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Ex-atletas podem estar mais propensos a problemas cardíacos

Estudos indicam que atletas de alto rendimento, após pararem, podem ter mais arritmia do que outros que não tinham essa rotina

 Ex-comandante do Sport, Milton Mendes ressalta a necessidade de manter o corpo em movimento Ex-comandante do Sport, Milton Mendes ressalta a necessidade de manter o corpo em movimento - Foto: Paullo Allmeida/AFP

Haja coração”, frase do narrador esportivo Galvão Bueno, endereçada aos torcedores mais nervosos, também poderia ser emprestada aos treinadores de futebol. O órgão responsável pela circulação do sangue no corpo já foi para esses profissionais um adversário mais implacável do que qualquer craque rival. O caso do técnico Abel Braga trouxe à tona um problema que não é tão raro no mundo esportivo: a arritmia.

“Ela acontece devido alteração no sistema elétrico do coração, gerando aceleração do pulso e perda da eficiência da contração. Pode causar insuficiência cardíaca e formação de coágulos, com risco de AVC”, afirmou o cardiologista especialista pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), Eduardo Saad.

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Os técnicos de futebol são, em grande parte, ex-jogadores. Saad, porém, faz o alerta. “Já existem alguns estudos indicando que atletas de alto rendimento, após pararem, podem ter mais arritmia do que outros que não tinham essa rotina. O exercício físico feito no passado não é uma vacina para o futuro, até porque muitas dessas pessoas param com as atividades, ficam acima do peso e com carga alta de estresse. Tudo isso aliado ao fator da idade avançada, que coloca o indivíduo na faixa de risco”, argumentou.

Vários treinadores brasileiros tiveram problemas como o de Abel. Antônio Lopes, Enderson Moreira, Renato Gaúcho e Cuca passaram por cirurgia para corrigir uma arritmia. Oswaldo de Oliveira, Guto Ferreira já precisaram se ausentar por alguns dias do trabalho para tratarem de casos semelhantes. Todos voltaram à função. Mas há exceções. Ídolo do Náutico e campeão por clubes como São Paulo, Santos e Fluminense, o ex-técnico e hoje comentarista esportivo, Muricy Ramalho, sofreu uma arritmia cardíaca em 2016, época em que estava no Flamengo. Preocupado com a saúde, ele optou por encerrar a carreira.

“O treinador sofre uma pressão grande e nem sempre ele pode resolver tudo. Quando o time perde, você se sente culpado. Eu queria outro ritmo para minha vida. Ficar perto da minha família. Já morei em vários lugares, até na China, e a distância da esposa e dos filhos aumentava o estresse. Hoje tenho mais tempo para mim e para eles. Eu faço atividade física, tomo remédio me cuido bem mais”, disse.

Muitos técnicos, mesmo depois do fim da carreira de atleta, procuram permanecer com a rotina de atividades físicas. Jair Ventura, ex-Botafogo, Santos e Corinthians, e Alberto Valentim, atualmente no Vasco, são exemplos disso. Ex-comandante do Sport, o treinador Milton Mendes também se encaixa no grupo, ressaltando a necessidade de manter o corpo em movimento. "Todo dia faço exercício físico. Fui atleta durante 25 anos e sei da importância de se cuidar. Costumo correr, pegar peso e, muitas vezes, fazendo alguma atividade, você libera a pressão, pensando em algo para o treino do outro dia.”

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