Jogador pernambucano da Portuguesa é encontrado morto

Moradora de Carnaíba, mãe de jogador da Portuguesa, encontrado morto, relata drama ao saber da morte do filho pela TV

Corpo do jovem atleta foi sepultado no no cemitério São Pedro, em São PauloCorpo do jovem atleta foi sepultado no no cemitério São Pedro, em São Paulo - Foto: Peter Leone/futura press/folhapress

 

A vitória por 2x0 diante do Água Santa, pelo Campeonato Paulista sub-17, deveria ser apenas uma das várias que estariam por vir para o zagueiro Lucas Santos, de 16 anos, da Portuguesa. Animado com a classificação do time à próxima fase do torneio, o garoto fazia planos. Um deles era se tornar um atleta profissional. Mas o maior era outro.

Embora com certa aptidão musical e alguns trabalhos como modelo, era o futebol que propiciaria a Lucas realizar o desejo de todos os filhos: dar uma vida melhor a sua mãe.

 Fazer com que ela o visse brilhando na televisão. Mas a primeira vez que o jogador apareceu na tela também foi a última. Uma comemoração em um churrasco com os colegas de equipe terminou de forma trágica. Lucas teve uma congestão e foi encontrado morto perto da piscina do Canindé. Fim precoce da carreira e da vida. Ele não pôde cumprir seu sonho. E ela não conseguiu ao menos se despedir do filho.
Há cinco anos, Mércia Santos, mãe de Lucas, tomou uma decisão difícil. Deixou São Paulo, onde morava com o filho e o padrasto, e se mudou para Carnaíba, cidade do Interior de Pernambuco - a 357 km do Recife -, em busca de trabalho. Precisou deixar o garoto com o avô, levando seus outros dois filhos: Rafaela, de 13 anos, e Eduardo, 10.

 “Vou trazer a senhora quando assinar meu primeiro contrato”, disse o jogador. Mércia nunca pensou, porém, que a tentativa de retorno teria um contexto tão nefasto.
Foi pela televisão que a mãe soube da morte do filho. “Vi a reportagem e mostraram a foto e o vídeo dele tocando guitarra. Quando eu vi, fiquei totalmente desesperada. A gente nunca espera perder um filho, espera que um filho enterre a gente”, disse, em entrevista à repórter Luiza Oliveira, do UOL. Seu desejo era ver Lucas mais uma vez. O último encontro havia sido cinco anos atrás.
“Ela teria que pegar um ônibus de Carnaíba até Recife e depois um avião para cá. Mas Mércia não tinha condições financeiras. O enterro, por exemplo, foi pago por um amigo da família que se ofereceu para ajudar”, contou à Folha de Pernambuco a tia de Lucas, Mágda Santos, que acompanhou o velório, realizado ontem, no cemitério São Pedro, em São Paulo. A mãe do garoto ainda tentou juntar dinheiro com amigos, mas não conseguiu reunir o suficiente para a viagem. “Pedi para os conhecidos meus aqui, colegas e ninguém podia ajudar. Estou sofrendo demais, não tenho condições de ir ao enterro. Eu só queria me despedir do meu filho”, afirmou Mércia, que vive da renda do Bolsa Família.
A mãe de Lucas procurou a Prefeitura de Carnaíba para levantar uma quantia que a ajudasse na compra das passagens, mas não conseguiu êxito. Em conversa com a reportagem, o prefeito da cidade, José Mário, indicou que não se encontrou com Mércia e que só soube do caso pela TV.
Em nota, a assessoria de imprensa da Portuguesa frisou que “o clube está empenhado em colaborar com as autoridades policiais para a investigação e elucidação dos fatos e também prestará todo o apoio necessário aos seus familiares”. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) ainda indicará se Lucas ingeriu bebida alcoólica ou algum tipo de droga que possa ter influência na morte.

 

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