Etiene Medeiros é homenageada no hall da fama de PE

Pernambucana é um dos destaques da história da natação feminina brasileira, com conquistas de grande expressão

Etiene Medeiros assina no Espaço Pernambuco ImortalEtiene Medeiros assina no Espaço Pernambuco Imortal - Foto: Marlon Diego/Divulgação

Reconhecimento. Palavra que motiva, impulsiona. Foi assim que a pernambucana Etiene Medeiros, de 28 anos, se sentiu nesta terça-feira (27), quando foi homenageada, ao lado dos pais e do irmão, Jamison, e passou a integrar o Espaço Pernambuco Imortal, espécie de hall da fama do esporte estadual. Um reconhecimento pelo trabalho e dedicação da nadadora, multicampeã e finalista olímpica nos Jogos Rio-2016.

“Me senti muito feliz e realizada em ver todo esse reconhecimento. Foi um momento muito especial porque eu nunca havia feito algo do tipo. Você está fixando uma história. Pernambuco é berço de muita gente forte, que tem potência para estar entre os melhores do mundo. Fiquei muito feliz e grata. Acho que esse é o sentimento, gratidão”, disse Etiene.

Viver esse momento, ver todos os feitos exibidos em um painel, gerou nostalgia na atleta. Mas, entre as tantas coisas marcantes que natação lhe deu, engana-se quem pensa que a recordação mais especial é de algum pódio. “Me lembro de quando era muito nova e treinava com os mais velhos (pelo fato de já ter resultados bons) e de tudo o que eles ensinaram. E a gente era ‘sim, senhor. Não, senhor’. A gente dava importância aos valores do esporte, respeito, responsabilidade, união. E foram esses valores que me trouxeram até aqui”, contou ela.

Hoje, no papel de veterana, é Etiene quem tem essa missão de ajudar a passar valores para os mais jovens, mas com cuidado para não deixar o peso do que já realizou se tornar cobrança ante o que ainda está a buscar. “Sei o que representa Etiene Medeiros para natação, para o esporte, para o Brasil. E isso gera responsabilidade. Se hoje eu tenho peso de representatividade, eu tenho que saber administrar. A minha base familiar me ajuda muito”, disse ela, que é crítica da abordagem do esporte no Brasil. “A cultura brasileira é difícil. Você ganha uma medalha aqui, mas se não vai bem na próxima competição, não é boa. ‘Ah, não tem medalha olímpica? Não presta’. Gosto de colocar as pessoas para refletirem sobre isso.”

A passagem de Etiene pelo Recife, como tem sido nos últimos anos, foi relâmpago. Após um ritmo puxado que envolveu Mundial de Gwangju e Pan de Lima, ela teve 11 dias de férias. Ficou alguns deles em São Paulo, onde mora, depois visitou o arquipélago de Fernando de Noronha e, por fim, deu uma passadinha no Recife. “Noronha hoje é a minha segunda casa, é onde ando descalça. A minha rotina como atleta é muito pesada, então lá eu descanso. E, se passar mais de cinco dias no Recife, quero ficar pra sempre”, confessou.

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Etiene volta para São Paulo nesta quarta (28), para iniciar uma nova maratona, agora com os compromissos do segundo semestre. No começo de outubro tem Mundial Militar, na China. Depois, ela segue para um período de treinos em Barcelona antes de disputar as etapas da Copa do Mundo em Kazan, na Rússia, e Doha, no Catar, lugares que remetem a excelentes memórias. Doha recebeu o Mundial de piscina curta de 2014, enquanto Kazan foi sede do Mundial de longa no ano seguinte. Em ambas as edições, Etiene foi ao pódio.

O olhar, no entanto, já dá sinais de mirar mais longe, mais precisamente em abril de 2020, mês da seletiva que definirá a delegação brasileira para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Terão vaga automática aqueles que alcançarem o índice “A”, respeitando o máximo de dois atletas por País. Depois entrarão os atletas dos revezamentos, os sem índice, mas classificados pelo sistema de universalidade, e, por fim, os com índice “B”.

Manter-se firme no trabalho diante do momento complicado que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos vive já há alguns anos, porém, não é tarefa fácil. “O momento deve ser um dos piores. A confederação está sem chão, literalmente. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) é que está dando um sustento a natação. Não é fácil lidar com isso e estar ao mesmo tempo em busca de um índice olímpico. Eu sou lisonjeada por estar em uma instituição que me dá imenso apoio, que é o Sesi/SP. Entre os atletas a gente se comunica, mas não é fácil lidar com pessoas, cada um tem uma opinião. Tem atleta que levanta bandeira política. Eu estou fazendo a minha parte, que é continuar trabalhando, levantando a bandeira do Brasil. O que eu cobro é que cada um faça o seu papel. Fomos enganados pelo presidente Miguel (Cagnoni), que sentou, conversou e não fez nada. Quando tenho contato com alguém da confederação, o que eu peço é que façam o seu trabalho”, pontuou.

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