Final da Champions une homônimos, conterrâneos e devotos

Pernambucanos Heitor Marcos, torcedor do Tottenham, e Heitor Barros, fã do Liverpool, estarão de olho no jogo

Heitor Marcos começou a torcer pelos Spurs por causa de CrouchHeitor Marcos começou a torcer pelos Spurs por causa de Crouch - Foto: Jose Britto

Unidos pelo nome, pela paixão envolvendo o futebol europeu e, ao menos neste fim de semana, pela final da Liga dos Campeões da Europa. Não são apenas os ingleses que estão ansiosos pela decisão entre Liverpool e Tottenham, no Metropolitano, em Madrid. Dois pernambucanos homônimos também estarão de olho no jogo. Um torcendo por uma inédita conquista dos Spurs. Outro pela coroação dos Reds após a frustação na competição passada.

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Em uma época de fãs fervorosos de craques como Messi e Cristiano Ronaldo, e de clubes como Barcelona e Real Madrid, Heitor Marcos surge para quebrar o padrão. O profissional de logística de 24 anos tem como ídolo Peter Crouch, atacante inglês que, inclusive, já jogou nos dois finalistas da Liga. Mas foi quando vestiu a camisa do Tottenham que o esguio atleta de 2,02m ajudou o Spurs, indiretamente, a ganhar um novo torcedor de uma terra bem distante de Londres.

"Joguei futsal minha infância toda. Por ser alto e magro, a turma me chamava de Crouch. Comecei a acompanhar a carreira dele e, depois que ele foi para o Tottenham, passei a torcer pelo clube também”, disse. “Fico procurando transmissões na internet das partidas, boto camisa em cima da televisão... eu sofro mais por eles do que pelo meu outro time, o Sport”, completou.

O “xará” dele também tem uma ligação com um time inglês. O jornalista Heitor Barros, 23, foi conquistado pelo Liverpool não somente por conta dos títulos e dos craques. “Eu me lembro de quando ouvi a música "You'll Never Walk Alone" entoada pelos torcedores. É raro ver uma cena como aquela, do estádio inteiro cantando. A Inglaterra tem essa história de ter um público mais ‘teatral’ nos jogos, mas a torcida do Liverpool é diferente”, disse.

Em comum, além dos nomes, havia a desconfiança com relação ao desempenho dos clubes na Liga. "Cheguei a pensar que o Liverpool sequer passaria de fase por conta das três derrotas fora de casa”, disse o “Heitor do Liverpool”. “Na final do ano passado o time era o ‘azarão’ porque do outro lado era o Real Madrid, com Cristiano Ronaldo. Agora é diferente. Acredito que será menos difícil, com um 3x2 para a gente”, concluiu. Os Reds perderam a final da edição 2017/2018 por 3x1 para os espanhóis.

“Também achei que ficaríamos na etapa de grupos. Não éramos favoritos contra o Barcelona no Camp Nou, mas nos classificamos para as oitavas. Também não éramos contra Borussia Dortmund, Manchester City e Ajax, e passamos. Nesta final, nós também não somos, mas eu acredito”, disse, colocando suas fichas em um brasileiro na decisão. “Lucas veio do PSG, surpreendeu todo mundo e foi protagonista do último jogo. Vou assistir à final em um bar com outros torcedores e aposto em 1x0, com gol dele”, brincou o “Heitor do Tottenham”.

A paixão explicada

Fábio Wolff, que lidera a agência de marketing esportivo Wolff Sports, explica que as redes sociais e os avanços da tecnologia permitem essa relação mais próxima entre os clubes europeus e os torcedores de outras regiões, como os brasileiros. “O Brasil é um grande exportador de craques e isso acaba aumentando o interesse em acompanhar esses e outros grandes jogadores nessas ligas. A qualidade do futebol também é maior. Essa nova geração está muito conectada e acompanha cada vez mais o que vem de fora. Os grandes clubes europeus sabem como atrair os jovens, sabem conversar com o consumidor. Os daqui ainda precisam criar essa sinergia para não perder espaço”, citou.

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