Lucas Lyra clama por justiça; acompanhe cobertura do júri

Em luta diária pela vida, jovem clama por punição para acusado de disparo, em julgamento realizado nesta segunda-feira (3)

Lucas Lyra clama por justiça em meio a luta diária pela sobrevivênciaLucas Lyra clama por justiça em meio a luta diária pela sobrevivência - Foto: Brenda Alcântara

Cinco anos e seis meses após disparar o tiro que mudou a vida do jovem Lucas Lyra, hoje com 25 anos, e de toda a família dele, o réu confesso do ato, o recifense José Carlos Feitosa Barreto, encara nesta segunda-feira (3) o júri popular, no Fórum Rodolfo Aureliano, no bairro de Joana Bezerra. A sessão, presidida pelo magistrado Ernesto Bezerra Cavalcanti, é realizada na Primeira Vara do Tribunal do Júri Capital. A Folha de Pernambuco faz a cobertura simultânea do júri pelo Twitter

Além da vítima e do réu, serão ouvidas ainda testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. Sete jurados comporão o Conselho de Sentença, cidadãos civis que terão a missão de julgar a natureza do crime, a responsabilidade do réu confesso e se o mesmo merece punição.

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Ele responderá por tentativa de homicídio qualificado por ter efetuado um disparo de revólver contra Lucas, atingindo-o na região da nuca. O caso aconteceu no dia 16 de fevereiro de 2013, na avenida Rosa e Silva, em frente à sede do Náutico. Lucas, o irmão mais novo, Joel, e o primo Pedro Henrique assistiriam Náutico x Central, às 19h, pela oitava rodada do Pernambucano daquele ano.

No mesmo dia, o Sport recebera o Campinense/PB à tarde, no jogo da volta das quartas de final da Copa do Nordeste, na Ilha do Retiro. Antes de sair de casa, Lucas tranquilizou a mãe, Christina, e a irmã, Mirella, ambas preocupadas justamente com o risco de conflitos entre torcedores dos dois times. Disse que pegaria uma linha que não passaria nos arredores da Ilha.



Perto da hora de entrar no estádio, alguns ônibus passaram na Rosa e Silva levando torcedores da facção organizada Torcida Jovem, alusiva ao Sport. O encontro rendeu tumulto com membros da facção Fanáutico. Lucas corria para se proteger na sede alvirrubra quando avistou o primo sendo agredido por seguranças dos coletivos e foi buscá-lo. Nesse momento, foi atingido pelo disparo de José Carlos Feitosa Barreto, que prestava serviço como segurança para a empresa Pedrosa em dias de jogos.

Por ter livrado o flagrante, o agressor passou somente dez dias preso. Desde então, aguarda o julgamento em liberdade. E, muito provavelmente, continuará solto após o júri desta segunda-feira (3). Isso porque as partes têm direito a recorrer do resultado final, o que deve acontecer uma vez que defesa e acusação têm visões diferentes.

Embora réu confesso, o agressor disse ter sido um acidente. Baseada nisso, a defesa dele trabalha pela desqualificação do tipo penal de tentativa de homicídio qualificado para lesão corporal. "Não concordamos com a imputação feita pelo Ministério Público. Queremos uma conduta de menor gravidade porque não houve uma tentativa, mas um acidente", defende o advogado criminalista João Vieira Neto.

Nesse caso, seria lesão corporal gravíssima, com pena de dois a oito anos de detenção, enquanto na tentativa de homicídio qualificado a pena pode variar de 12 a 30 anos de detenção. O veredicto sobre o tipo do crime e a responsabilidade do réu na ação será dado pelo Conselho do Júri.

"Condenado eu tenho certeza que ele será, até porque nem a defesa pede a absolvição. Mas preso, no dia, ele não será de forma alguma, porque se a condenação for por tentativa de homicídio qualificado a defesa recorrerá. E se for por lesão corporal, eu não aceito. Como aguardou o julgamento em liberdade, o réu tem direito de permanecer em liberdade até o julgamento em segunda instância (que tem um intervalo geralmente de seis a doze meses para acontecer)", adianta o promotor do caso, André Rabelo.

"Vou provar de todas as formas que não foi acidente. Ele puxou o gatilho, até porque um revólver não dispara se o gatilho não for puxado. Em pistola pode acontecer, mas com revólver não", completa.

"Nesses cinco anos e meio, o réu confesso está livre e a gente vivendo uma luta diária para que Lucas, dentro do possível, esteja bem. Mas ele acabou com a vida do meu filho e com a minha. Lucas trabalhava, estudava, tinha sonhos. Nunca desejamos mal a ele (réu) ou à sua família. Queremos somente justiça”, diz Christina, que desde o acontecido vive exclusivamente para cuidar do filho. "Não é justo que a vítima tenha ficado presa em hospitais e em um home care e quem fez isso esteja livre. Hoje Lucas não tem sequer o direito de rir de algo que ache engraçado. Quando ele ri, engasga. Já desmaiou por isso e pode até morrer. Pedimos a Deus que não deixe o caso de Lucas ser mais um impune. A impunidade incentiva a violência", reforça Mirella.

A família Lyra, que travou uma luta ferrenha nos últimos anos pela vida de Lucas e para que o dia de hoje chegasse, clama por justiça. Na posição de quem sente as dores e enfrenta as consequências desse gatilho puxado, o jovem é taxativo. "Se a pena que ele vai receber fosse proporcional às dores que eu já senti, que sinto todos os dias e que sei que ainda vou sentir, seria prisão perpétua. Mas o nosso País não tem essa possibilidade. Então espero que ele receba a pena máxima possível", diz , que naquele 16 de fevereiro de 2013 deu entrada no Hospital da Restauração já em coma, foi condenado a 1% de chance de sobreviver, mas, por um verdadeiro milagre, está vivo para contar essa história e cobrar justiça.

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