Balanço na Rede

José Neves Cabral

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Taça do Campeonato Brasileiro de 1987
Taça do Campeonato Brasileiro de 1987Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Sport Club do Recife

O Flamengo ainda chora. O Sport ri. Há 30 anos, o clube carioca e o Leão da Ilha iniciaram uma batalha jurídica que só chegou ao fim no ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal negou aos Urubus o direito de dividir o título brasileiro de 1987 com os pernambucanos.

O Sport é o único campeão daquele ano.

E a taça das Bolinhas ficará em definitivo com o São Paulo, primeiro clube a conquistar cinco brasileiros, como previa o regulamento desde que nova versão da competição começou em 1971.

O Sport virou campeão de fato e de direito porque o Flamengo e o Internacional se negaram a cumprir o que estava previsto no regulamento. O representante do Clube dos 13 na reunião que homologou as regras do Brasileiro de 1987 foi Eurico Miranda. Ele tinha uma procuração para representar as demais agremiações e assinou o documento. Dali em diante, o direito do Sport era bom e o do Flamengo, ruim. Tanto que foram inúmeras as goleadas tomadas pelos cariocas nos tribunais da vida.

Pela forma como foi conquistado, no campo e nos tribunais, o título tornou-se o mais emblemático da história do Sport, pois colocou o clube em um novo patamar em nível nacional. Mostrou aos demais times sulistas a grandeza de uma agremiação nordestina que não se curvou ao poder político e financeiro de um tradicional adversário do Sudeste.

O Flamengo poderia ter sido campeão se enfrentasse o Sport? Sim. Tinha um grande time. Contava com Zico, Bebeto e Renato Gaúcho, este último na melhor forma de sua carreira.

Do lado de cá, havia Ribamar, Robertinho e Betão, três jogadores que desequilibravam. Para os torcedores do Sport, a conquista acabou vingando um histórico duelo em 1982, quando o Sport disputou com o Flamengo uma vaga nas semifinais do Brasileiro e foi eliminado, injustamente, por causa de um erro grosseiro do bandeirinha Oscar Scolfaro, que acusou saída de bola no terceiro tento dos pernambucanos, que precisavam vencer por dois gols de diferença. A tevê mostrou que a bola estava cerca de meio metro antes da linha de fundo, o ponta Bebeto fez o cruzamento e Edson Ratinho mandou-a para as redes.

Aquele foi um dos maiores assaltos que um time pernambucano sofreu em sua própria casa.

O Flamengo prosseguiu na competição e acabou campeão, vencendo o Grêmio na final. Até hoje os gremistas reclamam da atuação do árbitro daquela final. Vasculhem na internet que vocês vão ver.

Sempre pródigo em benefícios da arbitragem, o Flamengo é até hoje um dos poucos grandes clubes nacionais que não caíram para a Série B.

A atuação de alguns árbitros em jogos-chave, quando o time carioca esteve com a corda no pescoço, pode explicar melhor esse privilégio.


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