Liverpool caminha para quebrar jejum de 28 anos

Reds superou a perda de Philippe Coutinho, contratou reforços e é forte candidato ao título da Premier League

Fabinho comemora gol pelo LiverpoolFabinho comemora gol pelo Liverpool - Foto: PAUL ELLIS / AFP

Dentre os maiores campeonatos nacionais do futebol, é recorrente afirmar que o mais equilibrado dos certames é o Inglês. Afinal, reúne inúmeros clubes de tradição, a distribuição das cotas de televisionamento é mais democrática e há atletas de alto nível em praticamente todos os times da primeira divisão. Ainda assim, não dá para negar que a competição seja um tanto previsível. Prova disso é que, de 1992/1993 para cá - quando o principal torneio da Inglaterra ganhou o nome de Premier League - poucas equipes foram campeãs: Manchester United, Arsenal, Chelsea e Manchester City, além das zebras Leicester e Blackburn. Ou seja, somente seis vencedores em 26 edições. Entretanto, a atual temporada pode presenciar o despertar de um gigante adormecido. Maior vitorioso do país no período pré-Premier League - 18 troféus -, o Liverpool está no topo da tabela e dá fortes indícios de que irá quebrar o jejum de 28 anos sem vencer o Campeonato Inglês.

No momento, os Reds estão com 54 pontos e lideram a Premier League com uma vantagem considerável. Estão a sete de distância para o Manchester City, segundo colocado (47), e nove para o Tottenham (44). Para completar, a maior equipe da terra dos Beatles apresenta números invejáveis. Marcou 48 gols em 20 jogos - média de 2,4 por partida. É o segundo melhor ataque do Campeonato Inglês, atrás apenas do Manchester City, que balançou as redes 54 vezes. Além disso, o Liverpool tem a defesa menos vazada. Foram apenas oito gols sofridos. E todos eles ocorreram em confrontos diferentes. Ou seja, o time não chegou a sofrer dois gols em partida alguma e ainda deixou o gramado sem ser vazado em 12 rodadas. Para efeito de comparação, os Blues e os Citizens possuem a segunda melhor defesa, ambos com 16 gols sofridos, o dobro dos Reds. Não bastasse tudo isso, o clube é o único invicto - foram 17 vitórias e três empates.

O mais impressionante disso tudo é que, no início de 2018, o clube sofreu um duro golpe. Enquanto fazia grande campanha na Liga dos Campeões e impressionava pelo estilo de jogo ofensivo, a equipe viu um de seus principais jogadores dizer adeus. O meia Philippe Coutinho aceitou a proposta do Barcelona e deixou Anfield Road. O time perdia seu maestro na metade da temporada, enquanto ainda brigava pelo título continental. Quem diria que a saída do brasileiro foi o ponto de partida para o fortalecimento da equipe. Com os 160 milhões de euros - R$ 620 milhões na cotação da época - obtidos com a venda, o clube investiu para reforçar o seu setor mais criticado: a defesa. Contratou o zagueiro Virgil Van Dijk por 75 milhões de euros, um recorde para um atleta de sua posição. O holandês "arrumou a casa" e o Liverpool acabou chegando à final da Liga dos Campeões. Com uma atuação lamentável de seu ex-goleiro Karius, os Reds sucumbiram diante do Real Madrid. Não houve tempo para a ressaca.

Depois de chegar perto da glória máxima, o Liverpool buscava um passo ainda mais largo: voltar a ser um dos maiores clubes do Velho Mundo. Para fazer frente aos outros gigantes do continente, era preciso mais do que um time titular forte e um treinador tão ousado quanto carismático - o alemão Jürgen Klopp. Os reforços chegaram no início deste semestre. Nenhuma estrela, mas uma pá de jogadores competentes desembarcou em Anfield. No gol, chegou o brasileiro Alisson, que vem justificando o alto investimento. Para o meio-campo, o time trouxe os versáteis Naby Keita e o brasileiro Fabinho. Na frente, a novidade foi o suíço Shaqiri, que se juntou ao poderoso trio formado pelo senegalês Mané, o brasileiro Roberto Firmino e o artilheiro egípcio Salah. O que assombra é o passado recente. Nas últimas dez temporadas, apenas duas vezes o líder no período do Natal não se sagrou campeão. Nas duas ocasiões, a exceção foi o Liverpool. Sinal de que os Reds terão que superar também os seus próprios fantasmas.

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