Santa Cruz

Entre contrariedades discursivas, Santa Cruz explica obras na fachada do Arruda

Trabalho de raspagem da pintura antiga foi iniciado. Clube segue sem previsão para o início das obras estruturais

Ideia da cúpula coral é que ao menos a pintura saia do papel nas próximas semanasIdeia da cúpula coral é que ao menos a pintura saia do papel nas próximas semanas - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Na margem de quase dois anos de idas e vindas, as obras na fachada do Arruda foram iniciadas. Mas o que foi feito até então? Antes sob supervisão da Prefeitura do Recife, o clube realizou uma vistoria analítica sobre a estrutura externa do estádio e concluiu que a fachada precisa ser reestruturada, sendo essa uma obra de grande porte e, consequentemente, volume financeiro. Por conta disso, ainda na etapa inicial do processo, a ideia da cúpula coral é que ao menos a pintura saia do papel nas próximas semanas, se possível, antes do retorno do Campeonato Pernambucano.

Por outro lado, não existe previsão para efetivamente o clube dar o pontapé inicial nas obras estruturais. Em entrevista à Folha de Pernambuco, o diretor do departamento de marketing do Santa Cruz, Guilherme Leite, explicou o que já foi feito e como o restante do processo, que ainda é uma incógnita, deve acontecer.

“A fachada do Arruda é de responsabilidade da Patrimonial. O material da Pamesa sempre esteve disponível desde o primeiro dia de parceria, inclusive uma parte foi utilizada na reforma dos vestiários, e o da fachada segue à disposição do Santa. A frente do Arruda foi descascada toda para poder fazer a análise estrutural e viu-se que existia a necessidade de uma obra estrutural para poder colocar todo o revestimento. Foi tomada a atitude de fazer a escora para não ter risco de ceder e precisa ser feita uma obra de recuperação estrutural para poder fazer a aplicação do revestimento”, introduziu.

De acordo com o dirigente, o primeiro passo antes do início das obras de reestruturação será voltado à pintura da capa coral, com previsão de que o Arruda comece a receber visual novo antes do retorno do Estadual, projetado pela FPF para julho. A intenção é deixar a área externa do estádio ao menos apresentável.

“Revestimento é extremamente pesado, não podemos simplesmente chegar lá e colocar o revestimento quando precisamos de uma obra estrutural, porque corre o risco de cair. O que vai ser feito a curto prazo: primeiro, uma pintura enquanto não se faz a obra. A gente está correndo atrás de pelo menos esteticamente deixar a fachada bonita, até para tirar aquele aspecto de coisa destruída que está”, disse.

“Muito provavelmente durante as próximas semanas”, respondeu quando perguntado sobre a previsão de início da pintura. “A gente espera que, quando os jogos voltarem, já tenhamos pelo menos uma parte pintada enquanto não se tem a condição de fazer a aplicação do revestimento. É uma obra extremamente cara”, completou.

Além da pintura, a fachada tricolor conta com detalhes luminosos de mental e letreiros do escudo e nome do clube. Também estampa a placa com a marca da Cobra Coral, loja oficial do Tricolor. Para seguir à risca o formato de design escolhido pela torcida em outubro de 2018, Guilherme disse que o Santa Cruz está fazendo um estudo de orçamento, na tentativa de viabilizar os materiais, estando o departamento de marketing à frente especificamente dessa etapa. A ideia, caso o clube consiga viabilizar os letreiros e a placa, é que, mediante autorização técnica da equipe de engenharia, o material seja aplicado sobre a pintura. “Pintando e colocando os letreiros luminosos não teremos o projeto definitivo, mas, pelo menos, melhora bastante o aspecto da entrada do clube”, finalizou.

Contrariedades discursivas

Teoricamente, todas as obras, reformas e construções no estádio José do Rego Maciel deveriam ser conduzidas pela Comissão Patrimonial do Santa Cruz, poder independente do clube, segundo o estatuto vigente. Na prática, não é dessa forma que acontece, a exemplo da própria reforma da fachada, que está sendo coordenada pelo executivo. Para entender se existe um motivo específico para isso, a reportagem tentou contato via mensagem com o presidente da Patrimonial, Ricardo de Paula, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta. A mesma pergunta foi feita ao executivo, que inicialmente afirmou não saber as razões, indicando ainda que “o clube é um só. A gente vai se ajudando”.

O comandante coral, Constantino Júnior, contou o que o clube esperava das obras e, na prática, o que aconteceu. “Não é só chegar lá e revestir. É uma situação que tem que se cuidar primeiro por baixo para poder colocar o revestimento, porque a gente esperava mexer um pouco, mas não uma renovação complexa”, disse, afirmando o interesse do Tricolor em buscar parcerias para a condução da reforma.

O prejuízo substancial nos cofres do Arruda causado pela pandemia do novo coronavírus bateu na porta de todas as comissões e departamentos do clube. Tão como a Comissão Patrimonial, a presidência coral também enfrenta dificuldades financeiras, inclusive para pagar os salários dos integrantes do departamento de futebol, funcionários e colaboradores. Segundo o mandatário coral, as prioridades, nesse sentido, foram estabelecidas.

“Nossa prioridade é fazer o máximo com o mínimo de recursos possível. Mas a pandemia parou tudo. Só faz pagar os salários. Não é que eu não esteja preocupado (com a fachada). Mas infelizmente aconteceu essa pandemia, parou muita coisa, e certamente já teríamos acabado essa obra. Infelizmente, mudaram-se os planos, e a gente tem que correr atrás, porque nossa prioridade é canalizar as receitas com os salários. Mas não vamos deixar de dar atenção (às obras), como a gente tem feito com tudo. Agora, é questão de eleger prioridades e colocar dentro de todas as dificuldades o que a gente pode numa obra”.

Para saber detalhes técnicos da reforma, assim como o montante que deve ser destinado à obra e previsão de início e término da reestruturação, a reportagem entrou em contato com a equipe de engenharia, cujo executivo disse estar por dentro dessas minúcias. No entanto, não recebemos o retorno até o fechamento da matéria.

Entenda os últimos dois anos

Cerca de cinco meses antes da votação de escolha da nova fachada, em 2018, o Santa firmou uma parceria com a Pamesa, empresa de cerâmicas e porcelanatos. A ideia era que a empresa custeasse a maior parte da reconstrução em troca de mídia. A Pamesa, então, desembolsou cerca de R$ 380 mil em materiais para o início da mudança no visual do Arruda. A expectativa era que a fase preliminar da mudança na área externa do Arruda tivesse acontecido no mesmo ano em que a escolha do design da fachada foi feita.

No ano seguinte, em conversa com a Folha de Pernambuco, Tininho, no entanto, informou que o valor da obra deveria ultrapassar o esperado, justamente por se tratar de uma recuperação estrutural e não somente da aplicação do revestimento. Além disso, o clube ressaltou que precisaria de autorização da Prefeitura do Recife para o início das obras.

No final de 2019, com os procedimentos de reforma do gramado do estádio, junto ao anúncio da pintura dos setores das arquibancadas, o Santa Cruz enxergou no momento a oportunidade de reacender o debate sobre o início da reforma da fachada coral. Dirigentes e a equipe de engenheiros à frente das obras chegaram a se reunir para discutir as entrelinhas da reestruturação. No período, de acordo com o relatado pelo mandatário tricolor, a nova previsão era que as obras fossem tocadas no início de 2020.

A escolha do modelo da fachada que deve estampar o Mundão foi feita por mais de 8 mil torcedores, através de votação nas redes sociais do clube, em outubro de 2018. A frente selecionada é revestida nas cores tricolor e conta com luminosos de metal, com destaque para o letreiro com o nome e o escudo da Cobra Coral, além da placa da loja oficial da agremiação. Partes, hoje, apagadas.

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