LaMia se defende e culpa órgão aeronáutico por tragédia

Porta-voz tenta isentar a empresa da culpa pelo acidente em Medellín e responsabiliza autoridades aeronáuticas da Bolívia

Luciano SiqueiraLuciano Siqueira - Foto: Reprodução/Facebook

 

O porta-voz da companhia aérea LaMia, Mário Pacheco, tentou isentar a empresa de culpa pela tragédia no voo da Chapecoense e afirmou, na última sexta-feira (2), que a responsabilidade pela decolagem da aeronave com combustível insuficiente é das autoridades aeronáuticas.

A queda do avião da empresa boliviana, que transportava a delegação do time e jornalistas para Medellín, na Colômbia, ocasionou a morte de 71 pessoas – também incluídos membros da tripulação.

“A decisão correta é cumprir com o que está estabelecido nas normas de regulação e procedimentos da companhia”, disse Pacheco. “Agora, se eles se desviam, é uma decisão que não tem como controlar no momento do voo. Quem tem de exercer controle é a autoridade aeronáutica, como se faz em outros países, que controlam o combustível remanescente com que chegam as aeronaves. A empresa não está orientada a fazer isso. Nem tinha os meios, eram poucas pessoas que estavam trabalhando com o avião.”

Desde as primeiras horas depois do acidente, surgiram indícios que apontavam para uma pane seca. Na última quinta-feira, a divulgação do plano de voo da viagem reforçou essa tese ao mostrar que o tempo previsto para a viagem entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia, era de 4 horas e 22 minutos.

Esse é exatamente o mesmo tempo que o avião consegue voar com seus tanques cheios. Não havia, portanto, nenhuma margem para qualquer imprevisto. Segundo a lei aeronáutica boliviana, o avião deveria ter combustível suficiente para ir até a cidade de destino, mudar de rota para um aeroporto substituto e ainda voar por mais 45 minutos.

Segundo as autoridades colombianas, o avião da LaMia não tinha combustível para respeitar essa regra. Apesar do erro, o plano de voo foi vistoriado por órgãos de controle que, de acordo com especialistas, deveriam ter barrado a viagem, o que não aconteceu. Por isso, o acidente também causou uma crise nos órgão de aviação boliviana.

Jornais locais começaram a divulgar a proximidade entre a LaMia e o presidente boliviano Evo Morales. Foram publicadas, por exemplo, fotos do presidente visitando a LaMia e com o piloto que morreu no acidente na Colômbia Miguel Quiroga.

Em meio a uma crescente pressão, o presidente boliviano Morales deu uma entrevista, admitindo que o diretor-geral da LaMia, Gustavo Vargas, havia sido seu piloto pessoal na Presidência. O filho de Gustavo Vargas, que era diretor em uma agência de aviação, pediu renúncia de seu cargo.

Morales afirmou que deverá ser feita uma investigação de tudo relacionado à companhia aérea, mas disse que não vai interferir na apuração. “Não sabia que tinha autorização, não sabia que era empresa com matrícula boliviana”, comentou. “Tem que ser investigado como se legaliza, como se constitui a empresa e como (obtém) as licenças correspondentes (para voar).”

O governo boliviano suspendeu na quinta-feira as operações da companhia aérea Lamia e destituiu funcionários de alto escalão do controle aeronáutico.

Investigações

O porta-voz da LaMia reiterou que a companhia aérea colabora com as investigações. “Tudo o que se pode coletar de informação, treinamentos e licenças já foi entregue às autoridades bolivianas”, afirmou Pacheco. Ele disse que a LaMia está comprometida a colaborar e apoiar autoridades brasileiras, colombianas e bolivianas com o que for necessário. Pacheco ressaltou que os contratos para voos com times de futebol são feitos diretamente com as instituições.

 

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