Futsal pernambucano longe dos holofotes

Potência no passado, Estado virou mero figurante no presente, época em que convive com jejum de conquistas importantes

Paulo Câmara Paulo Câmara  - Foto: Clemilson Campos/Folha de Pernambuco

Votorantim, Bandepe, Banorte... os pernambucanos se acostumaram a ver o nome dessas equipes, potências do futsal brasileiro, nos noticiários esportivos durante as décadas de 1980 e 1990. Em jogos com o Geraldão lotado, as competições locais e confrontos entre os clubes atraíam os olhares da comunidade esportiva, época em que até a seleção brasileira aparecia na capital para se apresentar. Porém, em 2016, a realidade do esporte da “bola pesada” e dribles curtos é bem diferente no Estado.

Já são anos vivendo no limbo, completamente afastado dos holofotes da modalidade no País. Na Taça Brasil, segunda maior competição de futsal, o último time a ter destaque foi o Tigre, de Garanhuns, que chegou à final em 2013, perdendo para o Carlos Barbosa/RS, nos pênaltis. Na Liga Nacional, nunca um time daqui conseguiu participar do torneio. Criada em 1996, o evento atua com o sistema de franquias, em que o clube, empresa ou pessoa compra o direito de disputar o certame. Por isso, é normal às equipes, junto com o seu nome ou o da cidade, ter o nome de uma empresa junto estampando a marca.

“A falta de um time na Liga Nacional se deve totalmente à questão financeira. Para comprar uma franquia, é um valor em torno de R$ 600 mil. Um aluguel seria R$ 200 mil em média e um custo de manutenção de R$ 100 mil mensais”, destaca Luiz Cláudio, presidente da Federação Pernambucana de Futsal, ressaltando que o lado econômico do futsal acaba influenciando bastante no fato de o Nordeste jamais ter tido uma franquia na maior competição de clubes do País. “Hoje não temos condições financeiras, estruturais, nem organizacional de participar de uma Liga Nacional”, completa.

Mas este tipo de apoio a qualquer momento pode dar errado. É só analisar o caso do Malwee/Jaraguá, time que ficou eternizado pelo sucesso em territórios nacional e internacional, liderado pelo craque Falcão. A equipe venceu a Liga Futsal quatro vezes (2005, 2007, 2008 e 2010). Neste último ano, porém, a entidade encerrou o apoio ao time de Jaraguá do Sul, que não disputou o torneio nacional até 2012, quando recebeu novo patrocínio.

Apesar do sucesso do Tigre, o time mais forte do Estado no momento é o Santa Cruz, atual campeão pernambucano e da segunda divisão da Taça Brasil. Mesmo com os títulos recentes, a dificuldade financeira também refletiu no clube tricolor, que perdeu o treinador e o patrocinador. “Está mais difícil de arranjar patrocinadores. Não tivemos investimento do adulto este ano”, afirma Francisco Rocha, o “Chico”, técnico da equipe coral. Além de quase não disputar o Estadual adulto, os tricolores não participaram do sub-20, uma das categorias que mais rende glórias para o Tricolor.

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