Especialistas defendem medidas integradas contra organizadas

Autoridades no combate à violência das torcidas organizadas argumentam que só uma atuação conjunta entre órgãos atenuaria o problema

Principais torcidas organizadas locais vão aos estádios sob escolta da PolíciaPrincipais torcidas organizadas locais vão aos estádios sob escolta da Polícia - Foto: Jedson Nobre/Arquivo Folha

As principais torcidas organizadas do Estado não podem mais frequentar os estádios locais há um bom tempo. Cinco anos atrás, a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), por unanimidade, negou os recursos da Inferno Coral (do Santa Cruz) e Jovem (do Sport) e manteve em vigor a decisão liminar da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que proíba o acesso delas e da Fanáutico (do Náutico) nas casas dos clubes pernambucanos. Mesmo assim, as uniformizadas seguem reconhecidas como sinônimo de confusão, pois os casos de violência relacionados a elas não cessaram.

Embora aconteçam com menos frequência dentro dos estádios, ainda ocorrem nos entornos e até a alguns quilômetros de distância das arquibancadas. De acordo com peritos no assunto, o problema é de difícil resolução. Para completar o cenário, a legislação não é exatamente severa em punições referentes a casos do tipo. Ainda assim, o transtorno poderia ser atenuado. Para isso, contudo, seria preciso uma atuação conjunta entre todos os envolvidos na realização de jogos de futebol e as autoridades de segurança.

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"Na minha visão, a lei não é forte. É uma lei que tenta reeducar, ressocializar. E fora dos estádios não tem que tratar dessa ressocialização porque os crimes são muito graves. Tem que levar para a Central de Flagrantes. É uma visão que eu tenho no momento e que eu vou trabalhar nisso aí, com toda a certeza. É uma pena que nós não possamos modificar nossas leis", lamenta José Bispo, promotor do Juizado do Torcedor.

"Antes dessa proibição das organizadas, havia muita briga dentro do estádio, muita. Hoje não tem tanta. Outra coisa: a decisão proíbe os clubes de contribuírem com as torcidas organizadas. E é preciso que haja um compartilhamento de todos os órgãos envolvidos. Não adianta você ter dois ou três órgãos trabalhando e os demais não. Mas houve benefícios, sim (com a proibição das principais organizadas). Poderia estar bem pior. Agora o que me preocupa muito é a violência nas imediações dos estádios e até a 5km deles. Será que a polícia tem condições? Condições têm que aparecer. Se não aparecer a gente tem que usar o que tem em mãos. Se a gente não pode correr, a gente anda, contanto que tomemos medidas fortes", opina.

Doutor em sociologia dos esportes, Maurício Murad adota discurso semelhante."O problema da violência das torcidas é muito complexo e tem vários links com a violência geral da sociedade brasileira e que por isso precisa de uma tentativa de solução também complexa, que inclua uma relação intersetorial entre as polícias, a Justiça, as federações, os clubes, e que exige medidas que deveriam ser de caráter permanente, aprofundadas em bases científicas", considera.

"A partir de 2012, o Brasil assumiu o primeiro lugar em mortes de torcedores, porque Itália e Argentina tomaram medidas de caráter global, de Estado. Precisamos de um plano estratégico nacional, que venha de Brasília, que articule o País todo, com medidas integradas e simultâneas de curto, médio e longo prazo. Medidas de caráter repressivo, preventivo e reeducativo, que poderiam garantir a presença pacífica nos Estados e com uma rigorosa punição aos transgressores. A polícia tem que ocupar as redes sociais, a lei permite que se monitore e fiscalize meios eletrônicos, postais, telefônicos, para desmontar esses grupos delituosos que estão nas torcidas para cometer os seus ilícitos", aponta.

 

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