Ex-atleta, Fabiano Melo hoje ensina vôlei de praia

Aos 44 anos, pernambucano diz que a função de professor lhe garante a mesma motivação dos tempos no alto rendimento

Praia de Boa Viagem é o palco das aulas do CTFMPraia de Boa Viagem é o palco das aulas do CTFM - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

De segunda a sábado, o despertador de Fabiano Melo toca às 4h30. Do Janga, onde mora, segue para Boa Viagem, onde inicia suas atividades. Tem dias que emenda com agenda à tarde e também à noite. É uma rotina intensa. Parece até rotina de esportista. E, na verdade, é. Afinal, Fabiano deixou o esporte de alto rendimento há alguns anos, mas o vôlei de praia segue ditando o seu ritmo. O que mudou foi o papel. Se antes ele era o atleta, agora, aos 44 anos, é o professor. “E eu me sinto tão realizado como quando era atleta”, garante. Mas, até chegar nesse estágio, o caminho foi longo.

Fabiano foi um dos últimos nomes revelados em uma época na qual o vôlei de praia recifense chamava atenção a nível nacional. Talentos não faltavam, e a Cidade estava na rota de torneios importantes, diferente do cenário da última década. Durante a carreira, jogou com parceiros diferentes - Moacyr (PE), Juca (BA), Rodrigo e Roberto Lopes (ambos do CE) - e era presença certa nas grandes disputas nacionais, sendo indicado a atleta revelação da temporada de 2004 e a melhor atacante do ano em 2005.

No auge da carreira, aos 33 anos, sofreu uma lesão no tendão de Aquiles direito durante uma competição universitária em Minas Gerais e viveu o baque de passar de quarto melhor do País nas areias a dono de um destino incerto. Fabiano passou por cirurgia e enfrentou seis meses de fisioterapia até conseguir retornar, porém sem a mesma potência que o revelou. “No vôlei de praia essa idade é tipo o auge. Eu estava voando e voltei bem abaixo do meu potencial. A lesão comprometeu muito minha impulsão, que era meu diferencial. Fiquei conhecido pelo ataque forte e a impulsão diferenciada”, recorda ele, que, apesar da frustração, acabou esticando a carreira de atleta - por necessidade, mas por paixão também.

“Quando sofri a lesão ainda não era formado em Educação Física e, por isso, não podia exercer a função de professor. Então a única forma que ainda podia gerar renda era estar jogando os campeonatos”, diz Fabiano, que, ao encerrar a graduação e obter registro profissional, iniciou a transição da vida de atleta para a de professor. “Iniciei meu projeto de escolinha e, ao mesmo tempo em que começou a dar certo, fui largando os campeonatos. Mas não foi fácil parar de jogar”, frisa.

O Fabiano professor entrou em ação há pouco mais de três anos, em Paulista, aonde chegou a reunir mais de 60 crianças em um trabalho focado na iniciação à modalidade. Mas o projeto era ligado à prefeitura do município e, após um ano, a verba foi suspensa. Como o público-alvo era população de baixa renda, ficou inviável manter a estrutura. Foi então que passou a investir em projetos independentes e criou o Centro de Treinamento Fabiano Melo (CTFM), que deu os primeiros passos em Olinda, sem muito sucesso, e depois migrou para a orla de Boa Viagem, onde se firmou e hoje reúne mais de 100 alunos em turmas variadas. A proposta continuou sendo ensinar vôlei de praia, só que para adultos.

“No começo tinha alguma insegurança na elaboração das aulas, em entender os limites de pessoas em estágios diferentes. Mas hoje me sinto realizado e entendo que, antes de tudo, eu lido com pessoas que nem sempre querem se aprimorar no esporte em si, mas que buscam projetos pessoais, às vezes se reinventar, ter mais qualidade de vida, emagrecimento”, explica Fabiano, que tem como mantra para 2020 a evolução, através de parcerias para incrementar a escolinha.

Entre as novidades já acertadas, está o início de uma versão Kids do CTFM, para crianças e adolescentes de 12 a 16 anos, já a partir deste mês. “Tenho o sonho de poder contribuir para colocar o Recife de novo em evidência no cenário nacional. Mas, para isso, é necessário investimento e planejamento, um projeto sério, de continuidade.”

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