Famílias vão à Bolívia por ressarcimento pelo voo da Chape

Ideia dos familiares das vítimas é cobrar pagamento do seguro e conseguir apoio do governo vizinho

Familiares cobram explicações das autoridadesFamiliares cobram explicações das autoridades - Foto: Douglas Magno/AFP

Familiares das vítimas do acidente com o voo da Chapecoense irão até a Bolívia nesta quinta-feira (10) para uma série de reuniões com representantes do governo boliviano, da agência aérea nacional e da seguradora e da corretora de seguros do voo da LaMia, empresa aérea que operava o trajeto de Santa Cruz de La Sierra até Medellín, na Colômbia, onde ocorreu o acidente. A ideia é cobrar o pagamento do seguro e conseguir apoio do governo vizinho para tal.

Leia também:
Laudo conclui que falta combustível causou acidente com o voo da Chapecoense
Chape ganha 'Oscar' do esporte por melhor momento de 2017

"O mote é ajuda às famílias por parte do governo boliviano, para mover a DGAC (a agência aérea boliviana) e qualquer ajuda para a Fundação, para movimentar as coisas no País", contou Abel Dias, especialista em seguros contratado pela Chapecoense para ajudar no caso. A comitiva será recebida pelo General Celier Arispe, diretor da agência aérea boliviana.

Na semana passada, os familiares, representados pela AFAV-C (Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do voo da Chapecoense) estiveram em Bogotá com uma agenda similar com o governo da Colômbia, que também faz a investigação sobre o voo. A AFAV-C cobra explicações para a negativa do pagamento do seguro do voo por parte da seguradora e também para compreender como as agências aéreas de Brasil, Bolívia e Colômbia autorizaram o voo sem considerar válida a apólice, justificativa apresentada para o não pagamento.

"Visitamos a BISA Corretora de Seguros e questionamos o fato de não terem reconhecido o sinistro, pela cláusula da exclusão geográfica", contou Mara Paiva, esposa do ex-jogador e comentarista esportivo Mario Sérgio, morto no acidente.

"O valor que está sendo oferecido como "fundo humanitário" é bem inferior ao valor da apólice, e só pagarão desde que se dê quitação para todas as instituições envolvidas no acidente. A BISA está adotando uma postura muito dura, inflexível, em detrimento das famílias das vítimas, que nada têm a ver com a apólice firmada entre a seguradora e seu cliente, a LaMia. Até porque, mais uma vez, o destino do voo era a Colômbia", comentou.

Emoção no encontro

Na Colômbia, familiares das vítimas puderam conhecer a sobrevivente Ximena Suárez, comissária de bordo do voo. "Foi a primeira vez que falei com um sobrevivente. Eu nunca tive coragem. Agora, achei que estava pronta. Precisava disso para me aproximar dos últimos minutos de vida do meu amor", disse Mara Paiva, emocionada.

A AFAV-C também irá promover neste mês um encontro com as famílias e advogados em Chapecó, com o apoio do clube. Na ocasião, a Associação pretende apresentar os resultados do trabalho de levantamento de informações e apresentaremos o projeto da "Fundação Vidas", criada em conjunto com a Chapecoense, com lançamento previsto para novembro. "Tem a missão de auxiliar psicológica e financeiramente as famílias das vítimas do acidente, pelo período de cinco anos, até que boa parte das demandas judiciais se encaminhem. Já temos uma sede doada pelo clube, em Chapecó, e contará com o apoio de parceiros da iniciativa privada", revelou Mara Paiva.

Veja também

Acompanhe o lance a lance de Náutico x Oeste, pela Série B
BRASILEIRO SÉRIE B

Acompanhe o lance a lance de Náutico x Oeste, pela Série B

Palmeiras foi o 2º melhor do mundo em 2020, atrás apenas do Bayern
Futebol

Palmeiras foi o 2º melhor do mundo em 2020, atrás apenas do Bayern