Jovens vendem água e criam rifa para evoluir no basquete

Petrolinenses encaram jornada para conseguir participar de camp da modalidade na Capital pernambucana

Venda de água ajudou Geovanna e Gisele a levantar recursos para participar de camp Venda de água ajudou Geovanna e Gisele a levantar recursos para participar de camp  - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

As experiências que vivemos, os aprendizados cotidianos nos ajudam a construir gradativamente uma bagagem evolutiva. Progredir é uma necessidade intrínseca do ser humano. Foi justamente buscando progresso que as amigas Gisele Araújo, de 18 anos, e Geovanna Oliveira, de 17, mobilizaram Petrolina nos últimos dias. Tudo pela oportunidade de aperfeiçoamento no basquete. Atletas da Seleção de Basquete Feminino Cactos (SBF Cactos), de Petrolina, elas estão no Recife participando da quinta edição do Fitcamp, um camp de basquete voltado para jovens com idade entre sete e 19 anos, realizado pela Associação de Pais e Apoiadores do Esporte Fitcamp (Apae/Fitcamp) em parceria com o Sport Club do Recife e o Colégio Salesiano. São as únicas entre os mais de 60 participantes que não residem na Região Metropolitana do Recife. E enfrentaram os mais de 700 km de distância em busca de crescimento.

“Eu conhecia Guilherme (Negreiros, um dos técnicos responsáveis pelo camp) de algumas competições. Os times dele sempre são muito bons. Então, quando vi que teria esse camp, fiquei muito interessada em vir”, contou Gisele, que motivou a amiga e, juntas, elas mobilizaram um batalhão na corrida para levantar recursos. Além da inscrição no camp, era necessário ter verba para as passagens até a Capital, alimentação e deslocamentos no Recife, entre outros custos - a hospedagem ficou por conta de familiares na Cidade. Com o apoio das famílias e das companheiras de time, do qual são as caçulas entre as 12 atletas, Gisele e Geovanna recorreram a uma estratégia clássica da SBF Cactos: vender água mineral no trânsito.

“Sempre que tem um campeonato para disputar, fazemos isso para levantar dinheiro e viajar. Então fizemos o mesmo. Íamos todos os dias pela manhã e, à tarde, vendíamos rifas. As rádios locais descobriram nossa ação e nos ajudaram muito também, divulgando”, explicou Geovanna, que é natural de Petrolina, mas mora atualmente em Juazeiro, na Bahia, e atravessa a ponte sobre o Rio São Francisco todas as segundas, quartas, sábados e domingos para treinar.

Quando chegamos para esta reportagem, as meninas vieram até a nossa equipe a passos lentos. O motivo? Estavam “quebradas” após os dois primeiros dias de trabalho no camp, que reúne treinos físicos, técnicos e táticos, além de palestras. “É um ritmo diferente do que vivemos. Mais puxado, intenso. Está sendo muito boa essa experiência”, disse Geovanna. “Tem uma diferença importante entre o esporte aqui (Capital) e lá (Petrolina). Aqui as pessoas começam a praticar basquete cedo, então quando chegam à adolescência já têm um nível mais elevado. No Interior o contato depende muito da escola, geralmente acontece mais no ensino médio, aí você demora mais a evoluir”, analisou Gisele. “Os treinos também são diferentes. Nesses dias trabalhamos muito os fundamentos básicos mesmo, que são essenciais para melhorar o jogo. Está sendo uma experiência muito boa. Estamos aqui aprendendo e levaremos muito conhecimento para Petrolina, para contribuir com o time”, reforçou Geovanna.

Falar de basquete faz os olhos de Gisele e Geovanna brilharem. Ambas já praticaram outros esportes antes, mas o encontro com a bola laranja rendeu um amor à primeira vista. As duas jogam como ala-pivô, tendo Gisele 1,74 metro de altura e Geovanna, 1,76 metro. Embora suspirem pelo basquete, elas sabem que ser atleta profissional é um caminho árduo. Não planejam deixar o esporte, mas constroem outros trilhos em paralelo. Enquanto conversávamos, Geovanna lembrou que está próximo de sair o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), previsto para amanhã (17), e revelou ansiedade. “Quero ser professora. Se puder unir esse sonho de ensinar com o basquete, melhor ainda.” Gisele, que quer cursar medicina, também aguarda nota.

Como protagonista ou coadjuvante de luxo, fato é que o basquete nunca deixará de ser parte da vida das meninas. “Fiz outros esportes antes, mas basquete é mágico. Eu amo isso”, disse Gisele. “Tentei vôlei, outras coisas, mas o basquete é diferente. É o nosso alívio”, corroborou Geovanna. A vinda para o Fitcamp, sem dúvidas, já deixa um legado para as petrolinenses, no basquete e, sobretudo, na vida.

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