabou eleito o craque da competição e carregou uma enfraquecida Argentina até a final. Faltou a taça, mas teve o seu melhor desempenho individual na história do certame. Portanto, em virtude do histórico, a lesão de Gabriel Jesus pode até ser vista com bons olhos. Desde que, claro, ele não entre para o temido time dos cortados pré-Mundial.

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