Jogos-2016, um ano depois: Rio vive em pleno marasmo

A população vem sofrendo com os altos índices de desemprego

Encerramento Jogos Olímpicos Rio 2016Encerramento Jogos Olímpicos Rio 2016 - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A violência está intrinsecamente ligada à crise econômica, que começou há dois anos, bem antes dos Jogos Olímpicos. O Estado do Rio está à beira da falência e os servidores públicos recebem seus salários com meses de atraso.

Alguns chegam a depender de doações de cestas básicas para sobreviver.

Os policiais ainda não receberam o 13º salário referente a 2016 e as autoridades não têm condições de pagar pelas horas extras que permitem aumentar de maneira significativa o patrulhamento.

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"Estamos tentando otimizar os recursos disponíveis e racionalizar o emprego dos nossos recursos no sentido de tentar fazer mais com menos. Esse é nosso grande desafio", resume Alzir.

Os problemas financeiros, porém, não podem ser vistos como responsáveis únicos pelo aumento da violência.

Diversos especialistas acusam a estratégia de ocupação das favelas pelas autoridades, que tentaram diminuir a rede de ação e a influência dos traficantes sobre os moradores apostando na instauração de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) dentro das comunidades.

"Estamos pagando o preço do fracasso total do projeto das UPPs", denuncia Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Candido Mendes.

"O Rio, a partir de 2008, apostou num projeto que tinha um objetivo muito claro: tornar essa cidade mais segura para receber dois grandes eventos (Copa do Mundo-2014 e Jogos Olímpicos-2016), mas acabaram criando UPPs numa velocidade enorme, um projeto insustentável a longo prazo", analisa Lemgruber.

"Por que a UPP não deu tão certo? Porque só foi a polícia. A inclusão social, o urbanismo, o saneamento não chegaram em muitas comunidades. Não é algo simples, muito menos barato, e é preciso uma ação integrada entre polícia e todos os setores sociais", admite Roberto Alzir.

Turismo sofre

Além dos problemas com a violência, a população vem sofrendo com os altos índices de desemprego.

Ex-executivos trabalham como motoristas de Uber para poder pagar as contas do fim do mês e o aumento no número de moradores de rua é perceptível ao olho nu.

A crise chega a afetar os atletas de alto rendimento: inúmeros medalhistas olímpicos brasileiros nos Jogos do Rio se encontram sem patrocínio.

Abandonadas por muito tempo, algumas instalações do Parque Olímpico começam a abrir as portas para treinos ou eventos pontuais, apesar das persistentes incertezas.

Reaberto em maio, o velódromo foi danificado na noite de sábado (28) por um incêndio causado por um balão e que consumiu parte do teto do local.

A Arena do Futuro, que sediou os jogo de handebol durante as Olimpíadas, tinha previsto ver sua estrutura reutilizada na construção de três escolas públicas em bairros pobres da cidade, mas o projeto não pôde ser implementado devido a problemas orçamentários.

"Conseguimos realizar grandes Jogos Olímpicos, apesar da crise. A herança não está comprometida, apenas vai demorar mais para ser colocada em prática", argumentou Mario Andrada, diretor de comunicação do Comitê Rio-2016.

Os moradores já se beneficiam da extensão da rede de transportes e da revitalização da região portuária do Rio, mas a crise e os problemas de violência afetam diretamente o turismo.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 5.000 empregos foram criados neste setor durante os Jogos, mas cerca de 9.000 pessoas foram licenciadas de janeiro a maio de 2017.

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