Vôlei

'Fora, Bolsonaro', grita jogadora de vôlei de praia em transmissão

"Só para não esquecer: fora, Bolsonaro!", gritou Carol Solberg, após conquistar medalha no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia

Foto: Reprodução/SporTV

A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, 33, protestou contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após conquistar a medalha de bonze na etapa de Saquarema (Rio de Janeiro) do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia.

"Só para não esquecer: fora, Bolsonaro!", ela gritou após pegar o microfone das mãos da parceira, Talita, durante entrevista concedida ao canal SporTV. As duas venceram a dupla Josi e Juliana por 2 sets a 0 (21/19, 21/14) nesse domingo. Estampado na parte de cima dos uniformes das atletas estava o símbolo do Banco do Brasil, patrocinador da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

"O 'fora, Bolsonaro' está engasgado aqui na garganta. Ver esse desgoverno dessa forma, ver o pantanal queimando, 140 mil mortes e a gente encarando a pandemia desse jeito. É isso. Tá engasgado esse grito. E me sinto, como atleta, na obrigação de me posicionar", disse ela ao blog Olhar Olímpico, do UOL, depois do protesto.


Carol Solberg é filha da ex-jogadora de vôlei Isabel, conhecida também pela postura engajada e uma das lideranças do movimento Esporte pela Democracia, criado neste ano.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho, Isabel contestou a ideia de atletas não devem se manifestar politicamente.
"Acho curioso como o esporte pode estar à margem, é como se não fôssemos cidadãos. E tem pessoas que defendem que devemos ficar neutros. Como ficar neutro se você vê uma injustiça? Os atletas muitas vezes batalham tanto, têm uma carreira curta, e quando têm um patrocinador pode ser uma empresa estatal ou mais alinhada ao governo, então se retraem", afirmou.

O título de Saquarema, em etapa realizada sem a presença de público e que marcou a estreia da "bolha" criada pela CBV para retomar seus eventos, ficou com Ana Patrícia e Rebecca, que de virada venceram Duda e Ágatha. Essas duas duplas serão as representantes do Brasil nos Jogos de Tóquio.

Em nota de repúdio, a CBV afirmou ser contra manifestações de cunho político. "O ato praticado [...] pela atleta Carol Solberg [...] em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar. Aproveitamos ainda para demonstrar toda nossa tristeza e insatisfação", disse a entidade, acrescentando que tomará medidas cabíveis para atos parecidos não voltem a ser praticados.

Veja a nota na íntegra:

CBV se expressa contra manifestação de cunho político

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), vem, através desta, expressar de forma veemente o seu repúdio sobre a utilização dos eventos organizados pela entidade para realização de quaisquer manifestações de cunho político.

O ato praticado neste domingo (20.09) pela atleta Carol Solberg durante a entrevista ocorrida ao fim da disputa de 3º e 4º lugar da primeira etapa do Circuito Brasileiro Open de Volei de Praia – Temporada 2020/2021, em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar.

Aproveitamos ainda para demonstrar toda nossa tristeza e insatisfação, tendo em vista que essa primeira etapa do CBVP OPEN 2020/2021, considerada um marco no retorno das competições dos esportes olímpicos, por tamanha importância, não poderia ser manchada por um ato totalmente impensado praticado pela referida atleta.

Por fim, a CBV gostaria de destacar que tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados.

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