Liga de vôlei da Espanha terá jogadora transgênero

Omaira Perdomo, de 18 anos, recebeu aval da federação do país e jogará o campeonato por equipe das ilhas Canárias

Omaira Perdomo, jogadora de vôlei transgêneroOmaira Perdomo, jogadora de vôlei transgênero - Foto: Reprodução/Twitter

Tifanny Abreu foi a primeira mulher transgênero a receber autorização para jogar torneios de elite de vôlei feminino - disputou a Superliga Brasileira pelo Bauru na temporada 2017-2018 -, mas não será a última. Aos 18 anos, a espanhola Omaira Perdomo recebeu o aval da Federação local a jogar a próxima temporada pelo CV CCO 7 Palmas, equipe das ilhas Canárias que chegou à semifinal do último Campeonato Espanhol. "É um sonho realizado", comentou a jogadora, em entrevista ao jornal Marca.

Ela já havia atuado recentemente pela liga juvenil feminina e chegou a defender o CV CCO 7 Palmas em um fim de set de um jogo da fase classificatória da edição 17/18 da Superliga espanhola em fevereiro, mas ainda sofria com a indefinição a respeito de sua situação. Agora, ela garante estar acostumada a ser o centro das atenções. "Encaro isso com naturalidade e tenho a consciência de que não posso perder a cabeça ou ficar irritada cada vez que alguém me olha", afirmou a central de 1,87 m.

Diferentemente de Tifanny, que só iniciou a transição para o sexo feminino já adulta e depois de ter jogado contra homens na elite do voleibol, Omaira começou a mudança ainda na adolescência com o apoio da mãe. "O processo foi feito pouco a pouco. Não sabia bem o que era a transexualidade, mas tinha bem claro do que eu gostava. Me sinto uma mulher dos pés à cabeça", declarou. Quando iniciou no vôlei, a espanhola se viu obrigada a atuar com meninos: "Não me deixavam nem treinar com as garotas. Queria pelo menos isso, mas me diziam que ou eu jogava com os meninos ou não poderia jogar".

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Primeira mulher transgênero a atuar na elite de um esporte olímpico na Espanha, a meio de rede diz ser bem tratada pelas colegas de equipe e receber o carinho de todos, mas quer virar um exemplo. "Sei que muitas pessoas são como eu, mas não há uma referência no esporte para ajudá-las. Lutei por mim e acho que minha história pode ajudar outras meninas e meninos", destacou a jogadora.

Tecnicamente falando, Omaira ainda acredita ter muito a evoluir no voleibol: "Minhas companheiras já estão há muito tempo neste nível de jogo e preciso estar à altura delas em aspectos físicos e de jogo". Omaira Perdomo já tem participado da pré-temporada do CV CCO 7 Palmas, cuja estreia na Superliga espanhola está marcada para o dia 13 de outubro, contra o Emevé, da cidade de Lugo.

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