Esportes

Fórmula 1 descobre novos 'embaixadores' em plena crise do coronavírus

Lewis Hamilton fala regularmente sobre o preconceito que sofreu e a falta de diversidade na F1

Lewis Hamilton, piloto inglêsLewis Hamilton, piloto inglês - Foto: AFP

Lewis Hamilton como referência de opinião e a nova geração, liderada por Charles Leclerc e Lando Norris, se aventurando pelo mundo dos eSports: durante a pandemia do coronavírus, a Fórmula 1 viu alguns de seus pilotos brilharem exercendo outros papéis. O hexacampeão mundial Hamilton, uma máquina de ganhar desde que estreou na F1 em 2007, foi progressivamente se transformando de amigo das estrelas e frequentador de festas badaladas para uma voz política consciente nos últimos anos.

Primeiro piloto negro da história da categoria rainha do automobilismo, o britânico fala regularmente sobre o preconceito que sofreu e a falta de diversidade na F1, mas nunca com tanto vigor como desde que George Floyd foi morto por um policial nos Estados Unidos em maio. Nas últimas semanas, Hamilton, de pai negro e mãe branca, se mostra incansável na disseminação nas redes sociais de uma mensagem de conscientização antirracista. O piloto também criou uma comissão de diversidade no automobilismo.

"Não vejo nenhum sinal (de progresso) no meu esporte, que, claro, é dominado pelos brancos", escreveu no Instagram. "Eu acreditava que vocês enxergariam porque isso acontece e se manifestariam, mas vocês não podem nos apoiar. Saibam apenas que eu sei quem são vocês e estou de olho".

Apoio a Hamilton

A indignação do britânico de 35 anos acabou ganhando o apoio dos outros pilotos da Fórmula 1. "Estou feliz de que tenha se expressado com tanta força", afirmou o chefe da Mercedes, Toto Wolff. "É um dos embaixadores de nosso esporte e acho que isso é bom", completou.

A promotora Formula One, organizadora da competição, expressou seu "apoio total" a Hamilton na voz de seu diretor esportivo, Ross Brawn, que anunciou o lançamento de uma força-tarefa dedicada a "incrementar a diversidade a as oportunidades em todos os níveis" na Fórmula 1, desde sempre dominada por homens brancos.

E não foi a primeira vez que Hamilton usou sua notoriedade para defender suas causas, que vão além do esporte. O campeão é um ferrenho defensor do meio ambiente e dos animais, além de uma importante voz contra o aquecimento global. Cada vez mais confortável no papel de porta-voz dos pilotos, Hamilton foi o primeiro a declarar sua "surpresa" e "choque" pela decisão da F1 de seguir em frente com os planos de organizar o primeiro Grande Prêmio de 2020 na Austrália em meados de março, durante o início da pandemia. No dia seguinte, a corrida foi cancelada após a descoberta de um resultado positivo para coronavírus no paddock.

A F1 também encontrou novos embaixadores de luxo, comercialmente valiosos, em seus pilotos mais jovens. Sem poder disputar uma corrida de verdade, Leclerc, Norris, Alexander Albon, George Russel e Max Verstappen optaram por participar de uma disputa virtual ao vivo na plataforma de streaming Twitch, paraíso dos fãs dos eSports.

Pilotos mais disponíveis

Nas disputas virtuais, os pilotos pareciam mais disponíveis e mais relaxados que nunca, livres da marcação acirrada das escuderias, responsáveis por praticamente tudo que fazem e dizem durante a temporada. Assim como Leclerc, que chegou a vestir um traje de banana durante uma 'live', todos se alegraram com a oportunidade de mostrar sua "verdadeira personalidade".

A Liberty Media, proprietária da F1 desde 2017 e que aposta nas redes sociais e no eSport para rejuvenescer a imagem da categoria e conquistar o público jovem asiático, quer capitalizar neste momento. "Tínhamos um campeonato virtual do qual todas as escuderias participavam com jogadores profissionais, mas acredito que a participação de pilotos de verdade deu um enorme impulso na modalidade", reconheceu Ross Brawn.

"Tenho certeza que teremos muito mais apoio e recursos no futuro. Vimos o lado positivo e não queremos deixar passar esta oportunidade. A F1 está muito interessada nisso", prometeu o dirigente. E os pilotos já perceberam: será preciso criatividade neste fim de semana na Áustria para emocionar os fãs no primeiro GP sem torcida da história da F1.

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