Futebol ainda tem terreno para ser explorado no Brasil

Estudo mostra que só 7,6% dos municípios contam com equipe profissional, o que indica má distribuição, mas também um campo próspero de oportunidades

Estudo expõe o privilégio que clubes da elite nacional tem ao jogar o ano inteiroEstudo expõe o privilégio que clubes da elite nacional tem ao jogar o ano inteiro - Foto: Reprodução

A alcunha do Brasil como “país do futebol”, aos poucos, se ratifica como uma falácia reverberada para esconder a extensa desigualdade que há na modalidade no País. O estudo mais recente da Pluri Consultoria mostra que 7,6% dos municípios - 422 de um total de 5.570 - contaram com, ao menos, uma equipe profissional em atuação ao longo do ano de 2019. Além da distribuição ínfima, o cenário se torna mais curioso na agenda de atividades. Em média, somente 35% do calendário útil é ocupado pelos treinos e jogos dos times. Os números revelados na pesquisa apontam para uma má distribuição, mas também podem indicar oportunidades.

Apenas os 128 clubes (19,7%) distribuídos nas quatro divisões nacionais possuem acesso mínimo ao calendário. Resta aos 522 restantes se contentarem com estadual e, porventura, Copa do Brasil. O levantamento constata o poder econômico de São Paulo no cenário futebolístico, já que é a única unidade federativa com mais de 50% de taxa de utilização do calendário. Pernambuco se encontra em 11º lugar na tabela, com 34,2% e próximo da média nacional. Atualmente, existem 23 equipes do Estado registradas na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

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São Paulo também lidera na quantidade de cidades (66) que possuem um clube profissional no mínimo. O Distrito Federal se destaca pelo alcance absoluto de todos os municípios (100%), mesmo com pouca tradição nos gramados. Pernambuco, por sua vez, tem outro desempenho mediano e aparece na 10ª posição, dispondo de 16 cidades que têm equipes habilitadas para disputar competições da CBF. Em contrapartida, o Estado sobe três posições no que se refere à presença de times profissionais em localidades com mais de 100 mil habitantes. São cinco grandes centros em Pernambuco sem algum tipo de atividade profissional no futebol.

Fernando Ferreira, diretor do Grupo Pluri, indica que alguns caminhos podem ser seguidos para contornar a situação. ”Podemos criar o mínimo de competitividade, trabalhar melhor a questão de logística, regionalizar esses calendários pra permitir que esse pessoal (jogadores) vá a campo. E assim criar um ecossistema que seja mais saudável economicamente e que possa ser sustentável. Cortando essa lógica perversa do nosso futebol que é ‘só posso existir no campeonato se eu tiver as grandes marcas disputando”, comentou.

 

 

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