Família de Lucas Lyra celebra prisão de homem responsável por disparo: 'encerramos um ciclo de luta'
Mesmo condenado em 2018, José Carlos Feitosa Barreto estava em liberdade, aguardando julgamento de recurso
Ainda que a dor siga presente e a cicatriz mais aparente seja de toda uma vida cheia de planos e projetos arrancados subitamente, Lucas Lyra e seus familiares, 13 anos depois, podem seguir em frente com o sentimento de que a justiça foi feita.
Crime
Autor do disparo que atingiu o torcedor do Náutico, em plena Avenida Conselheiro Rosa e Silva, nos Aflitos, na noite de 16 de fevereiro de 2013, José Carlos Feitosa Barreto foi preso em definitivo pela Polícia Civil no último dia 9 de fevereiro. Ele respondia em liberdade enquanto aguardava o julgamento de um recurso.
Em nota, a Polícia Civil, através da 03ª Delegacia - Joana Bezerra, informou que "deu cumprimento de mandado de prisão, expedido pela 01ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, em desfavor de um homem de 50 anos. Após a aplicação das medidas administrativas, ele foi encaminhado para audiência de custódia, ficando à disposição da Justiça”, esclareceu.
Com exclusividade para a Folha de Pernambuco, a irmã mais velha de Lucas, Mirella Lyra, celebrou a resolução do caso e garantiu que a família encara o momento com gratidão.
“Foram 13 anos gritando por justiça. Ele [José Carlos] havia sido condenado, mas como estava recorrendo, estava aguardando em liberdade. Exatamente no dia em que completaram 13 anos do ocorrido com Lucas, a gente recebeu a notícia da prisão e podemos dizer que foi com um sentimento de gratidão a Deus”, disse.
Em 2018, José Carlos confessou o crime e foi condenado a oito anos de prisão por tentativa de homicídio qualificado, por uso de recurso que dificulte ou impossibilite a defesa da vítima.
Leia também
• Justiça determina que empresa de ônibus pague indenização de R$ 2 milhões a Lucas Lyra
• Náutico divulga ação solidária para arrecadar dinheiro para Lucas Lyra; veja como ajudar
• Caso Lucas Lyra completa 10 anos: Confira entrevista com a família
O condenado, que prestava serviço de segurança para a empresa de ônibus Pedrosa, atirou em Lucas durante uma confusão com torcedores do Sport, que passavam de ônibus em frente aos Aflitos. O alvirrubro ficou três anos internado, recebendo alta em agosto de 2016.
Sequelas
Com todos os esforços da família à disposição de Lucas, a batalha é diária e repleta de momentos de sacrifícios desde então.
“Lucas é, sem dúvida alguma, a prioridade da vida da gente. Tudo mudou naquele 16 de fevereiro de 2013. Eu trabalhava, o Lucas trabalhava, Joel estava estagiando, minha mãe ia começar a trabalhar, a gente estava numa das melhores fases da vida da gente. Nossos planos, nossos sonhos foram mudando e foram se moldando a ele. Hoje a vida da gente é em prol do Lucas”, afirmou Mirella.
“Lucas é um paciente acamado. Ele perdeu a audição dos dois ouvidos e tem as sequelas da paralisia do corpo do lado esquerdo. Não pode, por exemplo, sorrir ou se emocionar porque corre risco de engasgo, que são bem severos”, completou.
À reportagem, Mirella reforçou que não cabe mais recurso e que a pena será paga a partir do dia da prisão. A reportagem tentou contato com o Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE), mas até a finalização do texto não houve retorno.
Irmão mais novo de Lucas, Joel, também se pronunciou publicamente nas redes sociais comemorando a prisão. “Agradecemos a todos que, de alguma forma, nos ajudaram nessa caminhada. Hoje encerramos um ciclo de luta e, finalmente, poderemos seguir em paz, com a certeza do dever cumprido”, disse.

