Automobilismo

F1 estreia em 2020 disposta a ressignificar padrões

Após ter calendário revirado pela pandemia da Covid-19, categoria inicia temporada sinalizando mudança de antigos estereótipos

Lewis Hamilton em protesto realizado na InglaterraLewis Hamilton em protesto realizado na Inglaterra - Foto: Reprodução/Instagram

O mundo mudou nos últimos 70 anos desde a primeira corrida oficial da Fórmula 1, em 1950. Era normal, então, que a categoria mais popular do automobilismo acompanhasse tal evolução. Acontece que, por muitas décadas, os avanços se resumiram a carros mais potentes. A preocupação com a tecnologia não era proporcional ao interesse em usar a força da marca para discutir temas sociais valiosos. Demorou, mas enfim decidiram olhar o universo fora das pistas para, aos poucos, se reinventar, conquistar novos admiradores e participar do debate contra preconceitos antigos. Após ter uma temporada revirada pela pandemia do novo coronavírus, a F1 estreia a edição 2020 do campeonato neste domingo, no GP da Áustria, querendo deixar antigos estereótipos para trás.

“Prefiro atingir um rico de 70 anos. Não há motivo para tentar esses moleques porque eles não vão comprar nenhum dos produtos que anunciamos nas corridas". Esse comentário foi feito pelo ex-detentor dos direitos da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, em 2014. Sinal de que o esporte precisava mudar de pensamento. "Quando a Liberty Media comprou a Fórmula 1, ela entendeu que precisava afastar Ecclestone. Ele era uma pessoa que encontrou o automobilismo em outro momento. A parte promocional do evento era avessa à novidades. Estava defasada. Por ser uma empresa norte-americana, a Liberty sabia que a competição não começava e terminava no autódromo. Sabia que era preciso usar as redes sociais, tomar como exemplos eventos como Superbowl e NBA, adaptando-se ao mundo moderno. Ainda há muito a ser feito, mas já foi um novo passo para colocar a Fórmula 1 em outro caminho que não seja o antigo, voltado a um público elitista, mais velho, branco e hétero", afirmou o jornalista Victor Martins, do site Grande Prêmio.

O piloto inglês Lewis Hamilton tem sido a peça mais atuante na Fórmula 1 para chamar atenção ao debate sobre problemas sociais. O hexacampeão da modalidade foi às ruas de Londres no mesmo para participar de manifestações contra o racismo, iniciadas após a morte de George Floyd, norte-americano negro que morreu sufocado por um policial branco em Minneapolis, nos Estados Unidos. "Cresci num esporte que deu significado à minha vida, mas com pouca diversidade, o que me permite trabalhar por uma agenda de mais igualdade. Não há sinal de ninguém (protestando) na minha indústria que, é claro, é o esporte dominado por brancos", reclamou Hamilton.

 

"Ter Hamilton como uma liderança nata, preta, é importante para a Fórmula 1. É raro ver atletas brancos se posicionando por algo. Geralmente são pessoas como LeBron James e Serena Williams, que passaram por preconceito. No geral, os demais são despreocupados com questões sociais. Quando Hamilton diz que esperava receber mais apoio, ele tem razão. Foi preciso criticar publicamente outros pilotos, que estavam vivendo dentro de uma bolha, alienados, para ter uma reação. A Mercedes, mudando a cor do carro de prata para preto, por uma causa social, é importante, mas ainda é pouco. Precisamos ver como será a reação dos pilotos daqui para frente. Se eles vão botar somente hashtag ou se vão colocar a mão na massa para fazer uma Fórmula 1 mais humana", declarou.

Uma preocupação atual da Fórmula 1 também é a de aproximar o esporte do público feminino. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e a Ferrari anunciaram a criação da "Girls on Track - Rising Stars", iniciativa para tentar incluir mulheres pilotos de idades entre 12 e 16 anos nas categorias de formação do esporte. 

Ao longo da história, a F-1 teve apenas cinco mulheres como titulares de equipes: Maria Teresa de Filippis, Lella Lombardi, Divina Galica, Desiré Wilson e Giovanna Amati. Nos últimos anos, diversas participaram de testes, como Tatiana Calderón (Alfa Romeo), Susie Wolff (Williams), María de Villota (Marussia), Simona de Silvestro (Sauber), Carmen Jordá (Lotus), e Katherine Legge (Minardi), entre outras.Desvincular a imagem do automobilismo com o machismo também foi uma aposta da Liberty Media, ao trocar as “grid girls” por crianças.

A Fórmula 1 lançou ainda uma força-tarefa intitulada "We Race as One" ("Nós Corremos como Um" em português), para lutar contra a desigualdade de raças e também de gêneros. Na corrida deste domingo, que marca a abertura do calendário 2020, os carros das dez equipes levarão adesivos com arco-íris numa forma de combater a homofobia. O treino classificatório do GP da Áustria ocorre neste sábado, a partir das 10h. Já a largada da corrida oficial será dada às 10h10 deste domingo.

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