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COPA DO MUNDO

IA entra para a rotina das seleções na Copa após primeiros passos no Catar-2022

As ferramentas auxiliam no monitoramento do desempenho físico e técnico dos atletas, na análise de adversários, no planejamento de treinamentos e até na prevenção de lesões

Met Life Stadium, palco da final da Copa do Mundo de 2026Met Life Stadium, palco da final da Copa do Mundo de 2026 - Foto: Rob Carr / AFP

A Copa do Mundo do Catar, em 2022, marcou o início da utilização mais ampla da Inteligência Artificial no futebol de seleções. Quatro anos depois, a tecnologia se tornou parte da rotina das equipes nacionais. No Mundial de 2026, todas as seleções têm acesso ao Football AI Pro, sistema disponibilizado pela Fifa em parceria com a Lenovo, embora algumas federações utilizem plataformas mais específicas, como o SAP Sports One, adotado por Alemanha, Inglaterra, Suécia e Áustria.

As ferramentas auxiliam no monitoramento do desempenho físico e técnico dos atletas, na análise de adversários, no planejamento de treinamentos e até na prevenção de lesões. Além disso, passaram a influenciar processos de observação e convocação de jogadores.

"Naturalmente pode influenciar uma convocação, ou até mesmo a prospecção de talentos, porque permite uma visão mais precisa sobre o momento de cada atleta. Ao mesmo tempo, a decisão final continua sendo da comissão técnica", afirma Mateus Grings, consultor da SAP na Indústria de Esportes e Entretenimento.

Segundo especialistas, a principal contribuição da IA é transformar grandes volumes de dados em informações úteis para a tomada de decisões. "O principal ganho para o técnico na montagem do grupo não é achar o 'melhor' jogador isolado, mas sim o mais compatível. A IA cruza dados do atleta com o modelo de jogo da seleção", destaca Renan Borges, CTO da Agência End to End.

Pioneira na área, a Alemanha utiliza ferramentas de análise de dados desde a conquista da Copa do Mundo de 2014. Já o Brasil chega ao Mundial de 2026 com uma parceria entre a CBF e o Google, utilizando a ferramenta Gemini para prevenção de lesões, análise de desempenho e simulações. A Argentina também possui um acordo semelhante com a empresa.

Para Vinícius Las Casas, gestor de marketing da CUJU no Brasil, a velocidade no processamento das informações pode ser decisiva em uma competição curta. "Ela pode detectar, por exemplo, sinais sutis de queda de intensidade, mudanças no comportamento de um atleta sem a bola, tendências de movimentação do adversário ou indícios precoces de desgaste físico."

Além das seleções, a inteligência artificial também está presente na organização da Copa, com recursos como a bola com sensor integrada ao VAR e os avatares 3D utilizados no impedimento semiautomático. A expectativa é que a tecnologia avance ainda mais nos próximos anos.

"O próximo estágio da inteligência artificial no futebol será menos descritivo e mais preditivo. Hoje a tecnologia ajuda a entender o que aconteceu; no futuro próximo, ela será cada vez mais capaz de indicar o que pode acontecer", projeta Las Casas.

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