Ídolo do Santa Cruz, Grafite está a um passo de retornar ao Arruda

Presidente Alírio Moraes demonstra otimismo para firmar a quarta passagem do camisa 23 pelo clube

Grafite tem 38 anos Grafite tem 38 anos  - Foto: Flávio Japa/Arquivo Folha de Pernambuco

Detalhes separam Grafite de um retorno ao Santa Cruz. O que falta para o acerto ser finalizado, no entanto, é o entendimento de dívidas do ano passado do clube com o atacante. As pendências estão sendo negociadas desde a semana passada, quando as partes se encontraram para uma reunião, e a expectativa é de que o martelo seja batido ainda hoje. Na última segunda-feira, a reportagem da Folha de Pernambuco conversou com o presidente Alírio Moraes, que demostrou otimismo para um desfecho positivo para os dois lados.

“Falta o acerto de débitos. Uma das prioridades é fechar com ele”, simplificou. Para chegar a um denominador comum com a direção, o camisa 23 ainda resolve uma ação judicial. Ele acionou dirigente e clube na Justiça para cobrar salários atrasados, o pagamento do 13º, férias e outras verbas rescisórias. O processo está em andamento no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT).

Informações colhidas pela reportagem indicam que o valor pedido pelo atleta é de R$ 2 milhões. Alírio Moraes, porém, preferiu não comentar o assunto. “Para o retorno dele, temos que deixar resolvida toda essa situação. Mas isso discutimos internamente”, disse. A reportagem tentou falar com o jogador para esclarecer o trâmite do processo, mas as ligações não foram atendidas.

Se chegar a um acordo sobre os débitos, o centroavante, de 38 anos, defenderá a Cobra Coral pela quarta vez na carreira. A primeira passagem foi em 2001. Na ocasião, chegou como desconhecido para disputar o Brasileiro da Série A, após atuações por Matonense/SP e Ferroviária/SP, e marcou apenas quatro gols, mas foi comprado pelo Grêmio, que pagou à época R$ 1 milhão. Um ano depois, voltou por empréstimo e se destacou, balançando as redes 11 vezes na Série B.

Antes de regressar ao tricolor em 2015, Grafite ganhou bagagem e rodagem no futebol brasileiro e mundial. Vestiu as camisas do Goiás e do São Paulo, além de fazer história no Le Mans (França), Wolfsburg (Alemanha), Al-Ahli (Emirados Árabes) e Al-Sadd (Qatar).Também jogou pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010.

O ídolo da torcida coral pisou no gramado do Arruda 13 anos depois, como a maior contratação dos últimos tempos. Em sua chegada, de helicóptero, mais de 7 mil pessoas estavam no estádio para uma apresentação nos moldes europeus e com pompa de popstar: paletó e gravata. Um dia que ficou marcado na memória, nos registros jornalísticos e no coração do atleta.

Na reestreia, no dia 8 de agosto de 2015, um estádio lotado - com mais de 44 mil torcedores - na partida diante do Botafogo, pela Série B, e com direito a gol dele na vitória por 1x0. Além de conquistar o acesso à elite do futebol, alavancou o quadro de sócios: de 4.332 para mais de 10 mil. Naquele ano, marcou sete gols em 15 partidas disputadas.

O 2016 do veterano foi marcado por conquistas e declarações sinceras de como o clube estava se comportando internamente. No primeiro semestre, sagrou-se campeão pernambucano e levantou a taça inédita da Copa do Nordeste. No entanto, esteve no rebaixamento à Segunda Divisão com três rodadas de antecedência. Mas conseguiu terminar como o artilheiro do time, com 24 gols, 14 deles no Brasileiro, em 56 jogos na temporada.

Voz ativa entre o elenco e a diretoria, ele criticou o planejamento para a Série A. Revelou que algumas pessoas do clube estavam trabalhando contra a gestão atual. Contou que tinha atleta sem dinheiro para pegar um táxi e ir ao treinamento, expondo a dificuldade financeira. Líder e principal nome da equipe, o atacante foi uma das pessoas mais solidárias com os funcionários, que não recebiam salários havia seis meses, ajudando com doações de cestas básicas e dinheiro.
 

Atlético/PR

Mesmo tendo contrato até o fim de 2017, Grafite optou por se transferir para o Furacão, onde jogou 24 partidas e só conseguiu marcar um tento, de pênalti, em sua estreia no mês de fevereiro. Com o maior jejum de sua trajetória (mais de cinco meses sem marcar), virou alvo de críticas da torcida paranaense e, inclusive, pediu para sair após disputar a Copa Libertadores da América, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro da Série A.

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