Keila Costa mira quinta Olimpíada da carreira em Tóquio

Referência nacional nos saltos triplo e em distância há mais de uma década, Keila Costa planeja estar em Tóquio-2020 e só depois encerrar a carreira como atleta

Keila Costa, saltadora pernambucanaKeila Costa, saltadora pernambucana - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

São 25 anos de uma trajetória que começou nas pistas de terra batida de Abreu e Lima e ultrapassou fronteiras. A menina que gostava de pular elástico nos intervalos e era serelepe nas aulas de educação física despertou a atenção do professor e, com muita disciplina e dedicação, se tornou uma saltadora de sucesso. Aos 35 anos, Keila Costa recorda todo o caminho percorrido cheia de orgulho.

Do inicio, quando treinava descalça, até o ápice de quatro participações olímpicas no currículo, ela precisou superar muitos desafios, incluindo as lesões, calos na vida de todo esportista. Guerreira, Keila Costa nunca tirou o sorrido do rosto mesmo nas lutas mais difíceis. Neste e nos próximos dois anos, ela viverá as derradeiras batalhas enquanto atleta profissional. O objetivo é cumprir o ciclo olímpico até os Jogos e Tóquio-2020 e encerrar a brilhante trajetória.

"Tive lesões complicadas uma semana antes da Rio-2016 (protusão discal da L4 e L5), desanimei, decidi que encerraria nas quatro olimpíadas, feliz, realizada. Só que vinha em evolução das minhas marcas, fui treinar fora, ganhei a prata no Pan de Toronto. O esporte tem disso. Então pensei que não dava mais, mas passei por um profissional de coluna que me disse que a maioria dos atletas de ginástica teve ou tem essa lesão, que não era isso a me tirar do esporte. Meu técnico reforçou isso. Então fiz fortalecimento e voltei a treinar, agora é mais um ciclo", conta Keila Costa.

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Depois de Tóquio, a meta é passar a atuar na iniciação esportiva, sobretudo nas provas que escolheu para si, os saltos triplo e em distância, que carecem de nomes à altura para suceder a pernambucana. "Tem muita gente que acha que atletismo é só corrida, maratona. Eu mesmo não corro daqui para ali. A falta de visibilidade dificulta a renovação e esse é um papel nosso também, do atleta", pontua Keila, que já faz alguns trabalhos de divulgação do esporte, mas pretende ampliar a atuação no futuro.

"Não quero só dar nome a um projeto, quero atuar como educadora física, até porque vim de projeto e sei o quanto é transformador. Eu não tinha um lazer, minha família não tinha condições de pagar um clube, então estar no projeto, nas aulas de educação física, já era um lazer."

Homenagens
Justo no ano em que completa duas décadas e meia de vida ligada ao desporto, Keila Costa recebeu homenagens no Estado. Foi a atleta homenageada na abertura dos Jogos Escolares de Pernambuco e entrou para o espaço Pernambuco Imortal, na Arena de Pernambuco. "As homenagens geralmente acontecem quando as pessoas vão embora. Não que não valha a pena, mas quando a vive isso fica marcado, é um reconhecimento. Quando fui convidada, pensei 'caramba, eles ainda lembram de mim'. Moro há muito tempo em São Paulo, mas na minha casa tem bandeira, várias coisas daqui. Eu participei dos Jogos no meu início, claro que está mais organizado hoje, mas recordar isso foi muito especial. Muitas crianças me procuraram, principalmente as de escolas públicas, que não tem muito em quem se espelhar e eu saí de escola pública, não tinha tênis, treinava sem pista, e fui para a Olimpíada. Mostra que eles também podem", finaliza Keila Costa, que pretende voltar a morar no Recife quando parar de competir.

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